Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Sim, o jornal vespertino local fez um excelente relato em sua última edição. O Oxford ganhou por um gol e dois tries. A última frase da descrição diz:
A derrota dos Light Blues pode ser inteiramente atribuída à lamentável ausência do craque internacional Godfrey Staunton, que foi sentida em todos os momentos do jogo. A falta de entrosamento entre a linha de three-quarter e sua fragilidade tanto no ataque como na defesa mais do que neutralizou os esforços de um time sólido e diligente.
– Então as previsões do nosso amigo Overton estavam corretas – disse Holmes. – Pessoalmente estou de acordo com o dr. Armstrong, futebol não está no meu horizonte. Vou cedo para a cama hoje, porque estou prevendo que amanhã pode ser um dia cheio.
Fiquei horrorizado quando vi Holmes na manhã seguinte, pois estava sentado diante do fogo segurando sua fina seringa hipodérmica. Associei aquele instrumento à única fraqueza de sua natureza, e temi o pior quando a vi cintilando em sua mão. Ele riu ao ver minha expressão de aflição e a deixou sobre a mesa.
– Não, não, meu caro amigo, não há motivo para alarme. Nesta ocasião não é um instrumento do mal, mas será a chave que desvendará nosso mistério. Nesta seringa deposito todas as minhas esperanças. Acabei de voltar de uma pequena expedição de reconhecimento, e tudo está favorável. Tome um bom café-da-manhã, Watson, pois pretendo ficar na pista do dr. Armstrong hoje, e quando estiver nela não vou parar para descansar ou comer até chegar à sua toca.
– Nesse caso – eu disse – seria melhor levar conosco nosso desjejum, pois ele está saindo cedo. Sua carruagem já está esperando.
– Não se preocupe. Deixe-o ir. Ele seria mais esperto se tomasse um caminho por onde eu não o pudesse seguir. Quando você tiver terminado, desça comigo e eu o apresentarei a um detetive que é um grande especialista no trabalho que temos pela frente.
Quando descemos, segui Holmes até o estábulo, onde abriu a porta de uma espécie de jaula e libertou um cachorro malhado, atarracado, de orelhas caídas, algo entre um beagle e um cão de caça.
– Deixe-me apresentá-lo a Pompey – disse. – Pompey é o orgulho dos farejadores locais – não muito veloz, como sua constituição mostrará, mas um cão seguro numa pista. Bem, Pompey, você pode não ser veloz, mas acho que será rápido demais para uma dupla de cavalheiros de meia-idade de Londres, de modo que tomarei a liberdade de atar esta tira de couro em sua coleira. Agora, garoto, venha e mostre o que pode fazer. – Levou-o até o portão da casa do doutor. O cão farejou por um instante, e depois, com uivo agudo de excitação, correu pela rua, puxando a tira de couro, em seu esforço para andar mais depressa. Em meia hora estávamos fora da cidade, correndo por uma estrada do campo.
– O que fez, Holmes? – perguntei.
– Um ardil batido e venerável, mas útil nesta ocasião. Fui até o pátio do doutor esta manhã e esvaziei minha seringa cheia de erva-doce na roda traseira. Um farejador seguirá a erva-doce daqui até a China, e nosso amigo, Armstrong, teria que atravessar um rio para tirar Pompey de sua pista. Oh, o patife esperto! Foi assim que me despistou naquela noite.
O cachorro saiu de repente da estrada principal e entrou numa pastagem. Meio quilômetro adiante havia outra estrada larga, e a trilha virava para a direita, em direção à cidade que acabáramos de deixar. A estrada fazia uma curva para o sul da cidade e continuava no sentido oposto ao daquele de onde partimos.
– Este détour foi inteiramente para nosso benefício, então? – disse Holmes. – Não admira que minhas perguntas aos habitantes dos lugarejos não tenham dado em nada. O doutor com certeza jogou com vontade, e gostaria de saber o motivo de um disfarce tão elaborado. Esta deve ser a vila de Trumpington, à nossa direita. E, por Deus! Aí está a carruagem fazendo aquela curva. Rápido, Watson – rápido, ou estamos perdidos!
Pulou um portão para dentro de um campo, puxando o relutante Pompey atrás dele. Mal nos escondêramos atrás de uma sebe quando a carruagem passou. Vi o dr. Armstrong lá dentro, os ombros curvados, a cabeça escondida nas mãos, a própria imagem da angústia. Eu podia perceber pela expressão grave do meu amigo que ele também tinha visto.
– Temo que haja algum fim sombrio para a nossa busca – disse. – Não levará muito tempo até sabermos. Venha, Pompey! Ah, é o chalé no campo!
Não havia dúvida de que tínhamos chegado ao fim da nossa jornada. Pompey corria e uivava impacientemente do lado de fora do portão, onde as marcas das rodas da carruagem ainda eram visíveis. Uma trilha ia até a entrada do chalé isolado. Holmes amarrou o cão na sebe e corremos para lá. Meu amigo bateu na portinha rústica duas vezes sem obter resposta. Ainda assim o chalé não estava vazio, pois um som baixo chegava aos nossos ouvidos – uma espécie de murmúrio de aflição e desespero que era indescritivelmente melancólico. Holmes parou, indeciso, então olhou para a estrada que acabara de atravessar. Uma carruagem estava chegando, e ele reconheceu aqueles cavalos pardos.
– Por Deus, o doutor está voltando! – exclamou Holmes. – Isso esclarece tudo. Estamos prestes a ver o que significa, antes que ele chegue.
Abriu a porta e entramos no saguão. O murmúrio soava alto em nossos ouvidos até que se tornou um longo e profundo lamento de angústia. Vinha lá de cima. Holmes subiu correndo, e eu o segui. Empurrou uma porta meio fechada, e nós dois paramos estarrecidos diante do que vimos.
Uma mulher, jovem e bonita, estava morta sobre a cama. Seu rosto calmo, com os olhos azuis opacos bem abertos, olhava para cima, por entre uma grande confusão de cabelos dourados. Aos pés da cama, meio sentado, meio ajoelhado, o rosto coberto pelas roupas, estava um rapaz, cujo corpo sacudia-se violentamente com seus soluços. Estava tão mergulhado em sua grande dor que não olhou para cima, até que a mão de Holmes pousou em seu ombro.
– É o sr. Godfrey Staunton?
– Sim, sim, sou eu – mas vocês estão muito atrasados. Ela está morta.
O homem estava tão atordoado que não conseguimos convencê-lo de que não éramos médicos mandados em seu auxílio. Holmes tentava dizer algumas palavras de consolo e explicar o alarme que seu súbito desaparecimento provocou nos amigos dele quando ouvimos passos na escada, e surgiu à porta o rosto maciço e austero do dr. Armstrong.
– Então, cavalheiros – disse –, chegaram ao seu destino e com certeza escolheram um momento particularmente delicado para sua intromissão. Não brigaria na presença da morte, mas lhes asseguro que se eu fosse mais moço, sua conduta monstruosa não ficaria impune.
– Desculpe-me, dr. Armstrong, creio que há um mal-entendido – disse meu amigo, com dignidade. – Se quiser descer conosco, acho que cada um de nós poderá esclarecer ao outro alguma coisa sobre este caso infeliz.
Um minuto depois, nós e o médico carrancudo estávamos na sala de estar, no andar de baixo.
– E então, senhor? – ele perguntou.
– Gostaria que compreendesse, em primeiro lugar, que não estou contratado por lorde Mount-James, e que minhas simpatias nesse assunto são inteiramente contra o nobre. Quando um homem desaparece, é meu dever descobrir seu paradeiro, mas, depois de fazer isso, o caso termina no que me diz respeito, e desde que não haja nada de criminoso, fico muito mais ansioso para evitar escândalos públicos do que para lhes dar publicidade. Se, como imagino, não há nenhuma infração da lei neste caso, pode confiar totalmente na minha discrição e na minha cooperação para manter os fatos longe dos jornais.
O dr. Armstrong deu um passo rápido à frente e apertou a mão de Holmes.
– O senhor é um bom sujeito – disse. – Julguei-o mal. Graças aos céus o meu escrúpulo em deixar o pobre Staunton sozinho nessa situação me fez voltar e, assim, conhecer o senhor. Sabendo tanto quanto o senhor sabe, a situação pode ser explicada muito facilmente. Um ano atrás, Godfrey Staunton hospedou-se em Londres por algum tempo, e apaixonou-se pela filha da senhoria, com quem se casou. Era tão boa quanto bonita, e tão inteligente quanto boa. Nenhum homem se envergonharia de uma esposa assim. Mas Godfrey era o herdeiro desse velho nobre rabugento, e estava certo de que a notícia de seu casamento seria o fim de sua herança. Eu conhecia bem o rapaz, e o amava por suas excelentes qualidades. Fiz tudo o que pude para ajudá-lo a manter as coisas em ordem. Fizemos o possível para ocultar o fato de todos, pois quando um rumor desses corre por aí, não demora muito para que todos fiquem sabendo. Graças a este chalé isolado e à sua própria discrição, Godfrey foi bem-sucedido até agora. Ninguém conhecia o segredo deles, a não ser eu e um excelente criado, que no momento foi a Trumpington buscar ajuda. Mas, por fim, houve um golpe terrível, sob a forma de uma perigosa doença de sua esposa. Era uma tuberculose pulmonar do tipo mais virulento. O pobre garoto ficou quase louco de dor, e mesmo assim tinha de ir a Londres para aquele jogo, pois não podia deixar de jogar sem explicações que revelariam seu segredo. Tentei consolá-lo com o telegrama, e ele me mandou um em resposta, implorando-me para fazer tudo o que pudesse. Este era o telegrama que o senhor parece ter visto, de uma maneira inexplicável. Não contei a ele sobre a urgência da situação, pois sabia que não poderia fazer nada aqui, mas contei a verdade para o pai da moça e ele, muito injustificadamente, a comunicou a Godfrey. O resultado é que ele veio direto para cá num estado de quase delírio, e tem ficado nesse mesmo estado, ajoelhado aos pés da cama dela, até que esta manhã a morte pôs um fim aos sofrimentos dela. Isto é tudo, sr. Holmes, e tenho certeza de que posso confiar na sua discrição e na do seu amigo.