Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
A aldeia de Birlstone é uma pequena e antiga povoação de casas construídas de madeira e alvenaria na parte norte do Condado de Sussex. Durante muitos séculos o lugar permaneceu imutável, mas nos últimos anos seu jeito pitoresco e sua localização têm atraído um grande número de moradores ricos, cujas vilas se perdem nos bosques das cercanias. Acredita-se, no lugar, que esses bosques sejam o início da imensa floresta de Weald, que se estende até alcançar as planícies do norte da Inglaterra. Surgiram várias lojas para atender às necessidades da população, agora
maior, de modo que se espera que em pouco tempo Birlstone se transforme de um antigo vilarejo em uma cidade moderna. Ali é o centro de uma área grande do país, já que Tunbridge Wells, o mais importante da região, fica a 15 ou 20 quilômetros para leste, além dos limites de Kent.
A cerca de 800 metros da cidade, num antigo parque, famoso por suas grandes faias, situa-se a antiga Casa Senhorial de Birlstone. Parte desta venerável construção remonta ao tempo das Cruzadas, quando Hugo de Capus construiu uma fortaleza no meio da propriedade, que lhe fora dada pelo Rei Vermelho. Ela foi destruída por um incêndio em 1543 e algumas das suas pedras angulares, marcadas pelo fogo, foram utilizadas, no reinado de James I, para a construção de uma casa erguida sobre as ruínas do castelo feudal. A Casa Senhorial, com suas muitas arestas e suas janelas pequenas em forma de diamante, ainda estava em grande parte do modo como o construtor a entregara no início do século XVII. Dos dois fossos que haviam protegido os antecessores mais guerreiros, o externo estava vazio e tinha agora a humilde função de pátio da cozinha. O fosso interno ainda estava lá, com seus 12 metros de largura, embora tivesse agora apenas alguns metros de água em toda a volta da casa. Uma pequena corrente o abastecia e continuava depois dele, de modo que, embora ele fosse turvo, sua água não ficava estagnada. O único acesso à casa era através de uma ponte levadiça, cujas correntes e guinchos há muito tinham se enferrujado e quebrado. Mas os últimos proprietários da casa tinham, com uma energia elogiável, feito os reparos necessários e a ponte levadiça era capaz não apenas de se erguer, mas, de fato, era suspensa toda noite e baixada pela manhã. Assim, retomando o costume dos antigos tempos feudais, a Casa Senhorial era convertida numa ilha durante a noite – um fato que tinha uma relação muito direta com o mistério que em breve chamaria a atenção de toda a Inglaterra.
A casa ficou sem dono durante alguns anos e estava ameaçada de se transformar numa pitoresca decadência quando os Douglas ficaram com ela. Essa família era formada apenas por duas pessoas: John Douglas e sua esposa. Douglas era um homem notável, tanto pelo caráter como pelo físico; sua idade deveria estar em torno dos 50, com o rosto de traços firmes, um bigode grisalho, os olhos cinzentos com uma expressão particularmente triste e um corpo musculoso e forte que não perdera nada dos tempos de juventude. Ele era alegre e gentil com todos, mas um tanto brusco em seus modos, dando a impressão de que fora criado numa camada social um pouco inferior à da sociedade de Sussex. Contudo, embora visto com alguma reserva e curiosidade por seus vizinhos mais refinados, em pouco tempo adquiriu uma grande popularidade entre os habitantes do lugar, contribuindo de modo generoso para qualquer campanha e comparecendo aos concertos populares e a outros eventos, onde, sendo um notável tenor, estava sempre disposto a cantar alguma coisa. Ele parecia ter muito dinheiro, que, segundo se dizia, ganhara nos garimpos de ouro da Califórnia, e ficava patente, pelo que ele e a mulher diziam, que passara uma parte da vida na América. A boa impressão produzida por sua generosidade e por seus modos democráticos aumentou pela forma de total indiferença ao perigo. Embora fraco como cavaleiro, comparecia a todos os rodeios e levava os tombos mais divertidos com sua determinação de conseguir o melhor de si. Quando o vicariato pegou fogo, ele se distinguiu também pelo modo destemido como entrou no prédio várias vezes para salvar alguns pertences, depois que os bombeiros locais já tinham dado o caso por encerrado, qualificando-o de impossível. Assim, John Douglas, da Casa Senhorial, em cinco anos tinha uma boa reputação em Birlstone.
Sua esposa também era popular entre as pessoas com as quais se dava, embora, segundo o costume inglês, as visitas a estrangeiros que chegassem sem apresentações fossem raras. Isso não importava muito a ela, já que escolhera aquele vilarejo por vontade própria e estava muito absorvida, segundo as aparências, no marido e na vida doméstica. Sabia-se que ela era uma dama inglesa que conhecera o sr. Douglas em Londres, que era viúvo naquele tempo. Ela era uma mulher linda, alta, morena e elegante, cerca de 20 anos mais jovem que o marido; uma diferença que não parecia estragar a alegria da vida conjugal. Mas as pessoas que os conheciam melhor observaram algumas vezes que a confiança entre ambos não parecia completa, já que a esposa era muito reticente sobre o passado do marido ou, o que era mais provável, não o conhecia a fundo. Algumas pessoas mais observadoras já haviam percebido e comentado que a sra. Douglas tinha alguns sinais de doença nervosa e que demonstrava uma grande inquietação se o marido demorasse a voltar para casa. Num lugarejo calmo, onde qualquer mexerico é bem-vindo, essa fraqueza da senhora da Casa Senhorial não passou despercebida e tornou-se mais viva ainda na memória de todos quando ocorreram certos fatos que deram a esse comportamento um significado especial.
Havia ainda uma outra pessoa que morava naquela casa, embora não em caráter permanente, mas cuja presença ali na época dos estranhos acontecimentos que serão narrados trouxe seu nome a público de forma muito notória. Era Cecil James Barker, de Hales Lodge, Hampstead. A sua figura alta e meio desconjuntada já era conhecida na rua principal de Birlstone, porque ele era um visitante freqüente e bem-vindo na Casa Senhorial. Ele era mais notado ainda por ser o único amigo do passado desconhecido do sr. Douglas a freqüentar sua nova casa inglesa. Barker era sem dúvida alguma um inglês, mas por certas observações suas ficava claro que conhecera Douglas na América e que ali tinham sido amigos íntimos. Ele parecia ser um homem rico, e diziam que era solteiro. Em termos de idade, era mais moço que Douglas, no máximo 45 anos; alto, elegante e de peito largo, o rosto bem barbeado e com um certo ar de pugilista, sobrancelhas grossas e pretas, e olhos negros dominadores que poderiam, mesmo sem a ajuda das mãos fortes, abrir caminho no meio de uma multidão hostil. Ele não montava a cavalo nem caçava, mas passava os dias caminhando pelo velho vilarejo com o cachimbo na boca, ou andando de charrete com seu anfitrião, ou, na ausência deste, com a esposa dele, percorrendo toda aquela linda região. “Um cavalheiro tranqüilo, generoso”, dizia Ames, o mordomo. “Mas eu não gostaria de ter que enfrentá-lo.” Ele era cordial e íntimo com Douglas e não menos cordial com sua esposa, uma amizade que por mais de uma vez pareceu provocar certa irritação no marido, de tal modo que até mesmo os empregados podiam perceber a irritação dele. Esta era a terceira pessoa que estava na família quando a catástrofe ocorreu. Quanto aos demais residentes da velha casa, basta citar, entre a criadagem, o empertigado, respeitável, capaz Ames, e a sra. Allen, uma pessoa alegre e jovial que ajudava a senhora em algumas tarefas domésticas. Os outros seis empregados da casa não têm qualquer relação com os acontecimentos de 6 de janeiro.
Foi às 23:45h que o primeiro alarme chegou à pequena delegacia de polícia local, sob o comando do sargento Wilson, do destacamento de Sussex. O sr. Cecil Barker, muito excitado, correra até a porta e tocara o sino violentamente. Uma terrível tragédia ocorrera na Casa Senhorial, e o sr. John Douglas tinha sido assassinado. Esse era o conteúdo de sua mensagem aflita. Ele voltara correndo para a casa, seguido logo depois pelo sargento, que chegara ao local do crime um pouco depois da meia-noite, após tomar as providências necessárias para avisar às autoridades do Condado que algo de grave estava ocorrendo.