Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Ele me olha desconfiado por um momento e, de alguma forma, apesar da sua altura, consegue andar com elegância até a porta do helicóptero e abri-la. Salta, esperando que eu o acompanhe, e me ajuda a descer para a pista. Venta muito no alto do prédio, e fico nervosa por estar em pé a uma altura equivalente a pelo menos trinta andares num espaço aberto. Christian passa o braço em volta da minha cintura e me puxa para junto de si.
— Vem — grita acima do ruído do vento.
Ele me arrasta para o elevador, e, depois que digita um número num teclado, as portas se abrem. Está quente no interior todo espelhado do elevador. Vejo Christian ao infinito para qualquer ponto que eu olhe, e o maravilhoso é que ele também está me abraçando ao infinito. Christian digita outro código no teclado, as portas se fecham e o elevador desce.
Logo depois estamos num hall todo branco. No meio, há uma mesa redonda de madeira escura, e, sobre ela, um ramalhete incrivelmente imenso de flores brancas. Há quadros em todas as paredes. Ele abre uma porta dupla, e a cor branca permanece no corredor largo em cuja extremidade fica a entrada de uma sala palaciana. É a sala principal, com pé direito duplo. “Enorme” não é a palavra certa para todo aquele tamanho. A parede do fundo é de vidro e dá para uma varanda que domina Seattle.
À direita, há um imponente sofá em U onde dez pessoas poderiam se sentar confortavelmente. Em frente ao sofá, a lareira mais moderna que se pode imaginar, em aço inoxidável ou talvez platina, acho, e nela arde um fogo suave. À nossa esquerda, ao lado da entrada, fica a cozinha. Toda branca, com as bancadas em madeira escura e um balcão para café da manhã com seis lugares.
Perto da cozinha, diante da parede de vidro, há uma mesa de jantar rodeada de dezesseis cadeiras. E encaixado no canto, um reluzente piano de cauda preto. Ah, sim... ele também deve tocar piano. Há arte de todas as formas e tamanhos nas paredes. Na verdade, o apartamento mais parece uma galeria do que uma casa.
— Posso pegar sua jaqueta? — pergunta Christian.
Balanço a cabeça. Ainda estou com frio por causa do vento do heliporto.
— Quer beber alguma coisa? — pergunta ele.
Pisco. Depois da noite passada! Será que ele está tentando ser engraçado? Por um segundo, penso em pedir uma margarita, mas não tenho coragem.
— Vou beber uma taça de vinho branco. Você me acompanha?
— Sim, por favor — murmuro.
Estou parada nesta sala enorme, sentindo-me deslocada. Vou até a parede de vidro e me dou conta de que, na sua metade inferior, há portas sanfonadas que dão para a varanda. Seattle está acesa e animada ao fundo. Volto para a cozinha — levo alguns segundos, é longe da parede de vidro — e Christian está abrindo uma garrafa de vinho. Já tirou o paletó.
— Pouilly Fumé está bom para você?
— Não entendo nada de vinho, Christian. Tenho certeza de que é ótimo.
Minha voz é suave e hesitante. Meu coração está palpitando. Quero fugir. Essa casa é podre de chique. Exorbitantemente chique no padrão Bill Gates. O que estou fazendo aqui? Você sabe muito bem o que está fazendo aqui, me diz com desprezo meu inconsciente. Sim, eu quero ir para a cama com Christian Grey.
— Aqui.
Ele me entrega uma taça de vinho. Até as taças são chiques... pesadas, de cristal moderno. Dou um gole, e o vinho é leve, gelado e delicioso.
— Você está muito calada, e nem está corando. Na verdade, acho que nunca vi você tão branca, Anastasia — murmura ele. — Está com fome?
Balanço a cabeça. Não de comida.
— É uma casa muito grande essa aqui.
— Grande?
— Grande.
— É grande — concorda ele, e seus olhos brilham divertidos.
Bebo outro gole de vinho.
— Você toca? — pergunto, indicando o piano com o queixo.
— Toco.
— Bem?
— Sim.
— Claro que toca. Existe alguma coisa que você não saiba fazer bem?
— Sim... algumas coisas.
Ele dá um gole em seu vinho. Não tira os olhos de mim. Sinto-os me seguindo enquanto me viro para olhar a vasta sala. “Sala” é a palavra errada. Isso não é uma sala — é uma declaração de propósito.
— Quer sentar?
Balanço a cabeça assentindo, e ele me dá a mão e me conduz para o grande sofá branco. Ao me sentar, fico impressionada com o fato de me sentir como Tess Durbeyfield olhando para a casa nova que pertence ao notório Alec d’Urberville. Esse pensamento me faz sorrir.
— Qual é a graça? — Ele se senta a meu lado, virado para mim. Apoia a cabeça na mão direita, o cotovelo apoiado no encosto do sofá.
— Por que me deu especificamente o Tess of the d’Urbervilles? — pergunto.
Christian me olha por um instante. Acho que minha pergunta o surpreendeu.
— Bem, você disse que gostava de Thomas Hardy.
— Só por isso?
Até eu noto o desapontamento em minha voz. Ele contrai os lábios.
— Pareceu adequado. Eu poderia manter você num ideal elevadíssimo como Angel Clare ou degradá-la completamente como Alec d’Urberville — murmura ele, e seus olhos possuem um brilho sinistro e perigoso.
— Se só houvesse duas opções, eu ficaria com a degradação — digo, olhando para ele.
Meu inconsciente me olha assombrado. Christian engasga.
— Anastasia, pare de morder o lábio, por favor. Isso distrai muito. Você não sabe o que está dizendo.
— Por isso estou aqui.
Ele franze a testa.
— Sim. Você pode me dar licença um minuto?
Ele desaparece por uma porta larga do fundo da sala. Pouco depois, volta com um papel.
— Este é um termo de confidencialidade. — Ele dá de ombros e tem a elegância de parecer meio encabulado. — Minha advogada insiste nisso. — Ele me entrega o documento. Fico completamente desconcertada. — Se você escolher a segunda opção, a degradação, vai precisar assinar isto.
— E se eu não quiser assinar nada?
— Aí são os ideais elevados de Angel Clare, bem, na maior parte do livro, pelo menos.
— O que esse acordo significa?
— Significa que você não pode revelar nada sobre nós. Para ninguém.
Olho para ele descrente. Puta merda. Isso é ruim, muito ruim, e agora estou muito curiosa para saber.
— Tudo bem. Eu assino.
Ele me entrega uma caneta.
— Você nem vai ler?
— Não.
Ele franze a testa.
— Anastasia, você deve sempre ler qualquer coisa que assinar — aconselha.
— Christian, o que você não conseguiu entender é que de qualquer forma eu não contaria a ninguém. Nem a Kate. Portanto, é irrelevante assinar ou não. Se isso é tão importante para você, ou para sua advogada... para quem você obviamente conta, tudo bem. Eu assino.
Ele me olha, e assente solenemente com a cabeça.
— Touché, Srta. Steele.
Assino ostensivamente na linha pontilhada de ambas as cópias e devolvo uma a ele. Dobro a outra, guardo-a na bolsa e dou um bom gole no vinho. Estou parecendo muito mais corajosa do que na verdade me sinto.
— Isso quer dizer que você vai fazer amor comigo hoje à noite, Christian?
Puta merda. Será que acabei de dizer isso? Ele fica boquiaberto, mas logo se recupera.
— Não, Anastasia, não quero dizer isso. Em primeiro lugar, eu não faço amor. Eu fodo... com força. Em segundo lugar, ainda tem muita papelada para assinar. E em terceiro, você ainda não sabe onde está se metendo. Ainda pode cair fora. Venha, quero mostrar meu quarto de jogos.
Meu queixo cai. Foder com força. Puta merda, isso parece muito excitante. Mas por que estamos indo para um quarto de jogos? Estou perplexa.
— Quer jogar Xbox? — pergunto.
Ele ri alto.
— Não, Anastasia. Nada de Xbox, nada de Playstation. Venha.
Ele se levanta, estendendo a mão. Deixo-o me conduzir pelo corredor. À direita da porta dupla por onde entramos, há outra porta que leva a uma escada. Subimos ao segundo andar e viramos novamente à direita. Tirando uma chave do bolso, ele abre outra porta e respira fundo.