A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
– Nada – respondeu Bo. – Nós já passamos do ponto de retorno.
– Ótimo – disse Debbie. – Vou comprar a cebola!
O CLUBE DAS MENINAS que odiavam os meninos se reunia uma vez por semana, às quartas-feiras, e os encontros duravam uma hora, terminando às 8 da noite. Já passava de 11 horas e eu ainda não tinha tido notícias de Bo. Então estava caminhando de um lado para o outro em minha sala de estar, tentando manter a calma e calculando quanto carma bom eu ainda tinha em meu tanque de carma.
De certa maneira, a Duquesa tinha atraído aquilo para si mesma, não é mesmo? Quer dizer, que homem não iria querer conhecer os pensamentos secretos de sua esposa? Eu não era pior que qualquer outro marido obcecado! A única diferença era que eu tinha recursos para levar as coisas um pouco mais adiante que a maioria dos homens. Além disso, se ela estava disposta a compartilhar seus pensamentos secretos com a primeira pessoa estranha que aparecesse em seu caminho… Bem, isso faria com que seus pensamentos secretos se tornassem de domínio público.
Na verdade, eu me sentia bastante confiante em receber boas novas naquela noite. Depois de tudo, eu havia repassado todas as coisas que Debbie nos contara na semana anterior e, em resumo, tinha destilado os pensamentos interiores da Duquesa em duas verdades simples. Verdade um: ela ainda me amava, mas estava confusa. Verdade dois: com o tempo, ela iria sentir tanta falta de fazer amor comigo que não teria outra escolha a não ser voltar. Sim, até mesmo naquele dia na praia ela tinha levantado esse assunto específico em duas ocasiões: uma vez como simples maníacos sexuais (o que foi, certamente, uma coisa boa) e também comentando sobre como a gente nunca parava para respirar (que foi uma coisa ainda melhor!). Claro, eu tinha ouvido aquelas fofocas perturbadoras sobre ela e Michael Bolton e sobre ela e seu personal trainer, Alex, o Desprezível, mas, provavelmente tinha sido apenas fofoca…
Encorajado por aquelas verdades, tinha telefonado para Magnum na semana anterior e contado sobre o que estava acontecendo com a Duquesa.
– Será que o Canalha vai fazer alguma objeção se eu vender minha casa em Old Brookville para comprar uma casa muito mais barata nos Hamptons?
Magnum respondeu com um otimismo cauteloso. Ele estava mergulhado até os joelhos em profundas negociações com o Canalha, dissera, que estava sendo o Canalha de sempre. No entanto, Magnum achou que ele iria olhar positivamente para qualquer coisa que fizesse eu cortar minhas despesas. De toda maneira, ele esperava ter um acordo definitivo no início de maio, quando eu iria me colocar na frente do juiz Gleeson e dar entrada em minha declaração de culpa.
Nesse momento, o telefone tocou. Devia ser Bo! Corri em linha reta para a cozinha. Quando cheguei ao telefone, congelei, parado no lugar. Não era o telefone, era o sistema de intercomunicação que estava ligado ao telefone. Alguém estava no portão da frente! Quem seria? Com cuidado, peguei o telefone.
– Alô…
– E aí, Bo – disse Bo. – Sou eu, Bo!
– Bo? – respondi a Bo. – O que você está fazendo aqui?
– Deixe-me entrar. Eu estou fazendo uma entrega pessoal, Bo.
Eu respirei fundo, tentando manter a calma e acompanhar todos aqueles Bo-Bos… Só poderia ser uma boa notícia, pensei. Por que outra razão Bo teria vindo até Southampton? Se fosse má notícia, ele teria me telefonado, a não ser, claro, que fosse uma dessas pessoas que ficam contentes em ver de perto a infelicidade dos outros. Não, Bo não era assim! Como eu poderia pensar uma coisa dessas? Ele era um verdadeiro amigo e provara sua lealdade a mim mil vezes. Ele só queria me dar a boa notícia em pessoa.
–E aí, Bo! – disse Bo. – Você vai abrir o portãozis ou o quê?
– Sim, sim – eu disse. – Desculpe, Bo.
Apertei o código do portão e fui até a porta.
Poucos minutos depois, estávamos sentados à mesa da sala de jantar, sob um lustre de ferro forjado, que custara uma fortuna. Pousado sobre a mesa de madeira branqueada estava um pequeno gravador. Bo ainda estava para revelar o conteúdo da fita, porque continuava explicando como a ex-atriz Debbie Starling tinha tido um desempenho digno do Oscar, rapidamente se esgueirando para dentro das barreiras da Duquesa e conquistando sua confiança.
– … e o truque da cebolis funcionou como mágica – ele estava dizendo. – Debbie cheirou, começou a espirrar e logo as lágrimis estavam escorrendo pelo rosto, enquanto ela contava para sua esposa como o marido tinha dito que ela era isso e aquilo e aquilo outro… E claro que a… Hã… Duquesa ficou muito comovida com isso, porque é assim que lida com tudo. – Bo encolheu os ombros. – Então, as duas já estavam amigas antes mesmo de a reunião começar.
Eu balancei a cabeça e cocei o queixo, pensativo.
– Bem, isso parece bem legal, mas… Então, o que ela disse durante a reunião?
Bo balançou a cabeça lentamente.
– Não se trata do que ela disse durante a reunião, mas do que ela disse após a reunião.
Eu fiquei mais animado.
– Ah, é mesmo? Elas foram jantar?
Bo começou a esfregar a barba.
– Saíram para um drink – respondeu. – Você sabe, tipo in vino veritas.
– Interessante – disse eu. – Então, que verdades o vino arrancou?
Bo torceu os lábios e balançou a cabeça, resignado.
– Bem, eu acho que você pode parar com sua caçada por uma casa, Bo. Não é recomendado dadas as… Hã… circunstâncias atuais.
De uma vez só, senti meu coração despencar até o estômago. A Duquesa estava me enganando! Mas que safadeza! Até onde ela iria descer? Brincar comigo para comprar uma casa mostrou uma total falta de ética da parte dela.
Bo continuou:
– Você sabe, eu vim aqui essa noite porque eu vejo você mais como amigo que como um cliente… – Ele fez uma pausa, olhou para o gravador, que não era maior que um baralho de cartas, e então olhou para cima. – Então, quero fazer um acordo, Bo. Toda essa coisa de gravaçãozis já deu uns 5 paus até agora, mas se você me deixar destruir a fita antes de ouvir, digo que fica elas por elas. Vou pagar Debbie do meu próprio bolso. Mas, se você me fizer pressionar o play, então você tem que me pagar. A decisão é sua.
Com o coração apertado, olhei para o gravador. Caramba, era uma maquininha diabólica, aquela! Tão pequena, tão minúscula… E tão enganadora do caralho! Ela era a portadora de más notícias, portadora de um carma ruim.
– Isso não pode ser tão ruim assim, Bo, pode?
Bo deu de ombros.
– Como eu disse, Bo: in vino veritas.
Eu balancei a cabeça lentamente, com o mais triste dos sorrisos no rosto. Depois, soltei uma risada curta que queria dizer “Então, é assim” e outra risada que também dizia “É o fim da linha, o fim de um casamento, o fim de toda minha falsa esperança”. Meu casamento é um caixão, pensei, e esse é o último prego que coloco nele. Olhei Bo nos olhos e disse:
– Toque essa porra de fita!
Bo assentiu e apertou o play.
Tudo o que eu pude ouvir no início foi um zumbido baixo e algum ruído de fundo, e então uma troca de palavras murmuradas com o garçom. Bo disse:
– Avancei a fita para a parte boa. Elas estão no Stables, prestes a fazer um brinde. Ouça…
Assenti com a cabeça, coloquei os cotovelos na borda da mesa da sala de jantar e cruzei os braços, um em cima do outro. Então descansei minha fronte perturbada sobre eles, olhando para o gravador do mal a partir de um ângulo lateral. Era tudo tão terrível. Eu tinha grampeado minha própria mulher, a mãe de meus filhos! O que Bo tinha dito? Os pensamentos secretos de uma mulher…
Só então ouvi a voz da Duquesa, muitíssimo feliz.