A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Consegue carregá-lo? – ouviu Grenn perguntar.
– Uma vez carreguei um bezerro que era mais pesado do que ele. Levei-o até a mãe, para que ele pudesse beber leite.
A cabeça de Sam balançava para cima e para baixo a cada passo que Paul Pequeno dava.
– Pare – murmurou –, me ponha no chão, não sou um bebê. Sou um homem da Patrulha da Noite. – Soluçou. – Apenas deixe-me morrer.
– Fique quieto, Sam – disse Grenn. – Poupe suas forças. Pense em suas irmãs e em seu irmão. No Meistre Aemon. Em seus pratos preferidos. Cante uma canção, se quiser.
– Em voz alta?
– Na cabeça.
Sam conhecia uma centena de canções, mas quando tentou se lembrar de uma, não foi capaz. Todas as palavras tinham fugido de sua mente. Voltou a soluçar e disse:
– Não sei nenhuma canção, Grenn. Antes sabia algumas, mas agora não sei.
– Sabe, sim – disse Grenn. – Que tal “O urso e a bela donzela”? Todo mundo conhece essa. Havia um urso, um urso, um urso! Preto e castanho e coberto de pelo!
– Não, essa não – suplicou Sam. O urso que tinha subido ao Punho já não tinha pelo em sua carne apodrecida. Não queria pensar em ursos. – Canções, não. Por favor, Grenn.
– Então pense em seus corvos.
– Nunca foram meus. – Eram os corvos do Senhor Comandante, os corvos da Patrulha da Noite. – Pertenciam ao Castelo Negro e à Torre Sombria.
Paul Pequeno franziu a testa.
– Chett disse que eu podia ficar com o corvo do Velho Urso, aquele que fala. Guardei comida para ele e tudo. – Balançou a cabeça. – Mas esqueci. Deixei a comida onde a escondi. – Continuou a avançar pesadamente, com o hálito branco saindo de sua boca a cada passo, e então disse, de repente: – Posso ficar com um dos seus corvos? Só um. Prometo que não deixo que Lark o coma.
– Eles foram embora – disse Sam. – Lamento. – Lamento tanto. – Agora estão voando de volta à Muralha.
Samwell tinha libertado as aves quando ouviu os berrantes de guerra soar uma vez mais, ordenando à Patrulha que montasse nos cavalos. Dois sopros curtos e um longo, isso era o toque de montar. Mas não havia motivo para montar, a não ser que fosse para abandonar o Punho, e isso queria dizer que a batalha estava perdida. O medo atacou-o então com tanta força que só conseguiu abrir as gaiolas. Só quando viu o último corvo erguer-se na tempestade de neve percebeu que havia se esquecido de enviar qualquer uma das mensagens que escrevera.
– Não – ele gritou então –, oh não, oh não. – A neve caía e os berrantes soavam; ahuuu ahuuu ahuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, gritavam, a cavalo, a cavalo, a cavalo. Sam viu dois corvos empoleirados numa pedra e correu atrás deles, mas as aves bateram indolentemente as asas através dos redemoinhos de neve, em direções opostas. Perseguiu um deles, com o hálito saindo de sua boca e de seu nariz em densas nuvens brancas, tropeçou e deu por si a três metros da muralha anelar.
Depois disso... lembrava-se de ver os mortos saltando as pedras com flechas espetadas nos rostos e nas gargantas. Alguns estavam cobertos por cotas de malha, e outros vinham quase nus... selvagens, a maior parte, mas alguns usavam panos negros desbotados. Lembrava-se de ver um dos homens da Torre Sombria espetando a lança na barriga pálida e macia de uma das criaturas, fazendo-a sair pelas costas, e do modo como a coisa se empurrou, cambaleando pelo cabo da lança acima, estendendo as mãos negras e torcendo a cabeça do irmão até lhe fazer sair sangue da boca. Tinha quase certeza de que foi nesse momento que sua bexiga se soltou pela primeira vez.
Não se lembrava de ter fugido, mas deve tê-lo feito, pois na lembrança seguinte encontrava-se junto à fogueira, a meio acampamento de distância, com o velho Sor Ottyn Wythers e alguns arqueiros. Sor Ottyn estava ajoelhado na neve, fitando sem reação o caos que os rodeava, até que um cavalo sem cavaleiro chegou e lhe deu um coice no rosto. Os arqueiros não prestaram atenção nele. Estavam disparando flechas incendiárias contra sombras na escuridão. Sam viu uma criatura ser atingida, ser engolida pelas chamas, mas, atrás dela, havia uma dúzia de outras e uma enorme silhueta pálida que devia ser o urso, e pouco depois os arqueiros ficaram sem flechas.
E então Sam deu por si sobre um cavalo. Não era o seu cavalo, e também não se recordava de ter montado nele. Talvez fosse o cavalo que esmagara o rosto de Sor Ottyn. Os berrantes ainda soavam, por isso esporeou o cavalo e virou-o na direção do som.
No meio da carnificina, do caos e da neve soprada pelo vento, encontrou Edd Doloroso montado em um garrano, com um estandarte negro sem adornos flutuando numa lança.
– Sam – disse Edd quando o viu –, não quer me acordar? Estou tendo um pesadelo terrível.
Mais homens montavam a cada momento que passava. Os berrantes de guerra estavam chamando. Ahuuu ahuuu ahuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
– Eles saltaram a muralha oeste, senhor – gritou Thoren Smallwood para o Velho Urso, enquanto lutava para controlar o cavalo. – Vou enviar reservas...
– NÃO! – Mormont teve de berrar a plenos pulmões para ser ouvido sobre os berrantes. – Chamem-nos de volta, temos que abrir caminho para fora daqui. – Ficou em pé nos estribos, com o manto negro batendo ao vento e o fogo brilhando em sua armadura. – Ponta de lança! – rugiu. – Formação em cunha, avançamos. Pela encosta sul, e depois para leste!
– Senhor, a encosta sul está cheia de criaturas!
– As outras são demasiado inclinadas – disse Mormont. – Temos...
Seu garrano relinchou, empinou-se e quase o atirou ao chão quando o urso surgiu cambaleando através da neve. Sam voltou a urinar nas calças. Pensava que não tinha sobrado mais nada dentro de mim. O urso estava morto, pálido e apodrecendo, com o pelo e a pele descolados do músculo e metade do braço direito queimada até o osso, mesmo assim avançava. Só os seus olhos viviam. Azul-claros, tal como o Jon dizia. Brilhavam como estrelas congeladas. Thoren Smallwood avançou, com a espada brilhando, laranja e vermelha à luz da fogueira. Sua estocada quase arrancou a cabeça do urso. E então a fera arrancou a dele.
– AVANÇAR! – gritou o Velho Urso, dando meia-volta.
Já iam a galope quando atingiram o anel. Antes, Sam sempre tivera medo demais para saltar a cavalo, mas quando a pequena muralha de pedra se aproximou dele, soube que não tinha alternativa. Esporeou o animal, fechou os olhos e choramingou, e o garrano levou-o para o outro lado, sem que ele soubesse como, sem que soubesse como, o garrano levou-o para o outro lado. O cavaleiro à sua direita caiu num emaranhado de aço, couro e carne de cavalo gritante, e então as criaturas formigaram em volta dele e a cunha se fechou. Mergulharam encosta abaixo, em corrida, através de mãos negras que tentavam agarrá-los, ardentes olhos azuis e neve soprada pelo vento. Cavalos tropeçaram e rolaram, homens foram varridos de cima de suas selas, tochas rodopiaram pelo ar, machados e espadas retalharam carne morta, e Samwell Tarly soluçava, agarrando-se desesperadamente ao cavalo, com uma força que nunca soube que possuía.
Seguiu no meio da ponta de lança em fuga, com irmãos de ambos os lados, e também à frente e atrás dele. Um cão acompanhou-os durante parte do caminho, saltando pela encosta nevada abaixo, enfiando-se entre as patas dos cavalos e saltando para fora de seu caminho, mas não conseguiu manter o ritmo. As criaturas mantinham-se firmes em suas posições e eram atropeladas e pisoteadas. Mesmo quando caíam, tentavam agarrar espadas, estribos e as patas dos cavalos que passavam por elas. Sam viu uma delas rasgar a barriga de um cavalo com a mão direita, enquanto se agarrava à sela com a esquerda.