A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Gostaria de ouvi-la de você.
– Às suas ordens – disse Barba-Branca. – Quando criança, o Príncipe de Pedra do Dragão era extraordinariamente dado à leitura. Começou a ler tão cedo que os homens diziam que a Rainha Rhaella devia ter engolido alguns livros e uma vela enquanto ele estava em seu ventre. Rhaegar não tinha nenhum interesse pelas brincadeiras das outras crianças. Os meistres ficavam assombrados com sua inteligência, mas os cavaleiros do pai trocavam gracejos amargos sobre Baelor, o Abençoado, ter renascido. Até que um dia o Príncipe Rhaegar encontrou algo em seus pergaminhos que o mudou. Ninguém sabe o que pode ter sido, só se sabe que o garoto apareceu no pátio uma manhã, no momento em que os cavaleiros vestiam as armaduras. Foi direito a Sor Willem Darry, o mestre de armas, e disse: “Vou precisar de espada e armadura. Parece que tenho de ser um guerreiro.”
– E foi! – disse Dany, deliciada.
– Foi, realmente. – Barba-Branca fez uma reverência. – Meus perdões, Vossa Graça. Falamos de guerreiros e eu vejo que Belwas, o Forte, se levantou. Tenho de ir servi-lo.
Dany lançou um rápido olhar para a popa. O eunuco saía do porão no meio do navio, ágil, apesar de todo o seu tamanho. Belwas era atarracado mas largo, uns bons noventa e cinco quilos de gordura e músculo, com sua grande barriga marrom atravessada por cicatrizes brancas desvanecidas. Usava calças largas, uma faixa de seda amarela na cintura, e um colete de couro absurdamente minúsculo, decorado com rebites de ferro.
– Belwas, o Forte, tem fome! – rugiu para todos e para ninguém em especial. – Belwas, o Forte, quer comer, já! – Virando-se, viu Arstan no castelo de proa. – Barba-Branca! Vai trazer comida para Belwas, o Forte!
– Pode ir – disse Dany ao escudeiro. Ele fez outra reverência e afastou-se para satisfazer as necessidades do homem a quem servia.
Sor Jorah ficou observando-o com uma carranca em seu rosto franco e honesto. Mormont era grande e corpulento, com mandíbula forte e ombros largos. Não era, de modo algum, um homem bonito, mas era o amigo mais leal que Dany alguma vez tivera.
– Seria sensata se desse um bom desconto às palavras daquele velho – disse-lhe quando Barba-Branca se afastou o suficiente para não ouvi-los.
– Uma rainha deve escutar todos – lembrou-lhe Dany. – Os de nascimento alto e baixo, os fortes e os fracos, os nobres e os venais. Uma voz pode proferir falsidades, mas em muitas sempre é possível encontrar verdade. – Lera aquilo num livro.
– Escute então a minha voz, Vossa Graça – disse o exilado. – Esse Arstan Barba-Branca está levando a senhora ao engano. É velho demais para ser escudeiro, e fala bem demais para servir àquele eunuco idiota.
Isso realmente parece estranho, Dany teve de admitir. Belwas, o Forte, era um ex-escravo, criado e treinado nas arenas de luta de Meereen. O Magíster Illyrio enviara-o para protegê-la, ou pelo menos era isso que Belwas dizia, e era verdade que ela precisava de proteção. O Usurpador, em seu Trono de Ferro, oferecera terras e uma senhoria a qualquer homem que a matasse. Uma tentativa já tinha acontecido, com uma taça de vinho envenenado. Quanto mais perto chegasse de Westeros, mais provável se tornava outro ataque. Em Qarth, o mago Pyat Pree enviara um Homem Pesaroso em seu encalço para vingar os Imortais que ela queimara na sua Casa de Poeira. Os magos nunca esqueciam uma desfeita, dizia-se, e os Homens Pesarosos nunca falhavam uma morte. A maioria dos dothraki também estaria contra ela. Os kos de Khal Drogo lideravam agora khalasares seus, e nenhum hesitaria em atacar o pequeno bando de Dany assim que o visse, para matar e escravizar seu povo e arrastar a própria Dany para Vaes Dothrak, a fim de tomar o lugar que lhe era próprio entre as velhas mirradas do dosh khaleen. Ela esperava que Xaro Xhoan Daxos não fosse um inimigo, mas o mercador qarteno tinha cobiçado seus dragões. E havia ainda Quaithe da Sombra, essa mulher estranha com máscara de laca vermelha e todos os seus misteriosos conselhos. Seria também uma inimiga, ou apenas uma amiga perigosa? Dany não sabia dizer.
Sor Jorah salvou-me do envenenador, e Arstan Barba-Branca, da mantícora. Talvez Belwas, o Forte, me salve do próximo. Ele era suficientemente enorme, com braços semelhantes a pequenas árvores e um grande arakh curvo tão afiado que poderia ter se barbeado com ele, no improvável caso de nascerem pelos naquelas bochechas lisas e marrons. Mas também era infantil. Como protetor, deixa muito a desejar. Felizmente, tenho Sor Jorah e meus companheiros de sangue. E os meus dragões, não posso esquecer. A seu tempo, os dragões seriam seus guardiães mais poderosos, tal como tinham sido para Aegon, o Conquistador, e suas irmãs trezentos anos antes. Mas, por enquanto, traziam-lhe mais perigo do que proteção. No mundo inteiro não havia mais de três dragões vivos, e eles eram seus; uma maravilha e um terror. E não tinham preço.
Refletia sobre as palavras que diria em seguida quando sentiu um sopro frio na nuca, e uma madeixa solta de seus cabelos louro-prateados se agitou contra sua testa. Por cima, a vela rangeu e moveu-se, e de repente irrompeu um grande grito em todo o Balerion.
– Vento! – gritavam os marinheiros. – O vento voltou, o vento!
Dany olhou para cima, para onde as velas da grande coca ondulavam e se enfunavam enquanto as cordas vibravam, se retesavam e cantavam a doce canção de que tinham sentido tanta falta durante seis longos dias. O capitão Groleo correu para o fundo, gritando ordens. Os pentoshi, aqueles que não estavam soltando vivas, escalavam os mastros. Até Belwas, o Forte, soltou um grande urro e executou uma pequena dança.
– Os deuses são bons! – disse Dany. – Está vendo, Jorah? Vamos de novo a caminho.
– Sim – ele disse –, mas de quê, minha rainha?
O vento soprou durante todo o dia, a princípio constante e de leste, e depois em violentas rajadas. O sol pôs-se num deslumbramento vermelho. Ainda estou a meio mundo de distância de Westeros, lembrou Dany a si mesma, mas a cada hora me aproximo mais. Tentou imaginar como se sentiria quando vislumbrasse pela primeira vez a terra que nascera para governar. Será uma costa mais bela que qualquer outra que já tenha visto, eu sei. Como poderia ser de outro modo?
Mas mais tarde, nessa noite, enquanto o Balerion mergulhava adiante através da escuridão e Dany se sentava de pernas cruzadas em seu beliche na cabine do capitão, dando comida aos dragões (“Até no mar”, disse Groleo, tão atenciosamente, “as rainhas têm precedência sobre os capitães”), alguém bateu à porta com vivacidade.
Irri estava dormindo aos pés do beliche (era estreito demais para três, e naquela noite era a vez de Jhiqui dividir a macia cama de penas com a sua khaleesi), mas a aia ergueu-se ao ouvir o toque e dirigiu-se à porta. Dany puxou uma colcha para cima de si e prendeu-a debaixo dos braços. Estava nua, e não esperava um visitante àquela hora.
– Entre – disse, quando viu Sor Jorah à porta, sob uma lanterna oscilante.
O cavaleiro exilado abaixou a cabeça ao entrar.
– Vossa Graça, lamento perturbar seu sono.
– Não estava dormindo, sor. Entre e observe. – Tirou um pedaço de carne de porco salgada da tigela que tinha no colo e ergueu-o para os dragões verem. Todos os três o olharam com um ar faminto. Rhaegal estendeu asas verdes e agitou o ar, e o pescoço de Viserion balançou de um lado para o outro como uma longa serpente pálida, enquanto seguia o movimento de sua mão. – Drogon – disse Dany em voz baixa –, dracarys. – E atirou o pedaço de porco ao ar.
O movimento de Drogon foi mais rápido do que o ataque de uma cobra. Chamas saíram rugindo de sua boca, em laranja, escarlate e negro, torrando a carne antes que começasse a cair. Quando seus afiados dentes negros se fecharam em volta do naco, a cabeça de Rhaegal projetou-se para perto, como que para roubar a recompensa das mandíbulas do irmão, mas Drogon engoliu e guinchou, e o dragão verde, menor, só pôde silvar, frustrado.