A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
E durante todo o tempo a neve não parou de cair, empilhando-se em montículos em volta de seus edifícios tão depressa quanto ela os erguia. Estava compactando o telhado do Grande Salão quando ouviu uma voz, e ergueu os olhos para se deparar com a aia chamando-a da janela e perguntando se estava bem, se desejava quebrar o jejum. Sansa balançou a cabeça e voltou à escultura de neve, acrescentando uma chaminé a uma das pontas do Grande Salão, no local onde a lareira estaria lá dentro.
A alvorada esgueirou-se para o jardim como uma ladra. O cinza do céu ficou ainda mais claro, e as árvores e os arbustos tomaram um tom de verde-escuro sob suas estolas de neve. Alguns criados saíram e observaram-na durante algum tempo, mas não prestou atenção neles, e eles rapidamente voltaram para dentro, para onde fazia mais calor. Sansa viu a Senhora Lysa olhá-la de sua varanda, enrolada num roupão de veludo azul debruado de pele de raposa, mas quando voltou a olhar a tia tinha desaparecido. Meistre Colemon esticou a cabeça da colônia de corvos e espreitou para baixo durante algum tempo, magricelo e tremendo, mas curioso.
As pontes não paravam de ruir. Havia uma ponte coberta entre o arsenal e a fortaleza principal, e outra que ligava o quarto andar da torre sineira ao segundo andar da colônia de corvos, mas por mais cuidadosa que fosse ao esculpi-las, elas não resistiam. Na terceira vez que uma delas ruiu, soltou uma praga em voz alta e sentou-se, numa frustração impotente.
– Comprima a neve em volta de uma vareta, Sansa.
Não sabia havia quanto tempo ele estava a observá-la, ou quando tinha voltado do Vale.
– Uma vareta? – perguntou.
– Isso vai lhe dar suficiente resistência para se manter, creio eu – disse Petyr. – Posso entrar em seu castelo, senhora?
Sansa estava desconfiada.
– Não o quebre. Seja...
– ... gentil? – ele sorriu. – Winterfell resistiu a inimigos mais ferozes do que eu. Isto é Winterfell, não é?
– Sim – admitiu Sansa.
Ele caminhou ao longo do exterior das muralhas.
– Costumava sonhar com ele, naqueles anos que se seguiram a Cat ter ido para o Norte com Eddard Stark. Em meus sonhos era sempre um lugar escuro e frio.
– Não. Sempre foi quente, mesmo quando nevava. Água das nascentes termais é canalizada através das paredes para aquecê-las, e dentro dos jardins de vidro era sempre como o mais quente dia de verão. – Levantou-se, erguendo-se acima do grande castelo branco. – Não consigo imaginar como fazer o telhado de vidro por cima dos jardins.
Mindinho afagou o queixo, onde tinha a barba antes de Lysa lhe pedir para raspá-la.
– O vidro estava preso em molduras, não estava? Sua resposta são gravetos. Tire a casca deles e cruze-os, e use casca de árvore para atá-los uns aos outros e formar molduras. Eu mostro. – Deslocou-se pelo jardim, recolhendo paus e gravetos e sacudindo a neve deles. Quando obteve o suficiente, passou por cima de ambas as muralhas com um longo passo e agachou-se no meio do pátio. Sansa aproximou-se para ver o que ele estava fazendo. As mãos de Petyr eram hábeis e seguras, e não muito depois tinha uma treliça de gravetos, muito parecida com aquela que servia de telhado aos jardins de vidro de Winterfell. – Vamos ter de imaginar o vidro, certamente – disse quando lhe entregou.
– Isto é perfeito – disse Sansa.
Ele tocou o rosto dela.
– E isto também.
Sansa não compreendeu.
– Isto o quê?
– O seu sorriso, senhora. Faço-lhe outro?
– Se quiser.
– Nada me agradaria mais.
Ela ergueu as paredes dos jardins de vidro enquanto Mindinho os cobria, e quando terminaram essa tarefa, ele ajudou-a a prolongar as muralhas e a construir o edifício dos guardas. Quando usou varetas para as pontes cobertas, elas resistiram, tal como ele havia dito que resistiriam. A Primeira Fortaleza era bastante simples, uma antiga torre redonda e atarracada, mas Sansa voltou a ficar sem saber o que fazer quando chegou a hora de pôr as gárgulas ao longo do topo. De novo, ele tinha a solução.
– Tem estado nevando em seu castelo, senhora – destacou. – Com que se parecem as gárgulas quando estão cobertas de neve?
Sansa fechou os olhos para vê-las em sua memória.
– São só protuberâncias brancas.
– Muito bem. Gárgulas são difíceis, mas protuberâncias brancas devem ser fáceis. – E eram.
A Torre Quebrada foi ainda mais simples. Fizeram juntos uma torre alta, ajoelhando-se lado a lado para rolá-la até ficar lisa, e quando a ergueram, Sansa enfiou os dedos no topo, agarrou um punhado de neve e atirou em cheio no rosto dele. Petyr soltou um ganido quando a neve se enfiou em seu colarinho.
– Isso não foi nada cavalheiresco, senhora.
– Tal como não o foi trazer-me para cá, quando jurou que me levaria para casa.
Perguntou a si mesma de onde teria vindo a coragem, para lhe falar com tanta franqueza. De Winterfell, pensou. Sou mais forte dentro das muralhas de Winterfell.
O rosto dele ficou sério.
– Sim, enganei-a sobre isso... e sobre outra coisa também.
Sansa sentiu o estômago se agitando.
– Que outra coisa?
– Disse-lhe que nada me agradaria mais do que ajudá-la com o seu castelo. Temo que também tenha sido uma mentira. Há outra coisa que me agradaria mais. – Aproximou-se. – Isto.
Sansa tentou se afastar, mas ele puxou-a para si e de repente a estava beijando. Debilmente, tentou contorcer-se, mas só conseguiu apertar-se mais contra ele. A boca dele estava sobre a sua, engolindo suas palavras. Mindinho tinha gosto de menta. Durante meio segundo, Sansa cedeu ao seu beijo... antes de virar o rosto para o lado e se arrancar de seu abraço.
– O que está fazendo?
Petyr endireitou o manto.
– Estou beijando uma donzela de neve.
– É suposto que beije a ela. – Sansa olhou de relance para a varanda de Lysa, mas estava agora vazia. – A senhora sua esposa.
– E beijo. Lysa não tem razões de queixa. – Sorriu. – Gostaria que pudesse se ver, senhora. É tão bela. Está coberta de neve como uma pequena cria de urso, mas o rosto está corado e quase não consegue respirar. Há quanto tempo está aqui? Deve estar com muito frio. Deixe-me aquecê-la, Sansa. Tire as luvas, dê-me as suas mãos.
– Não dou. – Ele soava quase como Marillion, na noite em que o cantor se embebedara durante o casamento. Porém, dessa vez Lothor Brune não surgiria para salvá-la; Sor Lothor era um homem de Petyr. – Não devia ter me beijado. Eu poderia ser sua filha...
– Poderia – admitiu ele, com um sorriso triste. – Mas não é, certo? É filha de Eddard Stark e de Cat. Mas acho que talvez seja ainda mais bela do que a sua mãe, quando tinha a sua idade.
– Petyr, por favor. – A voz soava tão fraca. – Por favor...
– Um castelo!
A voz era sonora, estridente e infantil. Mindinho virou-se.
– Lorde Robert. – Esboçou uma reverência. – Devia estar na neve sem as suas luvas?
– Foi você que fez o castelo de neve, Lorde Mindinho?
– A Alayne fez a maior parte, senhor.
Sansa disse.
– Era para ser Winterfell.
– Winterfell? – Robert era pequeno para oito anos, um espeto de menino com pele manchada e olhos que estavam sempre lacrimejando. Debaixo de um braço trazia o puído boneco de pano que levava para todo lado.
– Winterfell é a sede da Casa Stark – disse Sansa ao seu futuro marido. – O grande castelo do Norte.
– Não é assim tão grande. – O menino ajoelhou perante a guarita. – Olhe, aqui vem um gigante para botá-lo abaixo. – Pôs o boneco em pé na neve e moveu-o aos trancos. – Tumba-tumba, sou um gigante, sou um gigante – cantarolou. – Ho-ho-ho, abra os portões, senão trituro-os e esmago-os. – Balançando o boneco pelas pernas, derrubou o topo de uma das torres da guarita e depois a outra.