Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Você pode ir embora quando quiser. O helicóptero está à espera para levá-la na hora que quiser ir. Ou pode passar a noite aqui e voltar para casa amanhã de manhã. Para mim, o que você decidir está bom.
— Abra o raio da porta, Christian.
Ele abre a porta e recua para me deixar entrar. Olho para ele de novo. Quero muito saber o que há ali. Respiro fundo e entro.
E parece que viajei no tempo para o século XVI e sua Inquisição espanhola.
Puta merda.
CAPÍTULO SETE
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A primeira coisa que noto é o cheiro: couro, madeira, cera com uma leve essência cítrica. É muito agradável e a iluminação é suave, sutil. Na verdade, não consigo ver de onde vem, mas está em toda a volta da cornija do teto, e emite uma luz acolhedora. As paredes e o teto são de um tom de vermelho-escuro bem fechado, dando ao quarto espaçoso uma sensação de aconchego, e o chão é de madeira muito antiga, envernizada. Há uma grande estrutura de madeira em forma de X presa à parede em frente à porta. É feita de mogno muito polido, e tem algemas pendendo das quatro pontas. Acima do X, há uma ampla grade de ferro, pendurada no teto, de no mínimo dois metros quadrados e meio, da qual pende todo tipo de corda, corrente e grilhões reluzentes. Junto à porta, duas varas polidas e ricamente entalhadas que lembram balaústres, porém mais longas, estão presas à parede como paus de cortina, e delas pende uma impressionante variedade de pás, varinhas, chicotes de montaria e divertidos objetos emplumados.
Ao lado da porta, há uma sólida cômoda em mogno, cujas gavetas são estreitas como se planejadas para conter espécimes num antigo museu. Pergunto-me rapidamente o que elas realmente contêm. Será que quero saber? No fundo, fica um banco estofado de couro vinho, e, preso à parede ao lado dele, está uma estante de madeira polida que parece um porta-tacos de bilhar, porém, de perto, vê-se que guarda bengalas de vários comprimentos e larguras. Há uma robusta mesa de um metro e oitenta de comprimento no canto oposto, em madeira polida com pernas intrincadamente entalhadas e, sob ela, dois tamboretes formando um conjunto.
Mas o que domina o quarto é a cama. É maior do que o tamanho king size, com quatro colunas e entalhes em estilo rococó e dossel plano. Parece do fim do século XIX. Embaixo do dossel, mais correntes e algemas. Não há cobertas... só um colchão de couro vermelho e almofadas de cetim vermelho amontoadas numa extremidade.
A alguns palmos do pé da cama há um amplo sofá estilo Chesterfield vermelho-escuro, simplesmente largado no meio do quarto de frente para a cama. Uma arrumação estranha... um sofá virado para a cama. Sorrio comigo mesma. Achei o sofá esquisito, quando na verdade é o móvel mais comum do quarto. Ergo os olhos e olho para cima. Há mosquetões por todo o teto, a intervalos disparatados. Questiono-me vagamente para que servem. O estranho é que a madeira, as paredes escuras, a iluminação instável e o couro vermelho tornam o quarto quase suave e romântico... Sei que é tudo menos isso; é a versão de Christian para suavidade e romantismo.
Viro-me, e ele está me olhando com atenção, como sabia que estaria, a expressão completamente inescrutável. Entro mais um pouco no quarto, e ele me acompanha. O objeto de plumas me intriga. Toco nele timidamente. É de camurça, como um pequeno gato de nove caudas, só que mais felpudo, e tem contas de plástico bem pequenas na ponta.
— Chama-se açoite — diz Christian com a voz baixa e macia.
Açoite... hum. Acho que estou em estado de choque. Meu inconsciente desapareceu, ficou mudo ou simplesmente caiu fulminado. Estou paralisada. Posso observar e absorver, mas não consigo articular meus sentimentos, porque estou em estado de choque. Qual é a reação apropriada à descoberta de que um amante em potencial é um completo tarado sadista ou masoquista? Medo... sim... esse parece ser o sentimento preponderante. Reconheço agora. Mas, por incrível que pareça, não tenho medo dele. Não acho que ele vá me machucar, bem, não sem meu consentimento. Muitas perguntas confundem minha cabeça. Por quê? Como? Quando? Com que frequência? Quem? Vou até a cama e passo as mãos nas colunas ricamente entalhadas. São muito resistentes, e o trabalho é impressionante.
— Diga alguma coisa — ordena Christian, a voz enganosamente macia.
— Você faz isso com as pessoas ou elas fazem isso com você?
Ele sorri, achando graça ou aliviado.
— As pessoas? — Ele pisca duas vezes ao considerar a resposta. — Faço isso com mulheres que querem que eu faça.
Não entendo.
— Se você tem voluntárias dispostas, por que estou aqui?
— Por que eu quero muito, muito fazer isso com você.
— Ah. — Engulo em seco. Por quê?
Vou até o fundo da sala, bato de leve no banco estofado da altura da minha cintura e corro os dedos pelo couro. Ele gosta de machucar mulheres. A ideia me deprime.
— Você é sádico?
— Sou dominador. — Seu olhar é abrasador, intenso.
— O que isso quer dizer? — pergunto.
— Quer dizer que quero que você se entregue espontaneamente a mim, em tudo.
Franzo a testa para ele, tentando assimilar a ideia.
— Por que eu faria isso?
— Para me satisfazer — ele murmura, inclina a cabeça para o lado e vejo a sombra de um sorriso.
Satisfazer! Ele quer que eu o satisfaça! Acho que estou boquiaberta. Satisfazer Christian Grey. E me dou conta, naquele momento, de que, sim, é exatamente isso que eu quero fazer. Quero que ele fique absolutamente satisfeito comigo. É uma revelação.
— Em termos muito simples, quero que você queira me agradar — diz ele baixinho. Sua voz é hipnótica.
— Como?
Minha boca está seca, e queria ter tomado mais vinho. Tudo bem, entendo a parte do agrado, mas estou intrigada com o cenário de tortura elisabetana. Será que quero saber a resposta?
— Eu tenho regras, e quero que você as obedeça. Elas são para o seu bem e para o meu prazer. Se seguir essas regras como eu desejo, eu a recompenso. Se não seguir, eu a castigo, e você aprende — murmura. Ele olha para o armário de bengalas ao dizer isso.
— E como tudo isso se encaixa? — faço um gesto mostrando o quarto todo.
— Isso tudo faz parte do pacote de incentivo. Recompensa e castigo.
— Então você se excita exercendo sua vontade sobre mim.
— Tudo gira em torno de conquistar sua confiança e seu respeito, para você deixar que eu exerça minha vontade sobre você. Quanto mais se submeter, maior minha alegria. É uma equação muito simples.
— Tudo bem, e o que eu ganho com isso?
Ele dá de ombros com uma expressão quase de quem pede desculpas.
— Eu — diz simplesmente.
Ai, meu Deus. Christian passa a mão no cabelo ao me olhar.
— Não tem nada a perder, Anastasia — murmura exasperado. — Vamos voltar lá para baixo, onde consigo me concentrar melhor. Ver você neste quarto me distrai muito.
Ele me estende a mão, e agora eu hesito em pegá-la.
Kate disse que ele era perigoso. Ela estava certíssima. Como sabia? Ele é perigoso para minha saúde, porque sei que vou aceitar. E uma parte de mim não quer. Uma parte de mim quer sair correndo aos gritos desse quarto e de tudo o que ele representa. Isso é demais para mim.
— Não vou machucar você, Anastasia.
Sei que está dizendo a verdade. Dou a mão para ele, e saímos do quarto.
— Se você vai querer fazer isso, preciso lhe mostrar uma coisa.
Em vez de descer, ele vira à direita ao sair do quarto de jogos, como ele chama, e segue por um corredor. Passamos por várias portas até chegarmos à última. Do outro lado, há um quarto com uma grande cama de casal, todo branco... tudo: mobília, paredes, roupas de cama. É asséptico e frio, mas tem uma vista deslumbrante de Seattle pela parede de vidro.