A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Aquilo foi mais do que Sansa podia suportar.
– Robert, pare com isso.
Mas em vez de parar, ele voltou a balançar o boneco e trinta centímetros de muralha explodiram. Ela tentou agarrar a mão dele, mas só conseguiu pegar o boneco. Ouviu-se um sonoro ruído de rasgar quando o fino pano se abriu. De repente, ela tinha a cabeça do boneco, Robert tinha as pernas e o corpo, e o enchimento de trapos e serragem estava se derramando na neve.
A boca de Lorde Robert estremeceu.
– Você o matoooooooooou – berrou. Então desatou a tremer. Começou com um pequeno arrepio apenas, mas poucos segundos depois tinha caído sobre o castelo, agitando violentamente os membros. Torres brancas e pontes de neve estilhaçaram-se e caíram por todos os lados. Sansa ficou horrorizada, mas Petyr Baelish pegou nos pulsos do garoto e gritou pelo meistre.
Guardas e criadas chegaram instantes depois para ajudar a segurar Robert, e Meistre Colemon surgiu um pouco mais tarde. A doença dos tremores de Robert Arryn não era nada de novo para as pessoas do Ninho da Águia, e a Senhora Lysa treinara-os todos para virem correndo ao primeiro grito do rapaz. O meistre segurou a cabeça do pequeno lorde e deu-lhe meia taça de vinho dos sonhos, murmurando palavras tranquilizadoras. Lentamente, a violência do ataque pareceu reduzir-se, até nada restar além de um pequeno tremor nas mãos.
– Ajudem-no a subir aos meus aposentos – disse Colemon aos guardas. – Uma sangria ajudará a acalmá-lo.
– Foi culpa minha. – Sansa mostrou-lhes a cabeça do boneco. – Eu rasguei o boneco dele em dois. Não queria fazer isso, mas...
– Sua senhoria estava destruindo o castelo – disse Petyr.
– Um gigante – sussurrou o garoto, chorando. – Não fui eu, foi um gigante que fez mal ao castelo. Ela matou-o! Odeio-a! É uma bastarda e eu odeio-a! Não quero ser sangrado!
– Senhor, seu sangue precisa ser refinado – disse Meistre Colemon. – É o sangue ruim que o deixa zangado, e a raiva que traz os tremores. Agora venha.
E levaram o garoto. O senhor meu esposo, pensou Sansa, enquanto contemplava as ruínas de Winterfell. A neve tinha parado de cair, e fazia mais frio do que antes. Perguntou a si mesma se Lorde Robert passaria a boda toda tremendo. Pelo menos Joffrey era saudável de corpo. Uma raiva enlouquecida tomou conta dela. Pegou um galho partido e enfiou-o na cabeça rasgada do boneco, após o que a espetou no topo da destruída guarita de seu castelo de neve. Os criados pareceram ficar horrorizados, mas quando Mindinho viu o que ela tinha feito, riu.
– Se as histórias forem verdadeiras, esse não é o primeiro gigante cuja cabeça acabou nas muralhas de Winterfell.
– São só histórias – disse ela, e abandonou-o ali.
De volta ao seu quarto, Sansa despiu o manto e as botas úmidas e sentou-se junto da lareira. Não duvidava de que seria obrigada a responder pelo ataque de Lorde Robert. Talvez a Senhora Lysa me mande embora. A tia era rápida para banir quem quer que lhe desagradasse, e nada lhe desagradava mais do que aqueles que suspeitava de maltratarem seu filho.
Sansa teria acolhido de bom grado o banimento. Os Portões da Lua eram muito maiores do que o Ninho da Águia, e também mais animados. Lorde Nestor Royce parecia rude e severo, mas a filha Myranda governava o castelo em seu nome, e todos eram unânimes em dizer que era brincalhona. Até a suposta bastardia de Sansa poderia não contar muito contra si lá embaixo. Uma das filhas ilegítimas do Rei Robert estava a serviço de Lorde Nestor, e dizia-se que ela e a Senhora Myranda eram grandes amigas, tão próximas quanto irmãs.
Direi à minha tia que não quero me casar com Robert. Nem o próprio Alto Septão podia declarar uma mulher casada se ela se recusasse a proferir os votos. Não era uma pedinte, não importa o que a tia dissesse. Tinha treze anos, era uma mulher florescida e casada, a herdeira de Winterfell. Sansa às vezes sentia pena de seu pequeno primo, mas não era capaz de imaginar que algum dia desejasse ser sua esposa. Preferiria voltar a estar casada com Tyrion. Se a Senhora Lysa soubesse disso, certamente a mandaria para longe... para longe dos beicinhos, tremores e olhos lacrimejantes de Robert, para longe dos olhares demorados de Marillion, para longe dos beijos de Petyr. Vou contar para ela. Vou mesmo!
Foi ao fim da tarde que a Senhora Lysa mandou chamá-la. Sansa tinha passado o dia todo reunindo coragem, mas assim que Marillion surgiu à sua porta, todas as suas dúvidas regressaram.
– A Senhora Lysa requer a sua presença no Alto Salão. – Os olhos do cantor despiam-na enquanto falava, mas Sansa já tinha se habituado a isso.
Marillion era bonito, não havia como negar; jovial e esguio, com pele lisa, cabelos cor de areia, um sorriso encantador. Mas tornara-se bastante odiado no Vale, por todos exceto a tia e o pequeno Lorde Robert. Pelo que diziam as conversas dos criados, Sansa não era a primeira donzela a sofrer o seu assédio, e as outras não tinham tido Lothor Brune para defendê-las. Mas a Senhora Lysa não queria ouvir queixas contra ele. Desde que tinha chegado ao Ninho da Águia, o cantor tornou-se seu favorito. Cantava até que Lorde Robert adormecesse todas as noites, e torcia o nariz aos pretendentes da Senhora Lysa com versos que caçoavam de seus pontos fracos. A tia fez chover sobre ele ouro e presentes; roupas caras, um bracelete de ouro, um cinto incrustado de pedras de lua, um bom cavalo. Até lhe dera o falcão preferido do falecido marido. Tudo aquilo servia para tornar Marillion impecavelmente cortês na presença da Senhora Lysa, e impecavelmente arrogante longe dela.
– Obrigada – disse-lhe rigidamente Sansa. – Eu conheço o caminho.
Ele não quis ir embora.
– A senhora disse-me para levá-la.
Levar-me? Não gostou de como aquilo soava.
– Agora é um guarda? – Mindinho tinha demitido o capitão da guarda do Ninho da Águia e colocado Sor Lothor Brune em seu lugar.
– Precisa de guarda? – disse Marillion com ligeireza. – Devia saber que ando compondo uma nova canção. Uma canção tão doce e triste que derreterá até o seu coração gelado. Pretendo chamá-la de “A rosa da beira da estrada”. É sobre uma garota ilegítima tão bela que enfeitiçava todos os homens que pusessem os olhos nela.
Eu sou uma Stark de Winterfell, desejou dizer-lhe. Mas em vez disso assentiu e permitiu que a levasse ao longo da escada da torre e por uma ponte. O Alto Salão tinha estado fechado durante todo o tempo que passara no Ninho da Águia. Sansa perguntou a si mesma por que motivo a tia o teria aberto. Normalmente preferia o conforto de seu aposento privado, ou o calor aconchegante da sala de audiências de Lorde Arryn, com a sua vista sobre a queda d’água.
Dois guardas com manto azul-celeste flanqueavam as portas de madeira esculpida do Alto Salão, de lanças na mão.
– Ninguém deve entrar enquanto Alayne estiver com a Senhora Lysa – disse-lhes Marillion.
– Entendido.
Os homens deixaram-nos passar e em seguida cruzaram as lanças. Marillion fechou as portas e trancou-as com uma terceira lança, mais longa e mais grossa do que as que os guardas usavam.
Sansa sentiu uma pontada de desconforto.
– Por que fez isso?
– A senhora a espera.
Ela olhou em volta hesitantemente. A Senhora Lysa estava no estrado, sentada num cadeirão de espaldar alto feito de represeiro esculpido, sozinha. À sua direita encontrava-se um segundo cadeirão, mais alto do que o seu, com uma pilha de almofadas azuis sobre o assento, mas Lorde Robert não estava lá sentado. Sansa esperava que ele tivesse se recuperado. Mas não era provável que Marillion lhe dissesse.
Sansa percorreu o carpete de seda azul entre fileiras de pilares canelados esguios como lanças. O assoalho e as paredes do Alto Salão eram feitos de mármore de um branco leitoso, com veios azuis. Raios de pálida luz do sol caíam na diagonal, provenientes de estreitas janelas arqueadas abertas na parede oriental. Entre as janelas havia archotes, montados em altas arandelas de ferro, mas nenhum deles estava aceso. Seus passos caíam suavemente sobre o carpete. Lá fora, o vento soprava, frio e solitário.