A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
De repente, as árvores estavam em volta deles, e Sam atravessava chapinhando um riacho gelado, com os sons do massacre minguando lá atrás. Virou-se, com a respiração presa devido ao alívio... até que um homem de negro saltou dos arbustos e o arrancou de cima da sela. Sam nunca chegou a ver quem foi; montou num instante e no seguinte afastava-se a galope. Quando tentou correr atrás do cavalo, seus pés se prenderam numa raiz, e ele caiu com força, batendo o rosto no chão, e ficou deitado, chorando como um bebê, até que Edd Doloroso o encontrou.
Essa era a sua última recordação coerente do Punho dos Primeiros Homens. Mais tarde, horas mais tarde, deu por si tremendo entre os outros sobreviventes, metade montada, metade a pé. Encontravam-se já a quilômetros do Punho, embora Sam não se lembrasse de como isso tinha acontecido. Dywen trouxe para baixo cinco cavalos de carga, bem carregados de comida, óleo e archotes, e três tinham chegado ali. O Velho Urso fez com que redistribuísse as cargas, para que a perda de qualquer um dos cavalos e de suas provisões não fosse uma catástrofe muito grande. Tirou garranos dos homens saudáveis e deu-os aos feridos, organizou os caminhantes e colocou archotes para defender os flancos e a retaguarda. Tudo que tenho de fazer é andar, disse Sam a si mesmo enquanto dava aquele primeiro passo de volta para casa. Mas antes mesmo de uma hora ter passado, ele já começava a sentir dificuldades e a ficar para trás...
Via que agora também estavam ficando para trás. Lembrou-se de Pyp contar, certa vez, como Paul Pequeno era o homem mais forte da Patrulha. E deve ser, para me levar no colo. Mesmo assim, a neve estava ficando mais profunda, o terreno, mais traiçoeiro, e os passos de Paul começavam a encurtar-se. Mais cavaleiros passaram, feridos que olhavam para Sam com olhos baços e sem curiosidade. Alguns porta-archotes também passaram por eles.
– Está ficando para trás – disse-lhes um deles.
O seguinte concordou.
– Ninguém vai esperar por você, Paul. Deixe o porco para os mortos.
– Ele prometeu que eu podia ficar com um pássaro – disse Paul Pequeno, embora Sam não o tivesse feito, não exatamente. Não são meus para dá-los. – Quero ter um pássaro que fale e venha comer milho na minha mão.
– Maldito idiota – disse o homem do archote. E depois desapareceu.
Passou-se algum tempo antes de Grenn parar de repente.
– Estamos sozinhos – disse ele numa voz rouca. – Não consigo ver os outros archotes. Aquilo era a guarda de retaguarda?
Paul Pequeno não tinha uma resposta para lhe dar. O grandalhão soltou um grunhido e ajoelhou-se. Seus braços tremiam quando pousou cuidadosamente Sam na neve.
– Não posso levá-lo mais. Queria, mas não posso. – Tremeu com violência.
O vento suspirava por entre as árvores, atirando uma neve fina no rosto deles. O frio era tanto que Sam se sentia nu. Procurou os outros archotes, mas tinham desaparecido, todos eles. Só havia aquele que Grenn transportava, com chamas erguendo-se como sedas de um laranja-claro. Conseguia ver a escuridão através delas. Aquele archote irá se apagar em breve, pensou, e estamos sozinhos, sem comida, amigos ou fogo.
Mas enganava-se. Não estavam nada sozinhos.
Os galhos mais baixos da grande sentinela verde largaram a sua carga de neve com um plop suave e úmido. Grenn girou sobre si mesmo, projetando o archote à frente.
– Quem está aí? – uma cabeça de cavalo emergiu da escuridão. Sam sentiu um momento de alívio, até ver o cavalo. A geada cobria-o como uma película de suor congelado, e um emaranhado de entranhas rígidas e negras saía de sua barriga aberta. Sobre o dorso, trazia um cavaleiro branco como gelo. Sam soltou um som lamentoso vindo do fundo da garganta. Estava tão assustado que poderia ter se urinado mais uma vez, mas tinha o frio dentro de si, um frio tão violento que parecia que a bexiga havia congelado. O Outro deslizou graciosamente da sela e ficou em pé na neve. Era magro como uma espada, e de um branco leitoso. Sua armadura ondulava e transformava-se quando ele se movia, e seus pés não quebravam a crosta de neve recém-caída.
Paul Pequeno desprendeu o machado de cabo longo que trazia preso às costas.
– Por que fez mal a esse cavalo? Era o cavalo de Mawney.
Sam tateou em busca do cabo de sua espada, mas a bainha estava vazia. Lembrou-se tarde demais que a perdera no Punho.
– Vá embora! – Grenn deu um passo, estendendo o archote à sua frente. – Vá, senão vai arder. – Empurrou-o com as chamas.
A espada do Outro cintilou com uma tênue incandescência azul. Moveu-se na direção de Grenn, rápida como um relâmpago, golpeando. Quando a lâmina de um azul gelado roçou as chamas, um grito agudo apunhalou os ouvidos de Sam, afiado como uma agulha. A ponta do archote caiu de lado e desapareceu sob um grande monte de neve, com o fogo extinto num instante. E tudo o que restou na mão de Grenn foi um pequeno pedaço de madeira. Atirou-o no Outro, praguejando, no momento em que Paul Pequeno avançava com seu machado.
O medo que então dominou Sam foi pior do que qualquer medo que já sentira, e Samwell Tarly conhecia todos os tipos de medo.
– Mãe, tenha piedade de mim – chorou, esquecendo os deuses antigos em seu terror. – Pai, proteja-me, oh, oh... – Os dedos encontraram o punhal e Sam encheu a mão com ele.
As criaturas tinham sido coisas lentas e desajeitadas, mas o Outro era ligeiro como neve no vento. Esquivou-se do machado de Paul, com a armadura ondulando, e sua espada de cristal torceu-se, girou e deslizou entre os anéis de ferro da cota de malha de Paul, através de couro e lã, de osso e carne. Saiu por suas costas com um ssssssssssssilvo e Sam ouviu Paul dizer “Oh” quando deixou cair o machado. Empalado, com o sangue fumegando em volta da espada, o grandalhão tentou agarrar seu assassino com as mãos e quase conseguiu antes de cair. Seu peso arrancou a estranha espada pálida das mãos do Outro.
Vá em frente agora. Pare de chorar e lute, seu bebê. Lute, covarde. Era o pai que ouvia, era Alliser Thorne, era o irmão Dickon e o garoto Rast. Covarde, covarde, covarde. Soltou um risinho histérico, perguntando a si mesmo se fariam dele uma criatura, uma criatura enormemente gorda sempre a tropeçar nos próprios pés mortos. Vá em frente, Sam. Aquele agora seria Jon? Jon estava morto. Consegue ir em frente, consegue, apenas vá em frente. E então viu-se tropeçando para a frente, realmente caindo mais do que correndo, fechando os olhos e projetando cegamente o punhal adiante, com ambas as mãos. Ouviu um crac, um som como aquele que o gelo faz quando se quebra sob os pés de um homem, e em seguida um guincho tão estridente e penetrante que cambaleou para trás com as mãos nos ouvidos, e estatelou-se sobre o traseiro.
Quando abriu os olhos, a armadura do Outro escorria por suas pernas em riachos, enquanto o sangue azul-claro silvava e fumegava em volta do punhal negro de vidro de dragão que trazia espetado na garganta. Estendeu duas mãos brancas como osso para arrancar a arma, mas onde os dedos tocavam a obsidiana fumegavam.
Sam rolou sobre o flanco, com olhos esbugalhados enquanto, o Outro minguava e se liquefazia, dissolvendo-se. Em vinte segundos, sua carne tinha desaparecido, afastando-se em redemoinhos de névoa branca. Por baixo, havia ossos parecidos com vidro leitoso, brancos e brilhantes, e também eles se derretiam. Por fim, só o punhal de vidro de dragão ficou, embrulhado em vapor, como se estivesse vivo e transpirando. Grenn dobrou-se para apanhá-lo, e atirou-o imediatamente no chão.