A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Petyr encolheu os ombros.
– Nesse caso, seja como a senhora ordena. Sou impotente perante você, como sempre.
Proferiram seus votos menos de uma hora depois, em pé sob um dossel azul-celeste enquanto o sol se afundava a oeste. Depois, mesas foram montadas junto da pequena torre de pederneira e banquetearam-se com codorna, veado e javali assado, empurrando tudo com um bom e leve hidromel. Archotes foram acesos quando o ocaso se instalou. O cantor de Lysa tocou “O voto não proferido”, “Estações do meu amor” e “Dois corações que batem como um só”. Vários jovens cavaleiros até pediram a Sansa para dançar. A tia também dançou, fazendo rodopiar as saias quando Petyr a girou nos seus braços. O hidromel e o casamento tinham tirado anos de cima da Senhora Lysa. Ria de tudo desde que segurasse a mão do marido, e os olhos pareciam cintilar sempre que o olhava.
Quando chegou a hora de os levarem para a cama, os cavaleiros carregaram-na para a torre, despindo-a no caminho e gritando gracejos lascivos. Tyrion poupou-me disso, recordou Sansa. Não teria sido assim tão ruim ser despida para um homem que amasse, por amigos que os amassem a ambos. Mas por Joffrey... Estremeceu.
A tia só tinha trazido três senhoras consigo, por isso insistiram com Sansa para que ajudasse a despir Lorde Petyr e a empurrá-lo para a sua cama de núpcias. Ele submeteu-se com boa vontade e uma língua maliciosa, devolvendo o que recebia. Quando o conseguiram pôr dentro da torre e fora da roupa, as outras mulheres estavam coradas, com cordões soltos, vestidos tortos, saias em desarranjo. Mas Mindinho só sorria a Sansa enquanto o levavam para o quarto onde a senhora sua esposa esperava.
A Senhora Lysa e o Lorde Petyr tinham o quarto do terceiro andar para si, mas a torre era pequena... e cumprindo a promessa que havia feito, a tia gritou. Tinha começado a chover lá fora, levando os convivas para o salão um piso mais abaixo, e assim ouviram quase todas as palavras.
– Petyr – gemeu a tia de Sansa. – Oh, Petyr, Petyr, querido Petyr, oh oh oh. Aí, Petyr, aí. É aí o seu lugar. – O cantor da Senhora Lysa lançou-se numa versão lasciva de “O jantar da senhora”, mas nem mesmo a sua voz e o som do instrumento foram capazes de abafar os gritos de Lysa. – Faça-me um bebê, Petyr – gritou –, faça-me outro bebezinho, querido. Oh, Petyr, meu precioso, meu precioso, PEEEEEEEEEETYR! – O último guincho foi tão alto que pôs os cães para ladrar, e duas das damas da tia quase não conseguiram conter o riso.
Sansa desceu a escada e penetrou na noite. Caía uma chuva ligeira sobre os restos do banquete, mas o ar tinha um cheiro fresco e limpo. A memória da sua noite de núpcias com Tyrion não a deixava. “No escuro, sou o Cavaleiro das Flores”, ele tinha dito. “Poderia ser bom para você.” Mas aquela foi apenas mais uma mentira Lannister. “Um cão consegue farejar uma mentira, sabe?”, disse-lhe um dia o Cão de Caça. Quase conseguia ouvir a aspereza rude de sua voz. “Olhe em volta e dê uma boa fungadela. Aqui são todos mentirosos... e todos eles são melhores do que você.” Perguntou a si mesma o que teria acontecido a Sandor Clegane. Saberia que Joffrey tinha sido morto? Será que se importaria? Durante anos, ele fora o escudo juramentado do rei.
Permaneceu fora durante bastante tempo. Quando por fim foi em busca de sua cama, molhada e friorenta, só o tênue clarão de um fogo de esterco iluminava o salão escurecido. Não se ouvia um som vindo de cima. O jovem cantor estava sentado em um canto, tocando uma canção lenta para si mesmo. Uma das aias da tia beijava um cavaleiro no cadeirão de Lorde Petyr, ambos com as mãos atarefadas debaixo das roupas do outro. Vários homens tinham bebido até adormecer e um estava na latrina, vomitando ruidosamente. Sansa foi encontrar o velho cão cego de Bryen na sua pequena alcova debaixo da escada e deitou-se ao lado dele. Ele acordou e lambeu-lhe o rosto.
– Meu velho e triste cão de caça – disse, afagando seu pelo.
– Alayne. – O cantor da tia estava em pé acima dela. – Querida Alayne. Chamo-me Marillion. Vi você entrar vinda da chuva. A noite está gelada e úmida. Deixe-me aquecê-la.
O velho cão ergueu a cabeça e rosnou, mas o cantor deu-lhe um tabefe e o cão escapuliu, ganindo.
– Marillion? – disse ela, insegura. – É... bondoso por pensar em mim, mas... peço que me desculpe. Estou muito cansada.
– E está muito bela. Tenho passado toda a noite fazendo canções para você na cabeça. Um deleite para os seus olhos, uma balada para os seus lábios, um dueto para os seus seios. Mas não as cantarei. Eram coisas fracas, indignas de tal beleza. – Sentou-se em sua cama e pôs a mão em sua perna. – Deixe-me em vez disso cantar para você com o meu corpo.
Um pouco do hálito dele chegou-lhe ao nariz.
– Está bêbado.
– Eu nunca fico bêbado. O hidromel só me deixa alegre. Estou em fogo. – A mão deslizou coxa acima. – E você também.
– Tire as mãos de cima de mim. Está fora de si.
– Misericórdia. Há horas que canto canções de amor. Meu sangue está agitado. E o seu também está, eu sei... não há garota que tenha metade da luxúria das que nasceram bastardas. Está molhada para mim?
– Eu sou uma donzela – protestou.
– Sério? Oh, Alayne, Alayne, minha bela donzela, dê-me o presente de sua inocência. Irá agradecer aos deuses por tê-lo feito. Farei com que cante mais alto do que a Senhora Lysa.
Sansa afastou-se dele com um empurrão, assustada.
– Se não me largar, a minh... o meu pai vai enforcá-lo. Lorde Petyr.
– O Mindinho? – ele soltou um risinho abafado. – A Senhora Lysa gosta bastante de mim, e eu sou o favorito de Lorde Robert. Se o seu pai me ofender, vou destruí-lo com um verso. – Pousou uma mão em seu seio e apertou. – Vamos tirar essa roupa molhada. Não vai querê-la rasgada, eu sei. Venha, doce senhora, ceda o coração...
Sansa ouviu o som suave do aço raspando em couro.
– Cantor – disse uma voz rude –, é melhor sair daqui, se quiser voltar a cantar. – A luz era fraca, mas ela viu o tênue brilho de uma lâmina.
O cantor também a viu.
– Arranje uma mulher para você... – A faca relampejou, e ele gritou. – Você me cortou!
– E faço coisa pior, se não for embora.
E, num instante, Marillion desapareceu. O outro ficou ali, erguendo-se acima de Sansa na escuridão.
– Lorde Petyr disse para vigiá-la. – Percebeu que era a voz de Lothor Brune. Não, não é a do Cão de Caça, como poderia ser? Claro que tinha de ser Lothor...
Naquela noite, Sansa quase não dormiu; em vez disso agitou-se e virou-se como fizera a bordo do Rei Bacalhau. Sonhou com a morte de Joffrey, mas quando ele arranhou a garganta e o sangue escorreu por seus dedos, Sansa viu com horror que era o irmão Robb. E sonhou também com a sua noite de núpcias, com os olhos de Tyrion a devorá-la enquanto se despia. Mas então ele tornou-se maior do que Tyrion tinha direito a ser, e quando se meteu na cama, tinha cicatrizes só de um lado do rosto. “Quero que me cante uma canção”, rouquejou ele, e Sansa acordou e deu com o velho cão cego de novo a seu lado.
– Gostaria que fosse a Lady – disse.
Ao chegar a manhã, Grisel subiu até o quarto para servir ao senhor e à senhora uma travessa de pão matinal, com manteiga, mel, frutas e creme de leite. Voltou para dizer que Alayne era chamada. Sansa ainda estava tomada pelo sono e precisou de um momento para se lembrar de que a Alayne era ela.
A Senhora Lysa ainda se encontrava deitada, mas Lorde Petyr estava de pé e vestido.
– A sua tia quer falar com você – disse a Sansa enquanto puxava uma bota. – Disse-lhe quem é.
Deuses, sejam bons.