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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Mas não consegui falar com ela. Ela está bem? Vejo para onde as coisas se encaminham. Preciso fazer o sermão do sexo seguro. Na minha cabeça, torço para ela ler um dos cartazes na porta do banheiro. Meus pensamentos invadem meu cérebro, lutando contra a sensação confusa de embriaguez. Está muito quente, muito barulhento, muito colorido — muito claro. Minha cabeça começa a rodar, ah, não... e sinto o chão subindo de encontro ao meu rosto, ou pelo menos é o que parece. A última coisa que ouço antes de desmaiar nos braços de Christian Grey é o seu rude epíteto.

— Merda!

CAPÍTULO CINCO

_________________________________________

Está muito silencioso. A luz está apagada. Sinto-me confortável e quentinha nesta cama. Hum... Abro os olhos, e, por um momento, curto o ambiente estranho e desconhecido, tranquila e serena. Não tenho ideia de onde estou. A cabeceira atrás de mim tem a forma de um sol imenso. É estranhamente familiar. O quarto é amplo e arejado, mobiliado luxuosamente em tons de marrom, dourado e bege. Já o vi antes. Onde? Meu cérebro atordoado se esforça para examinar a memória visual recente. Puta merda. Estou no Hotel Heathman... em uma suíte. Já estive com Kate em um quarto semelhante. Este parece maior. Ai, merda, é a suíte de Christian Grey. Como vim parar aqui?

Lembranças fragmentadas da noite de ontem voltam lentamente para me assombrar. A bebedeira — ah não, a bebedeira — o telefonema — ah não, o telefonema — o vômito — ah não, o vômito. José e Christian. Ah, não. Contraio-me por dentro. Não me lembro de vir para cá. Estou de camiseta, sutiã e calcinha. Sem meias. Sem calça jeans. Puta merda.

Olho para a mesa de cabeceira. Nela, há um copo de suco de laranja e dois comprimidos. Advil. Maníaco por controle do jeito que é, ele pensa em tudo. Sento-me na cama e tomo os comprimidos. Na verdade, não me sinto tão mal assim. Provavelmente, estou muito melhor do que mereço. O suco de laranja está divino. Mata a sede e refresca.

Ouço uma batida na porta. Meu coração sobe até a boca e fico sem voz. Ele abre a porta assim mesmo e entra.

Que inferno, ele estava malhando. Está com uma calça de moletom cinza caída daquele jeito nos quadris, e uma camiseta cinza sem manga, escura de suor, assim como seu cabelo. Suor de Christian Grey. Só a ideia já faz com que eu me sinta esquisita. Respiro fundo e fecho os olhos. Pareço uma garotinha de dois anos. Se eu fechar os olhos, não estarei realmente aqui.

— Bom dia, Anastasia. Como está se sentindo?

— Melhor do que mereço — resmungo.

Olho para ele. Ele deixa uma grande sacola de compras em uma cadeira e segura as duas pontas da toalha que está em volta do seu pescoço. Está me encarando, os olhos cinzentos sombrios, e, como sempre, não tenho ideia do que está pensando. Ele esconde os pensamentos e os sentimentos muito bem.

— Como vim parar aqui? — Minha voz é baixa, cheia de arrependimento.

Ele se senta na beira da cama. Está perto o suficiente para que eu o toque, para que eu o cheire. Ai, meu Deus... suor, sabonete e Christian. É um coquetel embriagador. Muito melhor que uma margarita, e agora falo por experiência própria.

— Depois que você desmaiou, eu não quis arriscar o estofamento de couro do meu carro levando-a até sua casa. Então a trouxe para cá — diz ele com frieza.

— Você me colocou na cama?

— Sim. — A expressão de seu rosto é imperturbável.

— Eu vomitei de novo? — Minha voz diminui ainda mais.

— Não.

— Você me despiu? — murmuro.

— Sim. — Ele ergue uma sobrancelha para mim enquanto eu enrubeço intensamente.

— A gente não...? — sussurro, a boca seca de aflição ao não conseguir completar a pergunta. Olho para minhas mãos.

— Anastasia, você estava num estado comatoso. Necrofilia não é minha praia. Gosto de mulheres conscientes e receptivas — diz ele secamente.

— Sinto muito.

Seus lábios se repuxam ligeiramente num sorriso irônico.

— Foi uma noite muito divertida. Não vou esquecê-la tão cedo.

Nem eu. Ah, ele está rindo de mim, o filho da mãe. Eu não pedi para ele me buscar. De alguma maneira, é como se eu fosse a vilã da história.

— Você não tinha que rastrear meu paradeiro com seja lá qual for a engenhoca à la James Bond que esteja desenvolvendo para quem pagar mais — digo tudo isso de uma vez só. Ele continua me olhando, surpreso e, se eu não estiver enganada, meio ofendido.

— Em primeiro lugar, a tecnologia para rastrear telefones celulares está disponível na internet. Em segundo, minha empresa não investe nem fabrica qualquer tipo de aparelho de vigilância. E, em terceiro, se eu não tivesse ido buscá-la, você provavelmente agora estaria acordando na cama do fotógrafo, e, pelo que me lembro, não estava muito entusiasmada em vê-lo lhe fazer a corte — ele rebate com azedume.

Fazer a corte! Olho para Christian. Ele está me fuzilando com o olhar, ofendido. Tento morder o lábio, mas não consigo conter o riso.

— De que crônica medieval você escapou? Parece um cavaleiro cortês.

Seu estado de espírito muda visivelmente. Ele fica com um olhar bem mais suave, uma expressão mais calorosa e um vestígio de sorriso aparece em seus lábios.

— Acho que não, Anastasia. Cavaleiro das trevas, talvez. — Seu sorriso é sarcástico, e ele balança a cabeça. — Você comeu ontem à noite?

O tom é acusador. Faço que não com a cabeça. Que enorme transgressão cometi agora? Ele cerra a mandíbula, mas continua com o rosto impassível.

— Você precisa comer. Foi por isso que passou tão mal. Francamente, é a regra número um antes de beber.

Ele passa a mão no cabelo, e sei que é porque está irritado.

— Vai continuar me repreendendo?

— É isso que estou fazendo?

— Acho que sim.

— Você tem sorte por eu só estar repreendendo você.

— Como assim?

— Bem, se fosse minha, você ficaria uma semana sem conseguir sentar depois do que aprontou ontem. Você não comeu, tomou um porre, se arriscou. — Ele fecha os olhos, uma expressão de pavor estampada por um instante em seu rosto, e estremece. Quando abre os olhos, me encara com raiva. — Odeio pensar no que poderia ter acontecido com você.

Olho de cara feia para ele. Qual é o problema desse cara? O que ele tem com isso? Se eu fosse dele... Bem, eu não sou. Se bem que talvez uma parte minha gostaria de ser. A ideia atravessa a irritação que sinto com suas palavras autoritárias. Enrubesço diante da imprevisibilidade do meu inconsciente, que está saltitando todo feliz diante da ideia de pertencer a Grey.

— Eu ficaria bem. Estava com Kate.

— E o fotógrafo? — ele me interrompe.

Hum... o jovem José. Vou precisar enfrentá-lo em algum momento.

— José só passou dos limites. — Dou de ombros.

— Bem, da próxima vez que ele passar dos limites, talvez alguém deva ensiná-lo a ter bons modos.

— Você gosta mesmo de disciplina — sibilo.

— Ah, Anastasia, você não tem ideia.

Ele aperta os olhos, e então abre um sorriso malicioso. Isso me desarma. Em um momento, estou confusa e irritada, logo em seguida, derreto-me com seu sorriso deslumbrante. Uau... É fascinante, porque o sorriso dele é muito raro. Esqueço completamente o que ele está falando.

— Vou tomar uma chuveirada. A menos que você queira ir primeiro.

Ele inclina a cabeça para o lado, ainda sorrindo. Minha pulsação se acelera, e meu cérebro se esqueceu de ativar quaisquer sinapses para me fazer respirar. O sorriso dele aumenta, e ele estica o braço e passa o polegar pelo meu rosto e pelo meu lábio inferior.

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