O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Richard conseguiu dar um sorriso. “O governo não está seguindo minhas recomendações”, disse ele baixinho, “nem prestando a menor atenção às recomendações da Águia. Há até gente no escritório da engenharia dizendo que eu mesmo inventei o holograma da Águia. Já imaginaram?”
“Kenji acredita no que você disse, querido”.
“Então, por que deixa essa turma do tempo aumentar sem parar o nível de resposta comandada? Eles não têm a menor possibilidade de prever os efeitos a longo prazo.”
“Com o que é que você está preocupado, Papai?”, indagou Ellie, um momento depois.
“Administrar um volume tão grande assim de gás é um processo muito complicado, Ellie, e eu sinto o maior respeito pelos ETs que desenharam a infraestrutura básica do Novo Éden. Foram eles que insistiram na necessidade de se manter o dióxido de carbono e as concentrações de partículas abaixo de níveis especificados. Eles devem saber alguma coisa.”
Patrick e Ellie terminaram sua refeição matinal e pediram licença para sair da mesa. Alguns minutos mais tarde, depois de os dois jovens terem deixado a casa, Nicole caminhou em torno da mesa e pousou as mãos nos ombros de Richard. “Você se lembra da noite em que discutimos Albert Einstein com Patrick e Ellie?”
Richard olhou para Nicole com o cenho franzido.
“Mais tarde, naquela mesma noite, quando já estávamos deitados, comentei que a descoberta, por Einstein, da inter-relação entre massa e energia fora “horrível” porque levara à existência de armas nucleares… Lembra-se do que me respondeu?”
Richard sacudiu a cabeça. “Você me disse que Einstein era um cientista cuja tarefa na vida era buscar conhecimento e verdade. ‘Nenhum conhecimento é horrível’, você disse, ‘só o que outros seres humanos fazem com esse conhecimento é que pode ser chamado de horrível.”‘ Richard sorriu. “Você está tentando me livrar da responsabilidade nessa questão do tempo?”
“Talvez”, respondeu Nicole. Abaixando-se, ela beijou-lhe os lábios. “Eu sei que você é um dos seres humanos mais inteligentes e criativos que já viveram, e não gosto de vê-lo a arcar com todos os pesados problemas da colônia.”
Richard beijou-a de volta com considerável vigor. “Você acha que teremos tempo de acabar antes de Benjy acordar?”, sussurrou ele. “Hoje ele não tem colégio e ficou acordado até muito tarde ontem.”
“Quem sabe”, respondeu ela com um sorriso coquete. “Podemos ao menos tentar. Meu primeiro caso só está marcado para as dez horas.”
A disciplina de Eponine para os ultimanistas da Escola Secundária Central levava apenas o título “Arte e Literatura”, abrangendo muitos aspectos de cultura que os coloniais haviam deixado para trás ao menos temporariamente.
Em seu currículo básico, Eponine cobria um conjunto multicultural e eclético de fontes, encorajando os alunos a desenvolver estudos independentes em quaisquer áreas específicas que lhes parecessem estimulantes. Embora sempre fizesse planos de aulas e elaborasse algumas apostilas para o conteúdo geral da disciplina, Eponine era do tipo de professor que adapta cada aula aos interesse dos alunos.
Eponine, pessoalmente, julgava Les Misérables de Victor Hugo o maior romance jamais escrito, e o pintor impressionista Pierre Auguste Renoir, nascido em Limoges, que era também sua cidade natal, o melhor pintor que já existira.
Sempre incluía obras de seus dois compatriotas em suas aulas, mas estruturava cuidadosamente o resto da bibliografia de modo a oferecer uma representatividade justa a outras nações e culturas.
Já que os biomas Kawataba a auxiliavam todos os anos na montagem de peça dos alunos, era natural utilizar os romances do Kawataba verdadeiro, Mil graças e Terra de neve como exemplos de literatura japonesa. As três semanas sobre poesia cobriam de Frost a Rilke e a Ornar Khayyam. No entanto, o principal foco poético era Benita Garcia, não só em função da presença das biomas Garcia por todo o Novo Éden, como também porque a poesia e a vida de Benita fascinavam os jovens.
Só havia onze alunos nessa turma em seu último ano na classe de Eponine no ano em que foi exigido que ela usasse a braçadeira vermelha porque seu teste dera RV-41 positivo. O resultado do teste apresentara à escola um difícil dilema. Embora o diretor tivesse resistido corajosamente às tentativas, por parte de um barulhento grupo de pais, quase todos de Hakone, de conseguir que Eponine fosse “dispensada” da escola, ele e sua equipe de algum modo cederam à histeria da colônia tornando a disciplina de Eponine optativa. Conseqüentemente, ela tivera muito menos alunos do que nos dois anos anteriores.
Ellie Wakefield era uma das alunas prediletas de Eponine. A despeito das grandes lacunas de conhecimento da jovem devidas aos anos em que ela passara dormindo na viagem de volta ao sistema solar, vindo do Nodo, sua inteligência natural e sua fome de saber tornavam-na uma alegria na sala de aula. Eponine com freqüência pedia a Ellie que executasse tarefas especiais. Na manhã em que foi iniciado o estudo da poesia de Benita Garcia que, aliás, foi a mesma em que Richard Wakefield discutira com a filha suas preocupações quanto às atividades de controle do tempo na colônia, foi pedido a Ellie que decorasse um dos poemas do primeiro livro de Benita Garcia, Sonhos de uma moça mexicana, escrito quando a autora ainda era adolescente. Antes que a moça começasse a declamar, no entanto, Eponine tentou incendiar a imaginação de seus jovens alunos com uma pequena palestra sobre a vida de Benita.
“A verdadeira Benita Garcia foi uma das mulheres mais espantosas que já viveram”, disse Eponine, apontando com a cabeça para a inexpressiva bioma Garcia, de pé a um canto, que a ajudava com as tarefas rotineiras da aula.
“Poeta, cosmonauta, líder política, mística — sua vida é a um só tempo um reflexo de seu tempo e uma inspiração para todos nós.”
“Seu pai foi grande latifundiário no estado mexicano de Yucatán, longe do coração artístico e político do país. Benita foi filha única, de mãe maia e um pai muito mais velho do que a esposa. Passou a maior parte de sua infância na fazenda da família que beirava as maravilhosas ruínas Puuc Maias em Uxmal.
Em menina, Benita muitas vezes brincou entre as pirâmides e edifícios daquele centro cerimonial de mil anos.
“Foi estudante bem-dotada desde o início, mas foram sua imaginação e seu entusiasmo que a distinguiram verdadeiramente do resto de sua classe.
Benita escreveu seu primeiro poema aos nove anos, e aos quinze, quando estava em um colégio interno católico em Merida, capital de Yucatán, dois de seus poemas já haviam sido publicados no prestigioso Diário de México.
“Após terminar o curso secundário, Benita surpreendeu professores e família anunciando que desejava ser cosmonauta. Em 2129 foi a primeira mexicana jamais admitida na Academia Espacial do Colorado. Ao graduar-se quatro anos mais tarde, os grandes cortes nos programas espaciais já haviam começado. Depois da crise de 2134, o mundo afundou na depressão conhecida como o Grande Caos e virtualmente toda exploração espacial parou. Benita foi afastada pela AEI em 2137, e pensou que sua carreira espacial estivesse terminada.
“Em 2144, um dos últimos veículos de transporte interplanetário, o James Martin, voltou capengando de Marte até a Terra, lotado principalmente com mulheres e crianças das colônias marcianas. A espaçonave mal conseguiu entrar em órbita terrestre e parecia que todos os passageiros morreriam. Benita Garcia e três de seus amigos do corpo de cosmonautas improvisaram um veículo de salvamento e conseguiram resgatar 24 dos viajantes na missão espacial mais espetacular de todos os tempos…”
O pensamento de Ellie desligou-se da narrativa de Eponine para flutuar livremente imaginando como teria sido gratificante participar da missão de salvamento de Benita. Benita pilotara sua espaçonave manualmente, sem ligação com as missões de apoio da Terra, arriscando sua vida para salvar outras.