A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Lorde Walder faria noventa e dois anos em breve. Seus ouvidos tinham começado a fraquejar, os olhos já quase não funcionavam, e a gota estava tão ruim que tinha de ser carregado para todo lado. Todos os filhos concordavam que não era possível que durasse muito mais tempo. E quando ele se for, tudo mudará, e não para melhor. O pai era queixoso e teimoso, com uma vontade de ferro e uma língua viperina, mas acreditava em cuidar dos seus. De todos os seus, mesmo daqueles que lhe desagradaram e o desapontaram. Até daqueles de cujo nome não se lembra. Mas quando ele se fosse...
Quando Sor Stevron era o herdeiro, tudo era diferente. O velho passara sessenta anos treinando Stevron, e enfiou na cabeça dele que sangue era sangue. Mas Stevron tinha morrido em campanha com o Jovem Lobo no oeste – “da espera, sem dúvida”, gracejou Lothar Coxo quando o corvo lhes trouxe a notícia –, e seus filhos e netos eram uma espécie diferente de Frey. Agora o herdeiro era o filho de Stevron, Sor Ryman; um homem obtuso, teimoso e ganancioso. E depois de Ryman vinham os filhos, Edwyn e Walder Negro, que eram ainda piores.
– Felizmente – disse uma vez Lothar Coxo – odeiam-se ainda mais um ao outro do que nos odeiam.
Merrett não tinha certeza de que isso fosse auspicioso, e, já agora, o próprio Lothar podia ser mais perigoso do que qualquer dos outros dois. Lorde Walder tinha ordenado o massacre dos Stark no casamento de Roslin, mas foi Lothar Coxo quem o planejou com Roose Bolton, até o ponto de escolher que canções seriam tocadas. Lothar era um tipo muito divertido para uma bebedeira em conjunto, mas Merrett nunca seria tolo o suficiente para lhe virar as costas. Nas Gêmeas aprendia-se bem cedo que só se podia confiar nos irmãos de pai e mãe, e mesmo nesses não até muito longe.
Era provável que quando o velho morresse fosse cada filho por si, e cada filha também. O novo Senhor da Travessia manteria nas Gêmeas, sem dúvida, alguns de seus tios, sobrinhos e primos, aqueles de que gostasse ou em quem confiasse, ou, o que era mais provável, aqueles que achasse que lhe seriam úteis. O resto de nós será posto para fora, para nos virarmos sozinhos.
A perspectiva preocupava Merrett mais do que as palavras podiam exprimir. Faria quarenta anos dentro de menos de três, era velho demais para adotar a vida de cavaleiro andante... mesmo se fosse um cavaleiro, o que no caso não era. Não possuía terras nem riquezas que fossem suas. Possuía as roupas que trazia no corpo mas não muito mais, nem mesmo o cavalo que montava. Não era suficientemente inteligente para ser um meistre, não era suficientemente piedoso para septão ou selvagem o bastante para mercenário. Os deuses não me deram nenhum dom além do nascimento, e mesmo aí limitaram-me. De que servia ser filho de uma Casa rica e poderosa, quando se era o nono filho? Quando se levava em conta os netos e bisnetos, Merrett tinha mais chances de ser escolhido Alto Septão do que de herdar as Gêmeas.
Não tenho sorte nenhuma, pensou amargamente. Nunca tive nenhuma maldita sorte. Era um homem grande, largo de peito e ombros, apesar da altura mediana. Ao longo dos últimos dez anos tornara-se mole e carnudo, bem sabia, mas quando era mais novo, Merrett tinha sido quase tão robusto quanto Sor Hosteen, seu irmão de pai e mãe mais velho, que era habitualmente considerado o mais forte dos filhos de Lorde Walder Frey. Quando garoto, tinha sido enviado para Crakehall, a fim de servir a família da mãe como pajem. Quando o velho Lorde Sumner fez dele escudeiro, todos assumiram que se tornaria Sor Merrett em não mais do que alguns anos, mas os fora da lei da Irmandade da Mata de Rei tinham cagado nesses planos. Enquanto seu colega escudeiro Jaime Lannister se cobria de glória, Merrett começou por pegar uma gonorreia de uma seguidora de acampamentos e depois conseguiu ser capturado por uma mulher, aquela que chamavam de Cerva Branca. Lorde Sumner resgatou-o dos fora da lei, mas na batalha seguinte foi derrubado com um golpe de maça que lhe quebrou o elmo e o deixou sem sentidos durante uma quinzena. Disseram-lhe mais tarde que todos julgaram que morreria.
Merrett não tinha morrido, mas seus dias de luta tinham terminado. Até a mais leve pancada na cabeça lhe causava uma dor que o cegava e o reduzia às lágrimas. Sob tais circunstâncias, a cavalaria estava fora de questão, disse-lhe Lorde Sumner, não sem gentileza. Foi enviado de volta às Gêmeas para enfrentar o venenoso desdém de Lorde Walder.
Depois disso a sorte de Merrett só piorou. O pai tinha conseguido de algum modo arranjar-lhe um bom casamento; casou-se com uma das filhas de Lorde Darry, na época em que os Darry ainda se mantinham numa posição elevada nos favores do Rei Aerys. Mas pareceu que assim que deflorou a sua noiva, Aerys perdeu o trono. Ao contrário dos Frey, os Darry tinham sido proeminentes lealistas Targaryen, o que lhes custou metade das terras, a maior parte da fortuna e quase todo o poder. E quanto à senhora sua esposa, achara-o uma grande desilusão desde o primeiro momento e insistiu em levar anos pondo no mundo nada mais do que meninas: três vivas, uma natimorta e outra que morreu na infância, antes de finalmente gerar um filho. A filha mais velha revelou-se uma devassa; a segunda, uma glutona. Quando Ami foi pega nos estábulos com nada menos do que três palafreneiros, foi forçado a casá-la com um maldito cavaleiro andante. Essa situação não podia se tornar pior, tinha pensado... até Sor Pate decidir que poderia ganhar renome derrotando Sor Gregor Clegane. Ami voltou correndo, transformada em viúva, para consternação de Merrett e indubitável deleite de todos os cavalariços das Gêmeas.
Merrett atreveu-se a esperar que a sua sorte estivesse finalmente mudando quando Roose Bolton escolheu casar-se com a sua Walda, em vez de alguma de suas primas mais magras e mais agradáveis à vista. A aliança Bolton era importante para a Casa Frey e a filha ajudara a garanti-la; tinha achado que aquilo certamente contaria para alguma coisa. O velho rapidamente o desenganou.
– Ele escolheu-a porque é gorda – disse Lorde Walder. – Pensa que o Bolton não esteve se cagando para o fato de ser cria sua? Acha que ele se sentou para pensar: “Heh, Merrett Cabeça de Carneiro, é esse mesmo o homem de que preciso para meu sogro? Sua Walda é uma porca vestida de seda, foi por isso que ele a escolheu, e eu não vou lhe agradecer por isso. Teríamos obtido a mesma aliança por metade do preço, se a sua porquinha largasse a colher de vez em quando.”
A humilhação final foi entregue com um sorriso, quando Lothar Coxo o chamou para discutir o seu papel no casamento de Roslin.
– Todos temos de desempenhar o nosso papel, de acordo com os nossos dons – tinha dito o meio-irmão. – Você terá uma tarefa e só uma, Merrett, mas creio que está habilitado para ela. Quero que se assegure de que o Grande-Jon Umber fique tão bêbado que quase não consiga manter-se em pé, quanto mais lutar.
E mesmo nisso falhei. Levou o enorme nortenho a beber vinho suficiente para matar três homens normais, mas depois de Roslin ter sido levada para a cama, o Grande-Jon ainda conseguiu tirar a espada do primeiro homem que o abordou, quebrando o braço dele ao fazê-lo. Tinham sido precisos oito homens para acorrentá-lo, e o esforço deixou dois homens feridos, um morto e o pobre e velho Sor Leslyn Haigh com uma orelha a menos. Quando deixou de conseguir lutar com as mãos, Umber lutou com os dentes.
Merrett fez um momento de pausa e fechou os olhos. Sua cabeça latejava como aquele maldito tambor que havia sido tocado no casamento, e durante um momento foi com dificuldade que conseguiu se manter na sela. Tenho de continuar, disse a si mesmo. Se pudesse trazer de volta o Petyr Espinha, isso certamente o poria nas boas graças de Sor Ryman. Petyr podia ser um ramo do lado sem sol, mas não era tão frio quanto Edwyn nem tão quente quanto o Walder Negro. O rapaz ficará grato por meu papel, e o seu pai verá que sou leal, um homem que vale a pena ter por perto.