Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Você sabe o que está fazendo? — pergunto.
Ele se vira e sorri para mim.
— Tenho brevê de piloto há quatro anos, Anastasia. Você está segura comigo. — Ele abre um sorriso feroz. — Bem, enquanto estivermos voando — acrescenta, e lança uma piscadinha para mim.
Christian dando uma piscadinha!
— Está pronta?
Indico que sim com a cabeça, os olhos arregalados.
— Tudo bem, torre. PDX, aqui é Charlie Tango Golf-Golf Echo Hotel, autorização para decolar. Favor confirmar, câmbio.
— Charlie Tango, autorizado. PDX falando, prossiga para quatro mil, dirigindo-se à zero um zero, câmbio.
— Ok, torre. Charlie Tango preparado, câmbio e desligo. Lá vamos nós — acrescenta ele para mim, e o helicóptero sobe lenta e suavemente no ar.
Portland some diante de nós à medida que rumamos para o espaço aéreo dos Estados Unidos, embora meu estômago continue firme em Oregon. Caramba! Todas as luzes fortes diminuem até estarem piscando com pouca intensidade abaixo de nós. É como olhar para fora de dentro de um aquário. Quando estamos mais alto, não há realmente nada para ver. É um breu, sem nem um raio de luar para iluminar nossa viagem. Como ele pode ver aonde estamos indo?
— Estranho, não? — A voz de Christian está nos meus ouvidos.
— Como sabe que estamos indo na direção certa?
— Aqui. — Ele aponta para um dos indicadores que mostra uma bússola eletrônica. — Este é um EC135 Eurocopter. Um dos mais seguros de sua classe. É equipado para voo noturno. — Olha para mim e sorri.
— Tem um heliporto no alto do prédio onde moro. É para onde estamos indo.
Claro que tem um heliporto onde ele mora. Isso é realmente muita areia para meu caminhãozinho. O rosto dele está suavemente iluminado pelas luzes do painel de instrumentos. Ele está muito concentrado, e a toda hora olha os vários aparelhos à sua frente. Bebo discretamente com os olhos suas feições. Tem um perfil lindo. Nariz reto, queixo quadrado — eu gostaria de passar a língua na mandíbula dele. Ele não se barbeou, e essa barba por fazer torna a perspectiva duplamente tentadora. Hum... eu queria sentir quão áspera é na minha língua, nos meus dedos, no meu rosto.
— Quando voamos à noite, o voo é cego. Temos que confiar nos instrumentos — diz ele, interrompendo meu devaneio erótico.
— Quanto tempo vai levar o voo? — consigo perguntar, sem fôlego. Não estava pensando absolutamente em sexo, não, de jeito nenhum.
— Menos de uma hora. Estamos a favor do vento.
Hum, menos de uma hora para Seattle... não é uma velocidade ruim. Não é de espantar que estejamos voando.
Tenho menos de uma hora antes da grande revelação. Todos os músculos da minha barriga se contraem, sinto aquele friozinho no estômago. Puta merda, qual é a surpresa que ele tem para mim?
— Você está bem, Anastasia?
— Estou.
Minha resposta é curta, cortada, espremida no meu nervosismo.
Acho que ele sorri, mas é difícil dizer no escuro. Christian aciona mais um botão.
— PDX, aqui é Charlie Tango agora a quatro mil, câmbio.
Ele troca informações com o controle de tráfego aéreo. Tudo soa muito profissional para mim. Acho que estamos passando do espaço aéreo de Portland para o do Aeroporto Internacional de Seattle.
— Compreendido, Sea-Tac, a postos, câmbio e desligo. Olhe ali. — Ele aponta para um ponto de luz ao longe. — É Seattle.
— Você sempre impressiona as mulheres desse jeito? Venha voar no meu helicóptero? — pergunto genuinamente interessada.
— Nunca trouxe nenhuma garota aqui em cima, Anastasia. É outra primeira vez para mim — diz ele baixinho, com voz séria.
Ah, essa é uma resposta inesperada. Outra novidade? Ah, o lance de dormir, talvez.
— Está impressionada?
— Estou apavorada, Christian.
Ele ri.
— Apavorada? — E, por um instante, ele parece de novo ter a idade que tem.
Balanço a cabeça, assentindo.
— Você é tão... competente!
— Ora, obrigado, Srta. Steele — diz com educação.
Acho que ele está satisfeito, mas não tenho certeza.
Viajamos calados na noite escura por algum tempo. O ponto de luz que é Seattle aumenta lentamente.
— Torre Sea-Tac para Charlie Tango. Plano de voo para Escala pronto. Favor prosseguir. Aguarde contato, câmbio.
— Aqui é Charlie Tango, compreendido, Sea-Tac. Aguardando, câmbio e desligo.
— Está na cara que você gosta disso — murmuro.
— O quê?
Ele me olha. Parece em dúvida à meia luz dos instrumentos.
— Voar — respondo.
— Isso exige controle e concentração... como eu poderia não gostar? Mas o que eu prefiro é planar.
— Planar?
— É, voar em planador. Planadores e helicópteros, piloto as duas coisas.
— Ah.
Hobbies caros. Lembro-me disso da entrevista. Gosto de ler e ir de vez em quando ao cinema. Isso aqui é muita areia para meu caminhão.
— Charlie Tango, pode seguir, por favor, câmbio.
A voz incorpórea do controle de tráfego aéreo interrompe meus pensamentos. Christian responde, no tom confiante de quem controla a situação.
Seattle se aproxima. Estamos nos arredores da cidade agora. Uau! É absolutamente incrível. Seattle à noite, do céu.
— É bonito, não é? — murmura Christian.
Balanço a cabeça com entusiasmo. Parece do outro mundo, irreal, e eu me sinto num gigantesco set de filmagem. Do filme preferido de José, talvez, Blade Runner. A lembrança de José tentando me beijar me persegue. Começo a me sentir um pouco cruel por não ter retornado suas ligações. Ele pode esperar até amanhã... com certeza.
— Vamos chegar em poucos minutos — avisa Christian, e, de repente, minha cabeça lateja e meu pulso se acelera e tenho uma descarga de adrenalina. Ele volta a se comunicar com o controle aéreo, mas eu já não estou ouvindo. Sinto que vou desmaiar. Meu destino está nas mãos dele.
Estamos agora voando entre os prédios, e dá para ver um arranha-céu com um heliporto em cima. No alto do prédio, lê-se a palavra “Escala” pintada de branco. Vai ficando cada vez mais perto, cada vez maior... como minha ansiedade. Nossa, tomara que eu não o decepcione. Ele vai me achar aquém das expectativas, de alguma maneira. Eu devia ter ouvido Kate e pegado emprestado um dos vestidos dela, mas gosto da minha calça jeans preta, e estou com uma blusa verde hortelã e a jaqueta preta de Kate. Estou suficientemente elegante. Agarro a beira da poltrona com cada vez mais força. Posso fazer isso. Posso fazer isso. Repito esse mantra enquanto o arranha-céu surge lá embaixo.
O helicóptero reduz a velocidade e flutua. Christian pousa no heliporto no alto do prédio. Sinto o coração na boca. Não consigo decidir se é de nervosismo e ansiedade, de alívio por termos chegado vivos, ou de medo de falhar de alguma forma. Ele desliga o motor e as pás do rotor vão parando até eu só ouvir o som da minha respiração errática. Christian tira seus fones, estica o braço e tira os meus também.
— Chegamos — diz baixinho.
Seu olhar é intenso, meio na sombra e meio na claridade da iluminação para pouso. O cavaleiro das trevas e o herói, essa é uma metáfora adequada para Christian. Ele parece cansado. Tem a mandíbula cerrada e os olhos apertados. Solta o cinto e se aproxima para soltar o meu. Seu rosto está bem próximo.
— Você não precisa fazer nada que não queira. Sabe disso, não é? — O tom dele é muito sincero, desesperado até, o olhar, apaixonado. Ele me pega de surpresa.
— Eu nunca faria nada que não quisesse, Christian.
E, ao dizer isso, não sinto convicção porque, a essa altura, eu talvez faça qualquer coisa por esse homem sentado a meu lado. Mas isso resolve. Ele sossega.