A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Cães? – perguntou Arya.
– Sim. – Harwyn sorriu. – Um dos nossos rapazes trata dos cães mais bravos, você algum dia gostaria de ver.
– Gostaria de ter um bom cão bravo – disse Arya em tom desejoso. – Um cão matador de leões. – Antigamente tinha uma loba gigante, Nymeria, mas atirei pedras nela até pô-la em fuga, para evitar que a rainha a matasse. Seria um lobo gigante capaz de matar um leão?, perguntou a si mesma.
Nessa tarde voltou a chover e continuou por muito tempo, noite adentro. Felizmente, os fora da lei tinham amigos secretos por todos os lados, e não precisavam acampar ao ar livre ou procurar abrigo debaixo de algum caramanchão cheio de goteiras, como ela, Torta Quente e Gendry tinham feito tantas vezes.
De noite, abrigaram-se numa aldeia incendiada e abandonada. Pelo menos parecia estar abandonada, até Jack Sortudo soltar dois sopros curtos e dois longos em seu berrante. Então começou a aparecer todo tipo de gente, de dentro das ruínas e de adegas secretas. Tinham cerveja, maçãs desidratadas e um pouco de pão de cevada amanhecido, e os fora da lei traziam um ganso que Anguy havia abatido no caminho, de modo que o jantar dessa noite foi quase um banquete.
Arya estava chupando os últimos bocados de carne de uma asa quando um dos aldeões se virou para Limo Manto Limão e disse:
– Passaram homens por aqui há menos de dois dias, à procura do Regicida.
Limo fungou.
– Fariam melhor se o procurassem em Correrrio. Lá embaixo, nas masmorras mais profundas, onde é bom e úmido. – Seu nariz parecia uma maçã esmagada, vermelho, dolorido e inchado, e ele estava de mau humor.
– Não – disse outro aldeão. – Ele fugiu.
O Regicida. Arya sentiu os cabelos no pescoço se eriçarem. Segurou a respiração para escutar.
– Será que isso é verdade? – disse o Tom das Sete.
– Não acredito – respondeu o homem zarolho com o elmo redondo enferrujado. Os outros fora da lei chamavam-no de Jack Sortudo, embora perder um olho não parecesse lá muita sorte a Arya. – Já experimentei essas masmorras. Como é que ele conseguiria escapar?
Os aldeões só podiam responder com ombros encolhidos. Barba-Verde afagou seus espessos pelos cinzentos e verdes e disse:
– Os lobos irão se afogar em sangue, se o Regicida tá outra vez à solta. O Thoros tem de saber disso. O Senhor da Luz vai lhe mostrar o Lannister nas chamas.
– Há ali um belo fogo ardendo – disse Anguy, sorrindo.
Barba-Verde soltou uma gargalhada e deu uma tapa na orelha do arqueiro.
– Acha que eu tenho ar de sacerdote, Arqueiro? Quando Pello de Tyrosh olha o fogo, as fagulhas chamuscam sua barba.
Limo estalou os dedos e disse:
– Mas Lorde Beric adoraria capturar Jaime Lannister...
– Ele o enforcaria, Limo? – perguntou uma das mulheres da aldeia. – Seria uma pena enforcar um homem tão lindinho como ele.
– Primeiro um julgamento! – disse Anguy. – Lorde Beric dá-lhes sempre um julgamento. – Sorriu. – Só depois é que os enforca.
Houve risos por toda a volta. Então Tom passou os dedos pelas cordas de sua harpa e começou a cantar numa voz suave.
Os irmãos da mata do rei,
eram um bando de fora da lei.
A floresta era o seu castelo,
mas vagueavam por todo lado.
Ouro algum era por si recusado,
das donzelas eram grande flagelo.
Oh, os irmãos da mata do rei,
temível bando de fora da lei.
Quente e seca, em um canto, entre Gendry e Harwin, Arya escutou a cantoria durante algum tempo, mas depois fechou os olhos e deslizou para o sono. Sonhou com sua casa; não Correrrio, mas Winterfell. Não foi um bom sonho, porém. Estava sozinha do lado de fora do castelo, enfiada até os joelhos em lama. Conseguia ver as muralhas cinzentas à sua frente, mas quando tentou alcançar os portões, cada passo pareceu mais difícil do que o anterior, e o castelo desvaneceu-se perante seus olhos, até se parecer mais com fumaça do que com granito. E também havia lobos, silhuetas descarnadas e cinzentas caminhando furtivamente por entre as árvores à sua volta, com os olhos brilhando. Sempre que olhava para eles, lembrava-se do sabor do sangue.
Na manhã seguinte, deixaram a estrada para cortar caminho pelos campos. O vento soprava em rajadas, fazendo rodopiar folhas secas marrons entre os cascos dos cavalos, mas, pela primeira vez, não chovia. Quando o sol surgiu de trás de uma nuvem, estava tão brilhante que Arya teve de puxar o capuz para a frente, a fim de cobrir os olhos.
Puxou as rédeas bruscamente.
– Estamos indo no sentido errado!
Gendry soltou um gemido.
– O que foi, outra vez o musgo?
– Olhe para o sol – disse ela. – Estamos indo para o sul! – Arya esquadrinhou o alforje em busca do mapa, para poder mostrar-lhes. – Nunca devíamos ter nos afastado do Tridente. Olhem. – Desenrolou o mapa sobre a perna. Agora todos a observavam. – Olhem, Correrrio fica aqui, entre os rios.
– Acontece – disse Jack Sortudo – que a gente sabe onde fica Correrrio. Cada um de nós.
– Não vamos para Correrrio – disse Limo sem rodeios.
Estava quase lá, pensou Arya. Devia tê-los deixado levar nossos cavalos. Podia ter percorrido o resto do caminho a pé. Lembrou-se então do seu sonho e mordeu o lábio.
– Ah, não faça uma expressão tão sentida, filha – disse Tom Sete-Cordas. – Nenhum mal acontecerá a você, tem a minha palavra quanto a isso.
– A palavra de um mentiroso!
– Ninguém mentiu – disse Limo. – Não fizemos promessas. Não cabe a nós dizer o que será feito com você.
Mas Limo não era o chefe, não o era mais do que Tom; o chefe era o Barba-Verde, o tyroshi. Arya virou-se para ele.
– Leve-me a Correrrio, e será recompensado – disse, desesperadamente.
– Pequena – respondeu Barba-Verde –, um camponês pode esfolar um esquilo comum para a panela, mas se encontrar um esquilo de ouro em sua árvore, leva-o ao seu senhor, senão se arrependerá de não ter feito isso.
– Não sou um esquilo – insistiu Arya.
– É, sim. – Barba-Verde soltou uma gargalhada. – Um pequeno esquilo de ouro que vai se encontrar com o senhor do relâmpago, quer queira, quer não. Ele vai saber o que fazer com você. Aposto que vai mandá-la para junto da senhora sua mãe, tal como você deseja.
Tom Sete-Cordas concordou com a cabeça.
– Sim, Lorde Beric é assim. Ele vai fazer o que é certo, você vai ver.
Lorde Beric Dondarrion. Arya recordou tudo que ouvira dizer em Harrenhal, tanto da boca dos Lannister como dos Saltimbancos Sangrentos. Lorde Beric era o fogaréu dos bosques. Lorde Beric, que fora morto por Vargo Hoat e antes disso por Sor Amory Lorch e duas vezes pela Montanha que Cavalga. Se ele não me mandar para casa, talvez também o mate.
– Por que é que tenho de me encontrar com Lorde Beric? – perguntou ela calmamente.
– Levamos todos os nossos cativos bem-nascidos a ele – disse Anguy.
Cativa. Arya respirou fundo para sossegar a alma. Calma como águas paradas. Olhou de relance os fora da lei em seus cavalos, e virou a cabeça do seu. Agora, rápida como uma cobra, pensou, enquanto batia com os calcanhares no flanco do corcel. Fugiu bem entre Barba-Verde e Jack Sortudo, e viu de relance a expressão pasma de Gendry, quando a égua dele saiu de seu caminho. E então estava em campo aberto, e em fuga.
Para norte ou para sul, para leste ou oeste, agora não importava. Podia encontrar o caminho para Correrrio mais tarde, depois de tê-los despistado. Arya inclinou-se para a frente na sela e pôs o cavalo a galope. Em suas costas, os fora da lei praguejavam e gritavam-lhe para voltar. Fechou os ouvidos aos gritos, mas quando deu um olhar de relance por cima do ombro, quatro deles vinham em seu encalço, Anguy, Harwin e Barba-Verde lado a lado e, mais atrás, Limo, cujo comprido manto amarelo esvoaçava atrás dele enquanto cavalgava.