Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Era uma pessoa interessante, esta austera enfermeira australiana – taciturna, desconfiada, indelicada; demorou algum tempo para que as maneiras agradáveis de Holmes e a franca aceitação de tudo o que ela dizia a abrandassem, fazendo-a exibir uma amabilidade correspondente. Não tentou esconder seu ódio pelo patrão falecido.
– Sim, senhor, é verdade que jogou a garrafa em mim. Ouvi quando ele xingou minha patroa, e eu lhe disse que ele não ousaria falar assim se o irmão dela estivesse lá. Foi então que ele jogou a garrafa em mim. Teria atirado uma dúzia se tivesse, mas deixou minha moça bonita em paz. Sempre a tratou mal, e ela era orgulhosa demais para reclamar. Nunca me contará tudo o que ele fez a ela. Nunca me falou daquelas marcas no braço que o senhor viu esta manhã, mas sei muito bem que resultaram de um golpe com um alfinete de chapéu. O demônio fingido – Deus me perdoe por falar assim dele, agora que está morto! Mas era um demônio, se algum já andou pela Terra. Era todo doçura quando o conhecemos – há apenas 18 meses, e nós duas sentimos como se fossem 18 anos. Ela acabara de chegar a Londres. Sim, era sua primeira viagem – nunca tinha se afastado de casa antes. Conquistou-a com seu título, seu dinheiro e suas falsas maneiras de Londres. Se ela cometeu um erro, já pagou por ele se alguma mulher o fez. Em que mês nós o conhecemos? Bem, digo-lhe que foi logo depois que chegamos. Desembarcamos em junho, foi em julho. Casaram-se em janeiro do ano passado. Sim, ela está na sala de estar novamente, e não tenho dúvida de que o atenderá, mas o senhor não deve exigir muito dela, porque já agüentou mais do que podia.
Lady Brackenstall estava recostada no mesmo sofá, mas parecia mais animada do que antes. A criada entrou conosco, e começou novamente a tratar do ferimento na sobrancelha de sua patroa.
– Espero – disse a dama – que não tenha vindo para me interrogar de novo.
– Não – respondeu Holmes na sua voz mais suave –, não vou perturbá-la desnecessariamente, lady Brackenstall, e tudo que quero é tornar as coisas mais fáceis para a senhora, pois estou convencido de que é uma mulher que já passou por muitas provações. Se me tratar como um amigo e confiar em mim, verá que corresponderei à sua confiança.
– O que quer que eu faça?
– Que me conte a verdade.
– Sr. Holmes!
– Não, não, lady Brackenstall – é inútil. Deve ter ouvido falar da minha modesta reputação. Aposto tudo no fato de que sua história é pura invenção.
A patroa e a criada olharam para Holmes com rostos pálidos e olhos amedrontados.
– O senhor é um sujeito insolente! – exclamou Theresa. – Está querendo dizer que minha patroa contou uma mentira?
Holmes levantou-se da cadeira.
– Não tem nada para me contar?
– Já lhe contei tudo.
– Pense mais uma vez, lady Brackenstall. Não é melhor ser franca?
Por um instante seu rosto bonito mostrou hesitação. Depois algum novo pensamento o fez fechar-se como uma máscara.
– Já lhe disse tudo o que sabia.
Holmes pegou o chapéu e encolheu os ombros. – Desculpe-me – disse, e sem dizer mais nada saímos do aposento e da casa. Havia um lago no parque, e meu amigo se encaminhou para lá. Estava todo congelado, mas um único buraco foi deixado para a cordialidade de um cisne solitário. Holmes olhou para ele e passou pelo portão da casa. Ali escreveu um bilhete para Stanley Hopkins e o deixou com o porteiro.
– Pode ser um tiro no alvo ou um erro, mas estamos fazendo algo por nosso amigo Hopkins, apenas para justificar esta segunda visita – disse. – Ainda não lhe confiarei tudo. Creio que nosso próximo local de operações será a agência de navegação da linha Adelaide-Southampton, que fica ao final de Pall Mall, se me lembro bem. Existe uma segunda linha de navios que ligam o sul da Austrália à Inglaterra, mas procuraremos primeiro a maior.
O cartão de Holmes, mandado ao gerente, garantiu uma atenção imediata, e ele não demorou a obter a informação de que precisava. Em junho de 1895, apenas um de seus navios chegou ao porto de origem. Era o Rock of Gibraltar, seu maior e melhor vapor. Uma olhada na lista de passageiros mostrou que
a srta. Fraser, de Adelaide, e sua criada viajaram nele. O navio estava agora em algum lugar ao sul do Canal de Suez, a caminho da Austrália. Seus oficiais eram os mesmos de 1895, com uma exceção. O primeiro oficial, sr. Jack Crocker, foi promovido a capitão e iria assumir o comando do seu novo navio, o Bass Rock, que ia partir de Southampton dentro de dois dias. Morava em Sydenham mas devia vir aquela manhã para receber instruções, se quiséssemos esperar por ele.
Não, o sr. Holmes não desejava falar com ele, mas gostaria de saber mais sobre seus antecedentes e seu caráter.
Sua ficha era magnífica. Não havia um só oficial na esquadra que se comparasse a ele. Quanto ao seu caráter, era confiável no trabalho, mas um sujeito violento e desesperado quando estava fora do deck de seu navio – cabeça-quente, irritável, mas leal, honesto e de bom coração. Essa era a essência da informação com a qual Holmes deixou o escritório da companhia Adelaide-Southampton. Depois foi até a Scotland Yard, mas, em vez de entrar, ficou sentado na carruagem com o cenho franzido, perdido em pensamentos. Por fim, foi até o posto telegráfico de Charing Cross, mandou uma mensagem, e, finalmente, voltamos mais uma vez a Baker Street.
– Não, não podia fazer isso, Watson – disse, quando entramos nos nossos aposentos. – Depois que o mandado fosse expedido, nada neste mundo o salvaria. Uma ou duas vezes em minha carreira senti que causei mais prejuízo real com minha descoberta do criminoso do que ele jamais provocou com seu crime. Aprendi a prudência agora, prefiro fazer brincadeiras com a justiça da Inglaterra do que com minha própria consciência. Vamos saber um pouco mais antes de agirmos.
Antes do anoitecer, recebemos a visita de Stanley Hopkins. As coisas não estavam andando bem para ele.
– Acredito que o senhor é um mágico, sr. Holmes. Algumas vezes chego a pensar que o senhor tem poderes que não são humanos. Agora, como diabos pôde saber que a prataria roubada estava no fundo daquele lago?
– Eu não sabia.
– Mas me aconselhou a examiná-lo.
– Conseguiu, então?
– Sim, consegui.
– Estou contente por tê-lo ajudado.
– Mas não me ajudou. Tornou o caso ainda mais difícil. Que espécie de ladrões são esses que roubam prataria e a jogam no lago mais próximo?
– Foi com certeza um comportamento bastante excêntrico. Apenas desenvolvi a idéia de que se a prataria foi levada por pessoas que não a queriam – que só a levaram para disfarçar, como de fato aconteceu –, ficariam ansiosos para se livrar dela.
– Mas por que tal idéia passou pela sua cabeça?
– Bom, pensei que isso era possível. Quando saíram pela porta-janela, lá estava o lago com um pequeno e tentador buraco no gelo, bem diante dos seus narizes. Poderia haver um esconderijo melhor?
– Ah, um esconderijo – isso é melhor! – exclamou Stanley Hopkins. – Sim, sim, vejo tudo agora! Era cedo, havia gente nas ruas, ficaram com medo de serem vistos com a prataria, de modo que afundaram os objetos no lago, pretendendo voltar para apanhar tudo quando não houvesse risco. Excelente, sr. Holmes – isto é melhor do que sua idéia de disfarce.
– Talvez, você tem uma teoria admirável. Não tenho dúvida de que minhas próprias idéias são bem absurdas, mas deve admitir que acabaram descobrindo a prata.
– Sim, senhor – sim. Tudo obra sua. Mas tive um péssimo contratempo.
– Um contratempo?
– Sim, sr. Holmes. A gangue de Randall foi presa em Nova York esta manhã.
– Meu Deus, Hopkins! Isto com certeza derruba sua teoria de que eles cometeram um assassinato em Kent na noite passada.