Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Respire, Anastasia — murmura, e torna a se levantar. — O café da manhã chegará em quinze minutos. Você deve estar faminta.
Ele entra no banheiro e fecha a porta.
Solto o ar que estava segurando. Por que ele é tão atraente? Agora quero entrar naquele chuveiro com ele. Nunca me senti desse jeito em relação a ninguém. Meus hormônios estão enlouquecidos. A pele do meu rosto e do meu lábio inferior formiga onde ele passou o dedo. Estou me contorcendo com um desconforto, uma carência dolorosa. Não entendo essa reação. Hum... Desejo. Isso é desejo. A sensação é essa.
Deito-me nos macios travesseiros de plumas. Se você fosse minha. Ai, meu Deus, o que eu faria para ser dele? Ele é o único homem que já fez o sangue disparar nas minhas veias. Mas também é muito antipático. Difícil, complicado e confuso. Uma hora me rejeita, em seguida me manda livros de quatorze mil dólares, depois me segue como um espião. E, apesar de tudo, passei a noite em sua suíte de hotel, e sinto-me em segurança. Protegida. Ele se importa o suficiente para me resgatar de um perigo evidente. Não é um cavaleiro das trevas coisa nenhuma, e sim um cavaleiro romântico numa deslumbrante armadura reluzente, um herói clássico. Sir Gawain ou Sir Lancelot.
Levanto-me da cama, procurando freneticamente minha calça jeans. Ele sai do banheiro com o corpo molhado e brilhando da chuveirada, ainda por se barbear, só com uma toalha na cintura, e lá estou eu: pernas de fora, boquiaberta e toda sem graça. Ele fica surpreso por me ver fora da cama.
— Se estiver procurando sua calça, mandei lavar. — Seu olhar é sombrio. — Estava toda suja de vômito.
— Ah.
Fico rubra. Por que ele sempre me pega desprevenida?
— Mandei Taylor comprar outra calça e um par de sapatos. Estão na sacola em cima da cadeira.
Roupas limpas. Um bônus inesperado.
— Hã... Vou tomar um banho — murmuro. — Obrigada.
O que mais posso dizer? Pego a sacola e sigo veloz para o banheiro, afastando-me da enervante proximidade de Christian nu. O Davi de Michelangelo não tem nada para cobri-lo.
O banheiro está quente e cheio de vapor. Tiro a roupa rapidamente e entro no chuveiro, ansiosa para entrar no jorro purificante da água. A pressão da água é forte sobre mim, e viro meu rosto para a torrente acolhedora. Eu quero Christian Grey. Eu o quero desesperadamente. É fato. Pela primeira vez na vida, quero ir para a cama com um homem. Quero sentir suas mãos e sua boca em meu corpo.
Ele disse que gosta de mulheres conscientes. Então, não é celibatário. Mas não deu em cima de mim, diferentemente de Paul e José. Não entendo. Ele me quer? Ele não quis me beijar na semana passada. Será que eu causo repulsa nele? E no entanto estou aqui, ele me trouxe para cá. Simplesmente não sei qual é seu jogo. No que ele está pensando? Você dormiu a noite inteira na cama dele, e ele não tocou em você, Ana. Pense um pouco. O fantasma do meu inconsciente volta a se manifestar. Ignoro-o.
A água está quente e relaxante. Hum... Eu poderia ficar debaixo desse chuveiro, no banheiro dele, para sempre. Pego o gel de banho, e tem o cheiro dele. É um cheiro delicioso. Esfrego o produto em mim, fantasiando que é ele — ele esfregando seu sabonete divinamente perfumado em meu corpo, meus seios, minha barriga, entre minhas pernas com aquelas mãos de dedos esguios. Minha nossa. Minha pulsação se acelera de novo. Isso está tão... gostoso.
— O café da manhã chegou. — Ele bate na porta, e eu me sobressalto.
— T-tudo bem — gaguejo ao ser cruelmente arrancada do meu devaneio erótico.
Saio do chuveiro e pego duas toalhas. Ponho uma na cabeça, fazendo com ela um turbante no estilo Carmem Miranda. Seco-me às pressas, ignorando a prazerosa sensação da toalha esfregando minha pele supersensibilizada.
Inspeciono a sacola. Taylor comprou não apenas uma calça jeans e um novo par de All Stars, mas também uma camisa azul-clara, meias e lingerie. Ai, meu Deus. Sutiã e calcinha novos. Na verdade, descrevê-los dessa forma prosaica e utilitária não lhes faz jus. São peças sofisticadas de uma grife europeia. Chiques, de renda azul-clara. Uau. Estou assombrada e ligeiramente intimidada com esse conjunto de lingerie. E além do mais, cabe em mim direitinho. É claro que cabe. Enrubesço pensando no Cabelo Raspado comprando isso para mim. Pergunto-me que outros tipos de serviço ele presta.
Visto-me depressa. As roupas me servem com perfeição. Seco bruscamente o cabelo na toalha e tento controlá-lo com desespero. Mas, como sempre, ele se recusa a cooperar, e minha única opção é prendê-lo com uma presilha que não tenho. Devo ter uma na bolsa, onde quer que ela esteja. Respiro fundo. É hora de encarar o Sr. Confuso.
Fico aliviada ao encontrar o quarto vazio. Procuro depressa pela minha bolsa — mas ela não está ali. Respirando fundo de novo, entro na sala de estar da suíte. É enorme. Há uma área elegante, com sofás luxuosos e almofadas macias, uma mesa de apoio rebuscada com uma pilha de livros grandes e vistosos, uma área de escritório com um iMac de última geração, e uma enorme tevê de tela plana na parede. Christian está sentado à mesa de jantar do outro lado da sala lendo um jornal. A sala é mais ou menos do tamanho de uma quadra de tênis. Não que eu jogue tênis, mas já observei Kate algumas vezes. Kate!
— Merda, Kate — resmungo. Christian me olha.
— Ela sabe que você está aqui e ainda viva. Mandei uma mensagem de texto para o Elliot — diz ele com um leve vestígio de humor.
Ah, não. Lembro-me da dança ardente dela ontem à noite. Todos os seus passos patenteados visando o máximo de efeito para seduzir o irmão de Christian, nada menos! O que ela vai pensar de mim aqui? Nunca dormi fora de casa. Ela ainda está com Elliot. Ela só fez isso duas vezes antes, e, nas duas, eu tive que aguentar o medonho pijama cor-de-rosa por uma semana por causa das consequências. Kate vai achar que eu também transei.
Christian me olha de modo arrogante. Está com uma camisa de linho branco, com o colarinho e os punhos desabotoados.
— Sente-se — ordena, apontando para um lugar à mesa. Atravesso a sala e me sento em frente a ele conforme suas instruções.
A mesa está repleta de comida.
— Eu não sabia do que você gostava, então pedi uma seleção do cardápio de café da manhã.
Ele abre um sorriso torto de desculpas.
— É muita generosidade sua — murmuro, sem saber o que escolher, embora esteja com fome.
— É, sim — ele concorda, parecendo sentir-se culpado.
Opto por panquecas, mel, ovos mexidos e bacon. Christian tenta disfarçar um sorriso ao voltar para seu omelete de claras. A comida é deliciosa.
— Chá? — pergunta ele.
— Sim, por favor.
Ele me passa um pequeno bule de água quente e, no pires, há um saquinho de chá Twinings English Breakfast. Nossa, ele se lembra de como eu gosto do meu chá.
— Seu cabelo está muito molhado — censura ele.
— Não encontrei o secador — murmuro, encabulada.
Não que eu tenha procurado.
A boca de Christian se contrai, mas ele não diz nada.
— Obrigada pelas roupas.
— Foi um prazer, Anastasia. Essa cor fica bem em você.
Enrubesço e baixo os olhos.
— Sabe, você realmente devia aprender a receber elogios. — O tom dele é de repreensão.
— Eu devia lhe pagar por essas roupas.
Ele me fuzila com os olhos, como se eu o tivesse ofendido de algum jeito. Prossigo depressa.
— Você já me deu os livros, os quais, claro, não posso aceitar. Mas essas roupas... por favor, deixe–me pagar por elas.
Sorrio timidamente para ele.
— Anastasia, acredite, eu posso arcar com essa despesa.