A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
“Também plantei a ideia de Sor Loras vestir o branco. Não que o tenha sugerido, isso teria sido rude demais. Mas homens em minha comitiva disseminaram medonhas histórias sobre o modo como o povo tinha matado Sor Preston Greenfield e violado a Senhora Lollys, e fiz chegar algumas moedas de prata ao exército de cantores de Lorde Tyrell para que cantassem sobre Ryam Redwyne, Serwyn do Escudo Espelhado e Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão. Uma harpa pode ser tão perigosa como uma espada, nas mãos certas.
“Mace Tyrell pensou mesmo que era sua a ideia de fazer a inclusão de Sor Loras na Guarda Real parte do contrato de casamento. Quem melhor para proteger a filha do que o seu magnífico irmão cavaleiro? E aliviou-o da difícil tarefa de tentar encontrar terras e uma noiva para um terceiro filho, o que nunca é fácil, e se torna duplamente difícil no caso de Sor Loras.
“Mas, seja como for, a Senhora Olenna não estava disposta a permitir que Joff fizesse mal à sua preciosa e querida neta, mas ao contrário do filho também compreendeu que, sob as suas flores e trajes finos, Sor Loras é tão temperamental quanto Jaime Lannister. Atire Joffrey, Margaery e Loras numa panela, e tem os ingredientes para um guisado de regicida. A velha compreendeu também outra coisa. O filho estava decidido a fazer de Margaery uma rainha, e para isso precisava de um rei... mas não precisava de Joffrey. Teremos em breve outro casamento, espere e verá. Margaery casará com Tommen. Manterá a sua coroa de rainha e a sua virgindade, nenhuma das quais deseja em especial, mas que importa isso? A grande aliança ocidental será preservada... pelo menos por algum tempo.”
Margaery e Tommen. Sansa não sabia o que dizer. Gostava de Margaery Tyrell e também de sua pequena avó de língua afiada. Tinha pensado com anseio em Jardim de Cima, com seus pátios e músicos, e as barcaças de prazer no Vago; a uma distância enorme daquela costa desolada. Pelo menos aqui estou a salvo. Joffrey está morto, já não pode me machucar, e agora sou só uma bastarda. Alayne Stone não tem marido e não tem pretensões. E, além disso, a tia estaria ali em breve. O longo pesadelo de Porto Real tinha ficado para trás e sua caricatura de casamento também. Podia criar para si um novo lar ali, tal como Petyr havia dito.
Passaram-se oito longos dias até Lysa Arryn chegar. Choveu em cinco desses dias, enquanto Sansa permanecia sentada, entediada e inquieta junto à lareira, ao lado do velho cão cego. O animal estava doente e desdentado demais para montar guarda com Bryen, e o que fazia era principalmente dormir, mas quando ela lhe fez festas ele ganiu e lambeu sua mão, e depois disso tornaram-se bons amigos. Quando as chuvas pararam, Petyr percorreu com ela o perímetro de sua propriedade, o que demorou menos de meio dia. Ele possuía um monte de pedras, tal como tinha dito. Havia um local onde a maré saltava de uma furna, projetando-se dez metros no ar, e um outro onde alguém esculpira a estrela de sete pontas dos deuses novos num pedregulho. Petyr disse que aquilo marcava um dos locais onde os ândalos tinham desembarcado, quando vieram do outro lado do mar para arrancar o Vale das mãos dos Primeiros Homens.
Mais para o interior, uma dúzia de famílias vivia em cabanas de pedras empilhadas ao lado de uma turfeira.
– A minha plebe – disse Petyr, embora só o mais velho parecesse conhecê-lo. Havia também uma gruta de eremita em suas terras, mas sem eremita. – Ele agora está morto, mas quando eu era rapaz, meu pai levou-me para visitá-lo. O homem não se lavava havia quarenta anos, portanto pode imaginar o cheiro, mas supostamente tinha o dom da profecia. Apalpou-me um pouco e disse que eu seria um grande homem, e por isso o meu pai deu-lhe um odre de vinho. – Petyr fungou. – Eu teria dito a mesma coisa por meia taça.
Por fim, numa tarde cinzenta e ventosa, Bryen correu de volta à torre com os cães latindo logo atrás, para anunciar que se aproximavam cavaleiros vindos de sudoeste.
– Lysa – disse Lorde Petyr. – Venha, Alayne, vamos ao encontro dela.
Vestiram os mantos e esperaram lá fora. Os cavaleiros não eram mais de uma vintena; uma escolta muito modesta para a Senhora do Ninho da Águia. Acompanhavam-na três aias, bem como uma dúzia de cavaleiros envergando cota de malha e placa de peito. Tinha trazido também um septão e um cantor atraente com um bigode fino e longos caracóis cor de areia.
Poderá aquela ser a minha tia? A Senhora Lysa era dois anos mais nova do que sua mãe, mas aquela mulher parecia dez anos mais velha. Grossas tranças ruivas caíam-lhe abaixo da cintura, mas sob o dispendioso vestido de veludo e corpete decorado com pedras preciosas, o corpo mostrava-se flácido e saliente. O rosto vinha rosado e pintado, os seios eram pesados, os membros, grossos. Era mais alta do que Mindinho e também mais pesada; e não mostrou qualquer graça no modo desajeitado com que desceu do cavalo.
Petyr ajoelhou para lhe beijar os dedos.
– O pequeno conselho do rei ordenou-me que a cortejasse e conquistasse, senhora. Acredita que poderá me aceitar como seu senhor e esposo?
A Senhora Lysa projetou os lábios e puxou-o de volta em pé, para plantar um beijo em sua bochecha.
– Oh, talvez possa ser convencida. – Soltou um risinho. – Trouxe presentes para derreter meu coração?
– A paz do rei.
– Oh, que se dane a paz, o que mais me trouxe?
– A minha filha. – Mindinho fez sinal com uma mão a Sansa para avançar. – Senhora, permita-me que lhe apresente Alayne Stone.
Lysa Arryn não pareceu grandemente satisfeita por vê-la. Sansa fez uma profunda reverência, com a cabeça baixa.
– Uma bastarda? – ouviu a tia dizer. – Petyr, foi maroto? Quem era a mãe?
– A moça está morta. Tinha a esperança de levar Alayne para o Ninho da Águia.
– O que farei com ela lá?
– Tenho algumas ideias – disse Lorde Petyr. – Mas neste momento estou mais interessado no que farei com a senhora.
Toda a severidade derreteu no rosto redondo e rosado da tia, e por um momento Sansa pensou que Lysa Arryn estivesse a ponto de chorar.
– Querido Petyr, tive tantas saudades suas, não faz ideia, não pode fazer ideia. Yohn Royce tem andado instigando toda espécie de problemas, exigindo que eu convoque os vassalos e parta para a guerra. E todos os outros enxameiam à minha volta, Hunter, Corbray e aquele horrendo Nestor Royce, todos desejando desposar-me e tomar o meu filho como protegido, mas nenhum deles me ama realmente. Só você, Petyr. Sonhei com você durante tanto tempo.
– E eu com você, senhora. – Passou um braço pelas costas dela e beijou-a no pescoço. – Quando podemos nos casar?
– Já – disse a Senhora Lysa, suspirando. – Trouxe o meu próprio septão e um cantor, e hidromel para o banquete de casamento.
– Aqui? – aquilo não lhe agradou. – Preferiria casar com a senhora no Ninho da Águia, com toda a corte presente.
– Que se dane a corte. Esperei durante tanto tempo que não aguento esperar nem mais um momento. – Envolveu-o com os braços. – Quero partilhar a sua cama esta noite, meu querido. Quero que façamos outro filho, um irmão para Robert ou uma doce filhinha.
– Eu também sonhei com isso, querida. Mas há muito a ganhar com uma grande boda pública, com todo o Vale...
– Não. – Lysa bateu o pé. – Quero-o agora, nesta mesma noite. E devo prevenir-lo de que depois de todos esses anos de silêncio e sussurros pretendo gritar quando me amar. Vou gritar tão alto que vão me ouvir no Ninho da Águia.
– Talvez possa dormir com você agora e casar mais tarde?
A Senhora Lysa soltou risinhos como se fosse uma menina.
– Oh, Petyr Baelish, você é tão maroto. Não, não, eu sou a Senhora do Ninho da Águia e ordeno que se case comigo neste exato momento.