Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Desculpe-me, meu caro amigo – disse ele enquanto olhávamos os últimos vagões do nosso trem desaparecendo numa curva –, sinto fazer de você a vítima do que pode parecer um mero capricho, mas por minha vida, Watson, eu simplesmente não posso deixar o caso nessa situação. Todos os meus instintos protestam contra isso. Está errado – está tudo errado –, juro que está errado. E ainda assim a história da dama estava completa, a confirmação da criada foi suficiente, o detalhe era preciso. O que tenho para contestar isso? Três copos de vinho, isso é tudo. Mas se eu não tivesse dado as coisas como certas, se tivesse conferido tudo com o cuidado que deveria ter demonstrado, teríamos abordado o caso de novo, e se não tivesse nenhuma história estereotipada para torcer minhas idéias, será que eu não teria descoberto algo mais definido com o qual pudesse continuar? É claro que teria. Sente-se neste banco, Watson, até que chegue um trem para Chiselhurst, e permita-me mostrar-lhe o indício, implorando-lhe primeiro que tire da cabeça a idéia de que tudo o que a criada ou sua patroa disseram tem necessariamente de ser verdade. A personalidade encantadora da dama não deve desvirtuar nosso julgamento.
– Com certeza existem detalhes na história dela que, se olharmos com sangue-frio, despertarão nossa suspeita. Esses ladrões tiveram um ganho considerável em Sydenham 15 dias atrás. Algo sobre eles e suas fisionomias apareceu nos jornais, e naturalmente seriam lembrados por qualquer um que desejasse uma história em que ladrões imaginários tomassem parte. Para falar a verdade, assaltantes que fizeram um bom ganho em seu negócio, em geral, ficam contentes em apenas desfrutar seu lucro em paz sem embarcar num outro empreendimento perigoso. Além disso, não é comum ladrões agirem tão cedo, não é comum golpearem uma dama para evitar que ela grite, já que qualquer um imaginaria que este é o caminho certo para fazê-la gritar, é incomum cometerem assassinato quando o seu número é suficiente para subjugar um homem, é incomum contentarem-se com uma pilhagem limitada quando havia muito mais ao seu alcance, e por fim, diria que foi muito estranho homens desse tipo deixarem uma garrafa meio vazia. Todos estes fatos pouco comuns não o impressionam, Watson?
– O efeito cumulativo deles com certeza é considerável, e mesmo assim cada um deles separadamente é bastante possível. A coisa mais extraordinária de todas, ao que me parece, é que a mulher estivesse amarrada à cadeira.
– Bem, não estou muito convencido disso, Watson, pois é evidente que deveriam tê-la matado ou então a amarrado de modo que não pudesse dar um alarme imediato da fuga deles. Mas de qualquer modo mostrei que há um certo elemento de improbabilidade na história da dama, não é? E agora, além de tudo isso, vem o incidente com os copos de vinho.
– O que têm os copos de vinho?
– Pode vê-los de memória?
– Vejo-os claramente.
– Disseram-nos que três homens beberam neles. Isto lhe parece provável?
– Por que não? Havia vinho em cada copo.
– Exato. Mas só havia borra em um deles. Deve ter notado o fato. O que isto lhe sugere?
– O último copo enchido tinha mais probabilidade de conter a borra.
– Nada disso. A garrafa estava cheia de borra e é inconcebível que os dois primeiros copos estivessem puros e o terceiro com muita borra. Há duas explicações possíveis, e apenas duas. Uma é que depois de ter sido enchido o segundo copo, a garrafa foi violentamente agitada, e assim o terceiro recebeu a borra. Isto não parece provável. Não, não, estou convencido de que estou certo.
– Então, o que supõe?
– Que apenas dois copos foram usados, e que os restos de ambos foram despejados no terceiro, para dar a falsa impressão de que três pessoas estiveram lá. Desse modo, toda a borra ficaria no último copo, não? Sim, estou convencido de que é isso. Mas se eu tiver encontrado a explicação verdadeira deste pequeno fenômeno, então num instante o caso passa do lugar-comum para o extraordinário, pois só pode significar que lady Brackenstall e sua criada mentiram deliberadamente, que não se deve acreditar em nenhuma palavra da história delas, que têm algum motivo muito forte para encobrir o verdadeiro criminoso, e que devemos imaginar o caso por nossa conta, sem qualquer ajuda delas. Esta é a missão que temos pela frente, e aqui, Watson, está o trem de Sydenham.
O pessoal de Abbey Grange ficou muito surpreso com a nossa volta, mas Sherlock Holmes, descobrindo que Stanley Hopkins saíra para informar à chefatura, apossou-se da sala de jantar, trancou a porta por dentro e dedicou-se, durante duas horas, a uma daquelas investigações minuciosas e trabalhosas que formam a base sólida sobre a qual suas brilhantes deduções se apóiam. Sentado num canto como um estudante interessado que observa a demonstração do professor, acompanhei cada passo daquela pesquisa memorável. A porta-janela, o tapete, a cadeira, a corda – cada um deles foi examinado com cuidado e devidamente analisado. O corpo do infeliz baronete havia sido removido, e tudo o mais permanecia como víramos pela manhã. Finalmente, para meu assombro, Holmes subiu no maciço consolo da lareira. Muito acima de sua cabeça estavam pendurados alguns centímetros da corda vermelha que ainda estavam atados ao fio. Durante muito tempo ficou olhando para ela, e depois, numa tentativa de chegar mais perto, apoiou o joelho numa prateleira de madeira na parede. Isto fez com que sua mão ficasse a poucos centímetros do pedaço partido da corda, mas não precisava tanto, pois era a própria prateleira que parecia atrair sua atenção. Por fim, pulou para o chão com uma exclamação de contentamento.
– Está tudo bem, Watson – disse. – Temos nosso caso – um dos mais memoráveis da nossa coleção. Mas, meu Deus, como fui estúpido, e quase cometi o grande erro da minha vida! Agora, acho que, com alguns elos que faltam, minha cadeia está quase completa.
– Descobriu os seus homens?
– Homem, Watson, homem. Apenas um, mas uma pessoa terrível. Forte como um leão – veja pelo golpe que amassou aquele atiçador! Quase 1,90m de altura, ágil como um esquilo, hábil com os dedos e, finalmente, com uma incrível presença de espírito, pois toda essa história engenhosa é um plano seu. Sim, Watson, deparamo-nos com um trabalho de um indivíduo notável. E mesmo assim, com aquela corda da campainha, ele nos forneceu uma pista que não nos deixa dúvida alguma.
– Onde estava a pista?
– Bem, se puxasse uma corda de campainha, Watson, onde esperaria que ela se rompesse? Com certeza no ponto em que está atada ao fio. Por que arrebentaria 8 centímetros antes do lugar, como aconteceu?
– Porque está puída ali?
– Exatamente. Esta ponta, que podemos examinar, está puída. Ele foi suficientemente esperto para fazer isso com seu canivete. Mas a outra ponta não está. Não poderia observar daqui, mas se estivesse sobre o consolo da lareira, veria que está cortada sem qualquer marca de desgaste. Pode-se reconstituir o que aconteceu. O homem precisava da corda. Não a puxaria por temer dar
o alarme tocando a campainha. O que faz? Pula para o consolo da lareira, não a alcança, põe o joelho na prateleira – verá a marca na poeira – e então pega o canivete para lançar-se sobre a corda. Não consegui alcançar o lugar por uma diferença de pelo menos 7 centímetros – e daí eu deduzo que ele é pelo menos 7 centímetros mais alto do que eu. Olhe para aquela marca no assento da cadeira de carvalho! O que é isso?
– Sangue.
– Sem dúvida é sangue. Só isto põe a história da dama fora de cogitação. Se ela estava sentada na cadeira quando o crime foi cometido, como apareceu esta marca? Não, não, ela foi colocada na cadeira depois da morte do marido. Aposto como o vestido negro mostra uma marca semelhante a esta. Ainda não encontramos nosso Waterloo, Watson, mas esta é nossa Marengo, porque começa em derrota e acaba em vitória. Agora gostaria de trocar algumas palavras com a enfermeira, Theresa. Devemos ser cautelosos por enquanto, se quisermos obter a informação de que precisamos.