Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Posso ouvir de novo?
— Claro. — Christian aperta um botão, e a música volta a me acariciar. É como um afago suave, lento, doce e seguro em meus ouvidos.
— Você gosta de música clássica? — pergunto, torcendo por um raro vislumbre de suas preferências pessoais.
— Sou eclético, Anastasia, gosto de tudo, de Thomas Tallis a Kings of Leon. Depende do meu estado de espírito. E você?
— Eu também. Embora eu não saiba quem é Thomas Tallis.
Ele se vira e me olha rapidamente antes de se concentrar de novo na estrada.
— Vou pôr para você ouvir uma hora dessas. Tallis é um compositor inglês do século XVI. Música coral sacra da época Tudor. — Christian sorri para mim. — Parece muito pouco comum, eu sei, mas também é mágico.
Ele aperta um botão e começa a tocar Kings of Leon. Humm... isso eu conheço. “Sex on Fire”. Muito apropriado. A música é interrompida pelo toque de um celular se sobrepondo ao som dos alto-falantes. Christian aperta um botão no volante.
— Grey — diz secamente.
Ele é muito rude.
— Sr. Grey, aqui é Welch. Tenho a informação que o senhor solicitou. — Uma voz áspera, incorpórea, sai dos alto-falantes.
— Ótimo. Envie por e-mail. Alguma coisa a acrescentar?
— Não, senhor.
Ele aperta o botão, a ligação é cortada e a música volta. Nada de até logo nem de obrigado. Ainda bem que nunca cogitei seriamente trabalhar para ele. Estremeço só de pensar nisso. Ele é controlador e frio demais com os funcionários. A música é cortada de novo pelo som do telefone.
— Grey.
— O termo de confidencialidade já foi enviado por e-mail para o senhor, Sr. Grey — diz uma voz de mulher.
— Ótimo. É só isso, Andrea.
— Bom dia, senhor.
Christian desliga apertando um botão no volante. A música acabou de recomeçar quando o telefone volta a tocar. Que inferno, será que a vida dele é sempre assim? Um telefonema chato atrás do outro?
— Grey — ele atende seco.
— Oi, Christian, você transou?
— Oi, Elliot, estou no viva voz, e não estou sozinho no carro. — Christian suspira.
— Quem está com você?
Christian revira os olhos.
— Anastasia Steele.
— Oi, Ana!
Ana!
— Oi, Elliot.
— Ouvi falar muito de você — murmura Elliot, rouco.
Christian franze a testa.
— Não acredite em uma palavra do que Kate diz.
Elliot ri.
— Estou indo deixar Anastasia em casa agora. — Christian enfatiza meu nome inteiro. — Quer que eu pegue você?
— Claro.
— Vejo você daqui a pouco. — Christian desliga, e a música volta.
— Por que você insiste em me chamar de Anastasia?
— Por que é seu nome.
— Prefiro Ana.
— Prefere agora?
Estamos quase diante do meu apartamento. Não demorou muito.
— Anastasia — ele murmura. Olho de cara feia para ele, mas ele nem liga. — O que aconteceu no elevador não vai voltar a acontecer. Bem, não a menos que seja premeditado.
Ele estaciona em frente ao meu apartamento. Só agora me dou conta de que não me perguntou onde eu moro, e, no entanto, ele sabe. Enviou os livros, então, é claro que sabe onde moro. Que espião competente, rastreador de telefone celular e proprietário de helicóptero não saberia?
Por que ele não quer me beijar de novo? Fico chateada diante da ideia. Não entendo. Sinceramente, o sobrenome dele deveria ser Enigmático, não Grey. Ele sai do carro, e, com aquelas pernas compridas que lhe conferem uma graça natural, dá a volta para abrir minha porta, sempre cavalheiro — salvo talvez em momentos raros e preciosos dentro de elevadores. Enrubesço ao me lembrar de sua boca colada na minha, e me ocorre que não consegui tocar nele. Eu queria correr os dedos pelo seu cabelo despenteado, mas não consegui mexer as mãos. Fico frustrada ao pensar nisso.
— Gostei do que aconteceu no elevador — murmuro ao sair do carro. Não tenho certeza se ouvi um suspiro, mas prefiro fingir que não e subo os degraus que levam à porta de entrada.
Kate e Elliot estão sentados à nossa mesa de jantar. Os livros de quatorze mil dólares sumiram. Graças a Deus, tenho planos para eles. Kate está com um sorriso ridículo no rosto, e está despenteada de um jeito sensual. Christian entra na sala comigo e, apesar daquela cara de quem está se divertindo, Kate olha desconfiada para ele.
— Oi, Ana.
Ela se levanta num salto para me dar um abraço, depois se afasta para poder me examinar. Franze a testa e se vira para Christian.
— Bom dia, Christian — diz, num tom um pouco hostil.
— Srta. Kavanagh — diz ele daquele jeito frio e formal.
— Christian, o nome dela é Kate — resmunga Elliot.
— Kate.
Christian a cumprimenta com a cabeça educadamente e olha furioso para Elliot, que ri e se levanta para me abraçar também.
— Oi, Ana. — Ele sorri, os olhos azuis brilhando, e gosto dele na mesma hora. Evidentemente, não tem nada a ver com Christian, mas os dois são irmãos adotivos.
— Oi, Elliot. — Sorrio para ele, e percebo que estou mordendo o lábio.
— Elliot, é melhor a gente ir — diz Christian com suavidade.
— Claro.
Ele toma Kate nos braços e lhe dá um beijo demorado.
Nossa... vão para o quarto. Encaro meus pés, sem jeito. Então, vejo que Christian está me olhando atentamente. Franzo os olhos para ele. Por que não pode me beijar assim? Elliot continua beijando Kate, abraçando-a e abaixando-a teatralmente até fazer seu cabelo encostar no chão, e então a beija ainda mais.
— Até mais, baby — diz ele, sorrindo.
Kate simplesmente se derrete. Eu nunca a vi se derreter antes — as palavras “bela” e “submissa” me ocorrem. Kate submissa. Nossa, Elliot deve ser bom. Christian revira os olhos para mim, a expressão inescrutável, se bem que talvez esteja achando certa graça. Ele põe para trás da minha orelha uma mecha do meu cabelo que se soltou do rabo de cavalo. Perco o fôlego com o toque, e apoio a cabeça em seus dedos. Seu olhar fica mais doce, e ele passa o polegar no meu lábio inferior. Meu sangue ferve nas veias. E, num instante, não o sinto mais.
— Até mais, baby — murmura, e tenho que rir, porque isso não tem nada a ver com ele. Mas, embora eu saiba que ele está brincando, a palavra carinhosa mexe com alguma coisa lá dentro de mim.
— Pego você às oito.
Ele gira nos calcanhares, abre a porta e sai. Elliot o acompanha até o carro, mas se volta e joga mais um beijo para Kate, e sinto uma inoportuna pontada de inveja.
— E aí, você transou? — pergunta Kate enquanto observamos os dois entrarem no carro e se afastarem, a curiosidade ardente perceptível em sua voz.
— Não — retruco com irritação, torcendo para que isso interrompa as perguntas. Voltamos para o apartamento. — Você obviamente sim.
Não consigo conter a inveja. Kate sempre consegue prender os homens. Ela é irresistível, linda, sexy, engraçada, extrovertida... tudo que eu não sou. Mas o sorriso com que ela responde é contagioso.
— E vou sair com ele de novo hoje à noite.
Ela bate palmas e pula como uma criança. Não consegue conter a empolgação e a felicidade, e não posso deixar de me sentir feliz por ela. Kate feliz... isso vai ser muito interessante.
— Christian vai me levar a Seattle hoje à noite.
— Seattle?
— É.
— E aí talvez vocês transem?
— Ah, espero que sim.
— Então você gosta dele?
— Gosto.
— O bastante para...?
— Sim.
Ela ergue as sobrancelhas.
— Uau. Ana Steele, finalmente apaixonada por um homem, e ele é Christian Grey: gostoso, sensual e bilionário.
— Ah, é só por causa do dinheiro. — Dou um sorrisinho, e ambas temos um acesso de riso.
— Essa blusa é nova? — quer saber Kate, e então lhe conto todos os detalhes aflitivos da minha noite.