Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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– Um relato muito claro – disse Holmes, levantando-se e acendendo o cachimbo. – Acho, Hopkins, que você não deveria perder tempo em levar seu prisioneiro para um lugar mais seguro. Esta sala não é própria para uma cela, e o sr. Patrick Cairns ocupa um espaço muito grande no nosso tapete.
– Sr. Holmes – disse Hopkins –, não sei como expressar minha gratidão. Mesmo agora não entendo como chegou a esse resultado.
– Simplesmente tendo a boa sorte de seguir a pista certa desde o início. É possível que, se soubesse deste caderninho de anotações, tivesse ido por outro caminho, como você fez. Mas tudo que ouvi apontava numa só direção. A força espantosa, a habilidade no uso do arpão, o rum com água, a tabaqueira de pele de foca com um tabaco ordinário – tudo isso apontava para um marujo que tivesse sido pescador de baleias. Estava convencido de que as iniciais “P.C.” na tabaqueira eram uma coincidência, e não as de Peter Carey, já que ele fumava raramente, e nenhum cachimbo foi encontrado na cabine. Lembre-se de que perguntei se tinham encontrado uísque e brandy lá. Você disse que sim. Quantos homens de terra firme iriam beber rum quando podiam ter outras bebidas? Sim, eu tinha certeza de que era um marinheiro.
– E como o encontrou?
– Meu caro senhor, o problema ficara bem simples. Se era um homem do mar, só poderia ser alguém que tivesse estado com ele no Sea Unicorn. Pelo que sei, não viajou em nenhum outro barco. Passei três dias telegrafando para Dundee, e no fim desse prazo, tinha os nomes da tripulação do Sea Unicorn em 1883. Quando encontrei Patrick Cairns entre os arpoadores, minha pesquisa estava chegando ao final. Deduzi que o homem provavelmente estava em Londres, e que queria sair do país por algum tempo. Portanto passei alguns dias no East End, organizei uma expedição ao Ártico, apresentei condições bastante tentadoras para arpoadores que iriam trabalhar para o capitão Basil – e fiquei esperando para ver o resultado!
– Maravilhoso! – exclamou Hopkins. – Maravilhoso!
– Deve conseguir a libertação do jovem Neligan o mais depressa possível – disse Holmes. – Acho que você deve a ele algumas desculpas. A caixa de metal deve ser devolvida a ele, mas, é claro, os títulos que Peter Carey vendeu estão perdidos para sempre. Lá está o cabriolé, Hopkins, e pode levar o seu homem. Se precisar de mim para o julgamento, meu endereço e o de Watson será em algum lugar da Noruega – mandarei os detalhes depois.
a aventura de charles augustus milverton
Já se passaram anos desde que os incidentes de que falo aconteceram, e mesmo assim é com hesitação que me refiro a eles. Durante muito tempo, mesmo com a máxima discrição e reticência, teria sido impossível divulgar os fatos, mas agora a principal pessoa envolvida está fora do alcance da lei dos homens, e com algumas supressões a história pode ser contada de uma maneira que não prejudique ninguém. Conta uma experiência absolutamente única na carreira do sr. Sherlock Holmes e na minha própria. O leitor me desculpará se eu oculto a data ou qualquer outro fato pelo qual possa identificar a verdadeira ocorrência.
Tínhamos saído para uma das nossas caminhadas vespertinas, Holmes e eu, e voltamos mais ou menos às 18 horas de uma noite fria e nevoenta de inverno. Quando Holmes acendeu a lâmpada, vimos um cartão na mesa. Ele olhou para o cartão e depois, com uma exclamação de desgosto, atirou-o no chão. Eu o apanhei e li:
CHARLES AUGUSTUS MILVERTON
Appledore Towers, Hampstead.
Agente.
– Quem é ele? – perguntei.
– O pior homem de Londres – respondeu Holmes, sentando-se e esticando as pernas diante do fogo. – Tem alguma coisa atrás do cartão?
Virei-o.
– “Estarei aí às 18:30h – C.A.M.” – li.
– Hum! Está para chegar. Você sente um arrepio, uma sensação de aversão, Watson, quando está diante das serpentes do zoológico, e vê as criaturas escorregadias, venenosas e deslizantes, com seus olhos de morte e a expressão perversa e achatada? Bem, é esta a impressão que Milverton me dá. Tive de lidar com cinqüenta assassinos em minha carreira, mas nem o pior deles me inspirou tanta repulsa quanto a que eu tenho por esse sujeito. E mesmo assim não posso evitar de fazer negócios com ele, na verdade, ele está aqui a convite meu.
– Mas quem é ele?
– Eu lhe direi, Watson. É o rei dos chantagistas. Que os céus protejam o homem, e ainda mais a mulher, cujo segredo e reputação caírem em poder de Milverton! Com um rosto sorridente e um coração de pedra, ele pressionará e pressionará até extrair tudo deles. O sujeito é um gênio à sua maneira e teria se destacado em algum ofício mais interessante. Seu método é o seguinte: ele deixa que se saiba que pode pagar quantias elevadas por cartas que comprometem pessoas ricas e de posição. Recebe estas coisas não só de criados e empregadas, mas freqüentemente de rufiões elegantes, que ganharam a confiança e a afeição de mulheres de boa-fé. Ele não lida com mãos avarentas. Por acaso sei que pagou 700 libras a um lacaio por um bilhete de duas linhas, cujo resultado foi a ruína de uma família nobre. Tudo que está no mercado vai para Milverton, e há centenas de pessoas nesta cidade grande que empalidecem ao ouvir seu nome. Ninguém sabe onde suas garras cairão, pois é muito rico e muito esperto para agir sem pensar. Ele é capaz de guardar sua carta durante anos até jogá-la no momento em que estará valendo mais. Eu disse que era o pior homem de Londres, e lhe perguntaria como alguém poderia comparar o valentão, que com o sangue quente agride sua parceira, com este homem, que, metodicamente e por prazer, tortura a alma e atormenta os nervos, para aumentar a sua fortuna já grande?
Poucas vezes eu ouvira meu amigo falar com uma emoção tão intensa.
– Mas certamente – eu disse – o sujeito deve estar ao alcance da lei?
– Tecnicamente, sem dúvida, mas na prática não. O que lucraria uma mulher, por exemplo, em colocá-lo na prisão por alguns meses se a própria ruína dela virá logo depois? Suas vítimas não ousam reagir. Se algum dia chantagear uma pessoa inocente, aí podemos pegá-lo, mas ele é esperto como o próprio Diabo. Não, não, precisamos encontrar outros meios de lutar contra ele.
– E por que ele está aqui?
– Porque uma cliente ilustre colocou seu caso penoso em minhas mãos. É lady Eva Blackwell, a debutante mais bonita da última temporada. Vai se casar daqui a duas semanas com o conde de Dovercourt. Esse demônio tem várias cartas imprudentes – imprudentes, Watson, nada pior – que foram escritas a um jovem pobre do campo. Isso bastaria para romper o compromisso. Milverton mandará as cartas ao conde, a menos que uma grande soma lhe seja paga. Fui incumbido de me encontrar com ele e fazer o melhor acordo que puder.
Naquele instante houve um barulho e um estardalhaço na rua. Olhando para baixo, vi uma parelha e uma carruagem majestosas, as lanternas brilhantes iluminando as acetinadas ancas dos nobres cavalos castanhos. Um lacaio abriu a porta, e desceu um homem baixo e forte, com um casacão de astracã felpudo. Um minuto depois ele estava em nossa sala.
Charles Augustus Milverton era um homem de uns 50 anos, com uma cabeça grande e intelectual, um rosto redondo, gordo e liso, um perpétuo sorriso gélido, e dois vivos olhos verdes que brilhavam por detrás dos óculos largos com aro de ouro. Havia alguma coisa da benevolência do sr. Pickwick em sua aparência, prejudicada apenas pela falsidade do sorriso fixo e pelo brilho cruel dos olhos vivos e penetrantes. Sua voz era macia e suave como sua fisionomia, enquanto avançava com uma mão pequena e gorda estendida, murmurando seu pesar por não nos ter encontrado em sua visita anterior. Holmes ignorou a mão estendida e olhou para ele com um rosto de pedra. O sorriso de Milverton se ampliou, ele encolheu os ombros, tirou o casacão e o colocou com a maior tranqüilidade sobre as costas da cadeira. Então sentou-se.