A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Ligeira como uma corça – disse à sua montaria. – Agora corra, corra.
Arya precipitou-se por campos marrons de ervas daninhas, por mato na altura da cintura e por pilhas de folhas secas que se agitavam e voavam quando o cavalo passava a galope. Viu que havia bosques à esquerda. Posso despistá-los ali. Uma vala seca corria ao longo de um dos lados do terreno, mas saltou-a sem abrandar o ritmo, e mergulhou no bosque de olmos, teixos e bétulas. Uma rápida espiada para trás mostrou que Anguy e Harwin ainda continuavam muito próximos. Mas Barba-Verde tinha ficado para trás, e já não via Limo.
– Mais depressa – disse ao cavalo –, você consegue, você consegue.
E cavalgou por entre dois olmos, sem parar para ver de que lado o musgo crescia. Saltou por cima de um tronco apodrecido e fez uma curva aberta em volta de uma monstruosa árvore caída, eriçada de galhos quebrados. Depois subiu uma ligeira vertente e desceu pelo outro lado, abrandando e voltando a ganhar velocidade, tirando faíscas do sílex com os cascos do cavalo. No topo da colina espreitou para trás. Harwin havia se colocado à frente de Anguy, mas ambos a seguiam de perto. Barba-Verde tinha ficado mais para trás e parecia estar perdendo a força.
Um riacho barrou seu caminho. Entrou nele, atravessando a água repleta de folhas ensopadas e castanhas. Algumas vieram agarradas às patas do cavalo quando subiram do outro lado. Ali, a vegetação rasteira era mais densa, com o chão tão cheio de raízes e pedras que teve de desacelerar, mas manteve o ritmo mais elevado que ousou. Surgiu outra colina à sua frente, mais íngreme. Para cima, e de novo para baixo. Que tamanho têm estes bosques?, se perguntou. Sabia que tinha o cavalo mais rápido, roubara um dos melhores animais de Roose Bolton dos estábulos de Harrenhal, mas a sua velocidade era desperdiçada ali. Preciso voltar a encontrar campo aberto. Tenho de encontrar uma estrada. Em vez disso, encontrou uma trilha de caça. Era estreita e irregular, mas era alguma coisa. Correu ao longo dela, com os ramos chicoteando seu rosto. Um se prendeu ao seu capuz e puxou-o para trás, e durante meio segundo Arya temeu que a tivessem apanhado. Uma raposa saltou dos arbustos após sua passagem, assustada pela fúria de sua fuga. A trilha levou-a a outro riacho. Ou seria o mesmo? Teria dado meia-volta? Não havia tempo para desvendar isso, pois ouvia os cavalos arremetendo por entre as árvores atrás de si. Espinhos arranharam seu rosto como os gatos que costumava perseguir em Porto Real. Pardais explodiram dos ramos de um amieiro. Mas agora as árvores estavam ficando mais esparsas, e de repente viu-se fora delas. Largos campos planos estendiam-se à sua frente, só ervas daninhas e trigo selvagem, ensopado e pisoteado. Arya voltou a pôr o cavalo a galope. Corra, pensou, corra para Correrrio, corra para casa. Teria conseguido despistá-los? Deu uma olhada rápida, e ali estava Harwin a cinco metros dela e ganhando terreno. Não, pensou, não, ele não pode fazer isso, não ele, não é justo.
Ambos os cavalos estavam espumando e perdendo as forças quando ele chegou ao lado, estendeu a mão e agarrou o freio dela. A própria Arya estava ofegante. Sabia que a fuga tinha terminado.
– Monta como um nortenho, senhora – disse Harwin quando a obrigou a parar. – Sua tia também era assim. A Senhora Lyanna. Mas lembre-se de que meu pai era mestre dos cavalos.
O olhar que Arya lhe lançou estava cheio de mágoa.
– Achava que era um homem de meu pai.
– Lorde Eddard está morto, senhora. Agora pertenço ao senhor do relâmpago e aos meus irmãos.
– Que irmãos? – o Velho Hullen não tinha gerado mais nenhum filho, que Arya se lembrasse.
– Anguy, Limo, Tom das Sete, Jack e Barba-Verde, todos eles. Não queremos mal ao seu irmão, senhora... mas não é por ele que lutamos. Robb tem um exército próprio, e muitos grandes senhores que dobram o joelho para ele. O povo só tem a nós. – Deu-lhe um olhar perscrutador. – É capaz de compreender o que estou dizendo?
– Sim. – Que ele não era um homem de Robb compreendia bastante bem. E também que era sua cativa. Podia ter ficado com Torta Quente. Podíamos ter roubado o barquinho e velejado nele até Correrrio. Estivera melhor como Pombinha. Ninguém tomaria a Pombinha cativa, ou a Nan, ou a Doninha, ou o Arry, o órfão. Era uma loba, pensou, mas agora sou só uma estúpida senhorinha qualquer.
– Voltará agora em paz? – perguntou-lhe Harwin – Ou terei de amarrá-la e colocá-la atravessada no cavalo?
– Volto em paz – disse ela num tom amuado. Por enquanto.
SAMWELL
Soluçando, Sam deu mais um passo. Este é o último, o último de todos, não sou capaz de continuar, não sou capaz. Mas os pés voltaram a se mover. Um deles e depois o outro. Deu um passo, e depois outro, e ele pensou: Estes pés não são meus, são de outra pessoa, é outra pessoa que caminha, não posso ser eu.
Quando olhou para baixo, viu-os tropeçando através da neve; coisas sem forma e desajeitadas. Parecia lembrar-se de que as botas tinham sido pretas, mas a neve formara uma crosta em volta delas, e agora eram disformes bolas brancas. Como dois pés deformados feitos de gelo.
Não queria parar, a nevasca. Os montes de neve acumulada já lhe passavam dos joelhos, e uma crosta cobria a parte de baixo de suas pernas como um par de grevas brancas. Seus passos eram arrastados, deslizantes. A mochila pesada que levava fazia com que ele parecesse um monstruoso corcunda. E estava cansado, tão cansado. Não consigo continuar. Mãe, tenha piedade de mim, não consigo.
A cada quatro ou cinco passos, tinha de baixar a mão e puxar para cima seu cinto da espada. Havia perdido a espada no Punho, mas a bainha ainda pesava no cinto. Possuía duas facas; o punhal de vidro de dragão que Jon lhe dera e o de aço com que cortava a carne. Todo esse peso sobrecarregava o cinto, e sua barriga era tão grande e redonda que, caso se esquecesse de puxá-lo, o cinto deslizaria até se enrolar em volta de seus tornozelos, por mais que o apertasse. Uma vez tentou afivelá-lo por cima da barriga, mas então chegou quase em suas axilas. Grenn quase tinha morrido de rir ao vê-lo, e Edd Doloroso disse:
– Uma vez, conheci um homem que usava assim a espada, numa corrente em volta do pescoço. Um dia tropeçou, e o cabo entrou no nariz dele.
O próprio Sam andava tropeçando. Havia pedras por baixo da neve, além de raízes de árvores e, às vezes, buracos profundos no chão gelado. Bernarr, o Negro, havia enfiado o pé em um e quebrado o tornozelo havia três dias, ou talvez quatro, ou... na verdade ele não sabia quanto tempo tinha se passado. O Senhor Comandante tinha colocado Bernarr num cavalo depois disso.
Soluçando, Sam deu mais um passo. Sentia-se mais como se estivesse caindo do que andando, sempre caindo, mas sem nunca atingir o chão, apenas caindo para a frente e mais para a frente. Tenho de parar, dói demais. Sinto tanto frio e estou tão cansado, tenho de dormir, só um pouco de sono junto a uma fogueira, e um pouco de comida que não esteja congelada.
Mas se parasse, morreria. Sabia disso. Todos os poucos que restavam sabiam. Tinham sido cinquenta quando fugiram do Punho, talvez mais, mas alguns haviam se perdido na neve, alguns dos feridos tinham sangrado até a morte... e, às vezes, Sam ouvia gritos atrás de si, vindos da retaguarda, e uma vez ouviu um berro horrível. Quando ouviu aquilo, correu, vinte ou trinta metros, tanto e tão depressa como tinha sido capaz, levantando neve com os pés meio congelados. Ainda estaria correndo se suas pernas fossem mais fortes. Eles estão atrás de nós, eles ainda estão atrás de nós, estão nos levando um por um.