Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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– Que marcas são essas? – ele perguntou. – Podem ter alguma relação com o crime?
O braço direito do morto estava para fora do roupão, exposto até o cotovelo. Na metade do antebraço havia um curioso desenho marrom, um triângulo dentro de um círculo, destacando-se de modo vivo na pele pálida do cadáver.
– Não é tatuagem – disse o médico, examinando com sua lente. Nunca vi nada igual. Ele é marcado a ferro, como se faz com o gado. O que significa isso?
– Admito que não sei dizer – respondeu Cecil Barker – mas já vi essa marca em Douglas certa vez nos últimos dez anos.
– Eu também – disse o mordomo. – Muitas vezes quando o senhor arregaçava a manga eu percebia essa marca. Sempre fiquei imaginando o que poderia ser.
– Então isso não tem nada a ver com o crime – disse o sargento. – Mesmo assim é muito estranho. Tudo neste caso é estranho. Sim, o que é isso agora?
O mordomo soltara um grito de espanto, e estava apontando para a mão estendida do morto.
– Levaram a aliança dele! – ele disse, ofegante.
– O quê!
– Sim, é verdade! O patrão sempre usava a aliança de ouro maciço no dedo mínimo da mão esquerda. Aquele anel de pedra ficava sobre ela, e o anel com a cobra enrolada, no terceiro dedo. O anel de pedra e o da cobra estão aí, mas a aliança desapareceu.
– Ele tem razão – disse Barker.
– O senhor disse – perguntou o sargento – que o anel de pedra ficava sobre a aliança?
– Sempre!
– Então o assassino, ou quem quer que tenha sido, primeiro tirou este anel que o senhor chama de anel de pedra, depois a aliança, e por fim pôs o anel de pedra no lugar outra vez.
– Exatamente.
O policial sacudiu a cabeça.
– Acho que quanto antes chamarmos Londres para cuidar do caso, melhor – disse ele. – White Mason é um homem esperto. Jamais deixou de resolver sozinho um caso local. Não vai demorar muito para que ele chegue e nos ajude. Mas acho que teremos de chamar Londres. De qualquer modo, não me envergonho de dizer que isso é demais para o meu gosto.
Trevas
Às três da madrugada, o detetive-chefe de Sussex, atendendo ao chamado urgente do sargento Wilson, de Birlstone, chegara à mansão numa pequena carruagem puxada por um cavalo resfolegante. Pelo trem das 5:40h da manhã ele enviara sua mensagem à Scotland Yard e ao meio-dia estava na estação ferroviária de Birlstone esperando por nós. O sr. White Mason era um homem tranqüilo, bem-apessoado, que usava um terno largo de tweed; tinha o rosto corado bem barbeado, o físico robusto, as pernas musculosas muito ágeis e enfiadas em polainas, parecendo um fazendeiro, um guarda-caça aposentado ou qualquer outra coisa, menos um destacado policial de província.
– Temos aí um caso dos grandes, sr. MacDonald – ele ficou repetindo. – Os jornalistas vão ficar em cima de nós feito moscas quando descobrirem isso. Espero que possamos terminar nosso trabalho antes que eles metam o nariz na história e atrapalhem
nossas pistas. Não me lembro de nada parecido com esse caso. Há coisas que vão lhe interessar, sr. Holmes, tenho certeza. E ao senhor também, dr. Watson, porque os médicos darão sua palavra antes de terminarmos. Os senhores ficarão no Westville Arms. Não há outro lugar, mas ouvi dizer que é muito limpo e confortável. O rapaz levará suas bagagens. Por aqui, cavalheiros, por favor.
Um sujeito muito ágil e delicado, esse detetive de Sussex. Em dez minutos todos nós tínhamos nos instalado em nossos quartos. Dez minutos depois já estávamos sentados na sala de estar da hospedaria e ouvíamos um resumo dos fatos que foram mencionados no capítulo anterior. MacDonald de vez em quando fazia uma anotação, enquanto Holmes estava atento, com a expressão de surpresa e admiração reverente com que o botânico examina uma flor rara e preciosa.
– Notável! – ele disse quando a história terminou. – Notável mesmo! Não consigo me lembrar de nenhum caso em que as características fossem mais estranhas.
– Achei mesmo que o senhor iria dizer isso, sr. Holmes – comentou White Mason com satisfação. – Estamos bem avançados em Sussex. Contei-lhes os fatos até a hora em que assumi o controle, depois do sargento Wilson, entre três e quatro horas. Na verdade, fiz a coisa evoluir um pouco! Mas eu não precisava ter vindo com tanta pressa, pois não havia nada de imediato que eu pudesse fazer. O sargento Wilson tinha apurado os fatos. Eu verifiquei tudo, avaliei bem e acrescentaria alguma coisa.
– E o que seria? – Holmes perguntou, ansioso.
– Bem, em primeiro lugar, examinei o martelo. O dr. Wood estava lá para me ajudar. Não encontramos marcas de violência nele. Pensei que se o sr. Douglas tivesse se defendido com o martelo, poderia ter feito marcas no assassino antes de deixá-lo no tapete. Mas não havia mancha alguma.
– Isso, na verdade, não prova nada – observou o inspetor MacDonald. – Já houve muitos assassinatos com martelo sem haver marcas no martelo.
– Exatamente. Não prova que ele não tenha sido usado. Mas poderia haver manchas, e isso nos teria ajudado. Na verdade, não havia nada. Então examinei a arma. Eram cartuchos de chumbo grosso e, como observou o sargento Wilson, os gatilhos estavam amarrados um no outro de modo que, puxando-se a ponta de um, os dois canos disparavam. Quem preparou isso estava decidido a não deixar a vítima com vida. O cano serrado não tinha mais de 60 centímetros de comprimento; a arma podia ser facilmente escondida debaixo de um casaco. Não havia o nome completo do fabricante, mas as letras “PEN” impressas entre os dois canos e o resto do nome cortado pela serra.
– Um “P” grande, floreado em cima, o “E” e o “N” menores? – Holmes perguntou.
– Exatamente.
– Pennsylvania Small Arms Company. É uma firma americana muito conhecida – disse Holmes.
White Mason olhou para o meu amigo do mesmo jeito como o clínico geral de um vilarejo contempla o especialista da Harley Street que, apenas com uma palavra, pode resolver as dificuldades que o deixam perplexo.
– Isso é muito útil, sr. Holmes. Não há dúvida de que o senhor está certo. Maravilhoso. Maravilhoso! O senhor sabe o nome de todos os fabricantes de armas do mundo de cor?
Holmes cortou o assunto abanando a cabeça.
– Não há dúvida de que é uma espingarda americana – continuou White Mason. – Acho que eu li alguma coisa dizendo que a espingarda de cano serrado é a arma usada em algumas regiões da América. Fora o nome inscrito no cano, essa idéia tinha me ocorrido. Há um indício, então, de que o homem que entrou na casa e matou seu proprietário seja americano.
MacDonald sacudiu a cabeça.
– Espere, o senhor está se adiantando muito – ele disse. – Ainda não vi nenhuma prova de que um estranho tivesse entrado na casa.
– A janela aberta, o sangue no peitoril, o estranho cartão, marcas de sapato no canto do quarto, a arma.
– Nada que não pudesse ter sido forjado. Douglas era americano, ou morou muito tempo na América. O sr. Barker também. Não é preciso importar um americano para ter procedimentos americanos.
– Ames, o mordomo...
– O que tem ele? É de confiança?
– Dez anos com o sr. Charles Chandos. Íntegro como uma rocha. Estava com Douglas desde que ele comprou a Casa Senhorial, há cinco anos. Ele nunca vira uma arma desse tipo na casa.
– A arma foi feita para ficar escondida. Por isso os canos foram serrados. Caberia em qualquer caixa. Como ele poderia afirmar que não havia uma arma assim na casa?
– Bem, de qualquer modo, ele jamais tinha visto algo assim.
MacDonald abanou sua obstinada cabeça escocesa.
– Ainda não estou convencido de que alguém tenha entrado na casa – disse ele. – Peço aos senhores que analisem – seu sotaque de Aberdeen tornara-se mais acentuado ao expor seu argumento. – Peço aos senhores que analisem o que significa supor que a arma não estava na casa e que todas essas coisas estranhas tenham sido praticadas por alguém de fora. Ora, é inconcebível! Não faz sentido. Gostaria de ouvi-lo, sr. Holmes, baseado no que foi dito até aqui.