A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Disparar flechas – rugiu o Senhor Comandante naquela noite no Punho, quando surgiu, de repente, montado em seu cavalo –, deem-lhes fogo. – Foi então que reparou em Sam ali, tremendo. – Tarly! Saia daqui! Seu lugar é com os corvos.
– Eu... eu... eu enviei as mensagens.
– Bom. – Empoleirado no ombro de Mormont, seu corvo ecoou: “Bom, bom”. O Senhor Comandante parecia enorme com as peles e a cota de malha. Por trás do visor de ferro negro, os olhos brilhavam ferozes. – Aqui você está no caminho. Volte para as suas gaiolas. Se precisar enviar outra mensagem, não quero ter que procurá-lo primeiro. Trate de ter as aves prontas. – Ele não esperou resposta, deu meia-volta com o cavalo e trotou em torno do anel, gritando: – Fogo! Deem-lhes fogo!
Sam não precisou que lhe dissessem aquilo duas vezes. Voltou para junto das aves, tão depressa quanto suas pernas gordas lhe permitiram. Devia escrever a mensagem com antecedência, pensou, para poder mandar as aves tão depressa quanto necessário. Demorou mais tempo do que deveria para acender a pequena fogueira e aquecer a tinta congelada. Sentou-se numa pedra, junto do fogo, com pena e pergaminho nas mãos, e escreveu suas mensagens.
Atacados entre a neve e o frio, mas repelimo-los com flechas incendiárias, escreveu, enquanto ouvia a voz de Thoren Smallwood ressoar com uma ordem de “Encaixar, puxar... soltar”. O voo das flechas fazia um som doce como uma prece de mãe.
– Queimem, seus bastardos mortos, queimem – cantarolou Dywen, entre risos.
Os irmãos davam vivas e xingavam. Todos em segurança, escreveu. Permanecemos no Punho dos Primeiros Homens. Sam esperava que os outros fossem melhores arqueiros do que ele.
Deixou esse bilhete de lado e pegou outro pergaminho em branco. Ainda lutando no Punho, numa nevasca pesada, escrevia, quando alguém gritou:
– Continuam a vir. – Resultado incerto. – Lanças – disse alguém. Podia ter sido Sor Mallador, mas Sam não poderia jurar.
Criaturas atacaram-nos no Punho, no meio da neve, escreveu, mas as repelimos com fogo. Virou a cabeça. Através da neve que enchia o ar, tudo o que via era a enorme fogueira no centro do acampamento, com homens a cavalo que se moviam, inquietos, à sua volta. Sabia que era a reserva, pronta para abater qualquer coisa que conseguisse abrir uma brecha na muralha anelar. Tinham se armado de tochas em vez de espadas, e as estavam acendendo nas chamas.
Criaturas por toda a volta, escreveu, quando ouviu os gritos vindos da face norte. Vêm ao mesmo tempo do norte e do sul. Lanças e espadas não os param, só o fogo. “Soltar, soltar, soltar”, gritou uma voz na noite, e outra berrou: “Enorme pacas!”, e uma terceira disse “Um gigante!”, e uma quarta insistiu “Um urso, um urso!”. Um cavalo guinchou e os cães começaram a ladrar, e houve tantos gritos que Sam não conseguia mais distinguir as vozes. Escrevia mais depressa, bilhete atrás de bilhete. Selvagens mortos, e um gigante, ou talvez um urso, em cima de nós, por todos os lados. Ouviu o estrondo de aço batendo em madeira, que só podia ter um significado. Criaturas sobre a muralha anelar. Luta dentro do acampamento. Uma dúzia de irmãos a cavalo passou por ele na direção da muralha leste, com galhos jorrando chamas nas mãos de todos os cavaleiros. O Senhor Comandante Mormont combate-os com fogo. Ganhamos. Estamos ganhando. Estamos aguentando. Estamos abrindo caminho pelo meio deles e nos retirando para a Muralha. Estamos encurralados no Punho, sob grande pressão.
Um dos homens da Torre Sombria saiu cambaleando da escuridão e caiu aos pés de Sam. Rastejou até meio metro da fogueira antes de morrer. Perdemos, escreveu Sam, a batalha está perdida. Estamos todos perdidos.
Por que tinha de se lembrar da batalha no Punho? Não queria lembrar. Isso não. Tentou forçar-se a lembrar da mãe, ou da irmã mais nova, Talla, ou daquela garota, Goiva, da Fortaleza de Craster. Alguém lhe sacudia o ombro.
– Levante-se – disse uma voz. – Sam, não pode dormir aqui. Levante-se e continue a andar.
Não estava dormindo, estava lembrando.
– Vá embora – disse, com as palavras congelando no ar frio. – Estou bem. Quero descansar.
– Levante. – A voz de Grenn, dura e rouca, erguia-se por cima de Sam, com os panos negros incrustados de neve. – O Velho Urso disse que não haveria descanso. Vai morrer.
– Grenn. – Sorriu. – Não, de verdade, estou bem aqui. Continue. Já alcanço vocês, depois de descansar um pouco mais.
– Não alcança – A espessa barba castanha de Grenn estava congelada ao redor de sua boca. Isso fazia-o parecer um velho qualquer. – Vai congelar, ou então ser pego pelos Outros. Sam, levante-se!
Sam lembrou-se de que na noite anterior à da partida da Muralha, Pyp provocara Grenn, como costumava fazer, sorrindo e dizendo que ele era uma ótima escolha para a patrulha, porque era burro demais para ficar aterrorizado. Grenn tinha negado com veemência até perceber o que estava dizendo. Era entroncado, com um pescoço grosso e forte (Sor Alliser Thorne chamara-o de “Auroque”, tal como chamara Sam de “Sor Porquinho” e Jon de “Lorde Snow”), mas sempre tratara Sam bastante bem. Porém, foi só por causa de Jon. Se não fosse Jon, nenhum deles teria gostado de mim. E agora Jon tinha sumido, perdido no Passo dos Guinchos com Qhorin Meia-Mão, provavelmente estava morto. Sam teria chorado por ele, mas essas lágrimas também se limitariam a congelar, e agora mal conseguia manter os olhos abertos.
Um irmão alto, com um archote, parou junto a eles, e por um maravilhoso momento, Sam sentiu o calor em seu rosto.
– Deixe-o – disse o homem a Grenn. – Quem não pode andar, está acabado. Guarde as suas forças para si, Grenn.
– Ele vai se levantar – respondeu Grenn. – Só precisa de uma ajuda.
O homem prosseguiu seu caminho, levando o abençoado calor consigo. Grenn tentou pôr Sam de pé.
– Isso dói – este reclamou. – Pare. Grenn, está machucando meu braço. Pare.
– É mais pesado que o diabo. – Grenn enfiou as mãos sob as axilas de Sam, soltou um grunhido e içou-o para cima de suas pernas. Mas, no momento em que o largou, o gordo voltou a se sentar na neve. Grenn deu-lhe um pontapé, uma sólida pancada que rachou a crosta de neve que havia em volta de sua bota e a fez voar para todo lado. – Em pé! – Voltou a chutá-lo. – Levante-se e ande. Tem de andar.
Sam caiu de lado, enrolando-se a fim de se proteger dos pontapés. Quase não os sentia, através de toda a sua lã, couro e cota de malha, mesmo assim doíam. Pensava que Grenn fosse meu amigo. Não se deve chutar os amigos. Por que não me deixa em paz? Só preciso descansar, é só isso, descansar e dormir um bocado, e talvez morrer um pouco.
– Se levar a tocha, eu posso levar o gordo.
De repente foi atirado ao ar frio, para longe de sua querida neve macia; estava flutuando. Havia um braço debaixo de seus joelhos, e outro sob as suas costas. Sam ergueu a cabeça e piscou os olhos. Um rosto pairou perto do seu, um rosto largo e bruto, com um nariz achatado, pequenos olhos escuros e um matagal de rija barba castanha. Já tinha visto aquele rosto, mas precisou de um momento para se lembrar dele. Paul. Paul Pequeno. Gelo derretendo escorreu por seus olhos devido ao calor da tocha.