Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Meu caro Watson,
Escrevo estas poucas linhas por cortesia do sr. Moriarty, que me aguarda para a discussão final das questões que nos separam. Ele me fez um resumo dos métodos pelos quais evitou a polícia inglesa e se manteve informado a respeito dos nossos movimentos. Isto confirma, sem dúvida, o elevado conceito que tenho dos seus talentos. É um prazer pensar que conseguirei livrar a sociedade dos efeitos da sua presença, embora tema que seja a um preço capaz de causar sofrimento aos amigos e especialmente a você, meu caro Watson. Mas já lhe expliquei que minha carreira havia chegado a um ponto crítico e nenhuma forma de conclusão me seria mais agradável do que esta. Na verdade, se me permite uma confissão completa, eu tinha certeza de que a carta de Meiringen era falsa e deixei que você partisse convencido de que algo semelhante aconteceria. Diga ao inspetor Patterson que os documentos de que ele precisa para condenar a gangue estão no escaninho M, num envelope azul, com a inscrição “Moriarty”. Tomei todas as providências relativas aos meus bens antes de sair da Inglaterra e as confiei ao meu irmão Mycroft. Meus cumprimentos à sra. Watson, e creia que permaneço, meu caro amigo
Seu, sinceramente,
Sherlock Holmes
Poucas palavras serão suficientes para contar o que falta. Uma investigação realizada por especialistas deixou poucas dúvidas de que uma luta pessoal entre os dois terminou, como não poderia deixar de ser em tal situação, na queda de ambos, atracados um ao outro, no abismo. Qualquer tentativa de recuperar os corpos seria totalmente inútil e ali, nas profundezas daquele medonho caldeirão de água rodopiante e espuma, ficarão sepultados para sempre o mais perigoso criminoso e o maior defensor da justiça de toda uma geração. O rapaz suíço nunca mais foi encontrado e não há dúvida de que se tratava de um dos numerosos agentes empregados por Moriarty. Quanto à gangue, o público ainda deve recordar que as provas acumuladas por Holmes desbarataram completamente a organização. A mão do morto pesou sobre cada um deles. Do seu terrível chefe, poucos detalhes vieram à tona durante o processo, e se fui agora obrigado a fazer uma exposição de sua carreira, foi devido aos defensores insensatos que tentaram limpar a sua memória atacando aquele que considerarei para sempre o melhor e o mais sábio dos homens.
*
FIM
A volta de Sherlock Holmes
a aventura da casa vazia
Foi na primavera de 1894 que toda Londres ficou interessada, e o mundo da alta sociedade atemorizado, pelo assassinato do Ronald Adair em circunstâncias bastante extraordinárias e inexplicáveis. O público já ficara sabendo dos detalhes do crime que surgiram durante a investigação policial, mas uma boa parte foi suprimida na ocasião, já que as alegações para a instauração do processo eram tão esmagadoramente sólidas que não era necessário divulgar todos os fatos. Somente agora, depois de quase dez anos, é que estou autorizado a fornecer os elos que faltam, e que completam aquela cadeia memorável. O crime era, por si mesmo, interessante, mas aquele interesse não era nada para mim, comparado à seqüência incrível que me causou mais choque e surpresa do que qualquer acontecimento da minha vida de aventuras. Mesmo agora, depois deste longo intervalo, eu fico emocionado quando penso nele, sentindo mais uma vez aquela
súbita torrente de alegria, espanto e incredulidade que engolfou minha mente. Deixem-me dizer a esse público, que tem mostrado algum interesse por esses vislumbres que eu ocasionalmente lhe tenho dado sobre os pensamentos e as ações de um homem bastante notável, que não deve me censurar por eu não ter dividido meu conhecimento com ele, pois eu deveria ter considerado isso meu primeiro dever, se não tivesse sido impedido por uma proibição de seus próprios lábios, e que só foi retirada no terceiro dia do mês passado.
Pode-se imaginar que minha ligação íntima com Sherlock Holmes tenha provocado meu profundo interesse pelo crime, e que depois de seu desaparecimento nunca deixei de ler com cuidado os vários problemas que surgiram diante do público. E até tentei, mais de uma vez, para minha própria satisfação, empregar seus métodos nas soluções, embora com resultados medíocres. Não havia nenhum, no entanto, que me atraísse tanto quanto esta tragédia de Ronald Adair. Ao ler o depoimento no inquérito, que levou a um veredicto, por assassinato premeditado, contra pessoa ou pessoas desconhecidas, eu percebi mais claramente do que nunca a perda que a comunidade sofrera com a morte de Sherlock Holmes. Existem pontos sobre este caso estranho que, eu tinha certeza, o teriam atraído especialmente, e os esforços da polícia seriam suplantados ou, mais provavelmente, antecipados pela observação treinada e a mente alerta do principal detetive da Europa. Todos os dias, enquanto cumpria minha rotina, eu revolvia o caso na minha cabeça e não achava explicação que me parecesse adequada. Sob o risco de contar uma história já contada, vou recapitular os fatos como eram conhecidos do público na época da conclusão do inquérito.
O Ronald Adair era o segundo filho do conde de Maynooth, naquela época governador de uma das colônias australianas. A mãe de Adair retornara da Austrália para se submeter a uma operação de catarata, e ela, seu filho Ronald e sua filha Hilda viviam juntos no número 427 de Park Lane. Os jovens freqüentavam a melhor sociedade – até onde se sabia, não tinham nenhum inimigo ou vício especial. Ele esteve casado com a srta. Edith Woodley, de Carstairs, mas o compromisso fora rompido com consentimento mútuo alguns meses antes, e não havia nenhum sinal de que tivesse deixado para trás qualquer sentimento muito profundo. O resto de sua vida girava num círculo estreito e convencional, pois seus hábitos eram tranqüilos e sua natureza, sem emoção. Mas foi sobre este jovem aristocrata bonachão que a morte se abateu, na forma mais estranha e inesperada entre 22 horas e 23:20h de 30 de março de 1894.
Ronald Adair gostava de cartas – jogando constantemente, mas nunca com apostas que pudessem prejudicá-lo. Era membro dos clubes de jogos de cartas Baldwin, Cavendish e Bagatelle. Ficou provado que depois do jantar, no dia de sua morte, participou de um jogo de uíste no último desses clubes. Também jogara lá à tarde. O depoimento dos que jogaram com ele – . Murray, John Hardy e o coronel Moran – revelava que o jogo era o uíste e que havia um justo equilíbrio no baixar das cartas. Adair poderia ter perdido 5 libras, não mais. Sua fortuna era considerável e uma perda assim não o afetaria de maneira nenhuma. Jogava quase todos os dias num ou noutro clube, mas era um jogador prudente e geralmente ganhava. Verificou-se no depoimento que, em parceria com o coronel Moran, realmente ganhara 420 libras de uma só vez, algumas semanas antes, de Godfrey Milner e lorde Balmoral. Era assim sua história recente, como se apurou no inquérito.
Na noite do crime, ele voltou do clube exatamente às 22 horas. Sua mãe e sua irmã estavam fora, passando a noite com um parente. A criada disse no depoimento que ouviu quando ele entrou no quarto da frente do segundo andar, geralmente usado como sala de estar. Ela acendera a lareira e, como fizesse fumaça, abrira a janela. Nenhum som foi ouvido na sala até as 23:20h, a hora da volta de Maynooth e sua filha. Desejando dar-lhe boa-noite, tentou entrar no quarto do filho. A porta estava trancada por dentro, e não houve nenhuma resposta aos seus gritos e batidas. Conseguiram ajuda e arrombaram a porta. O jovem infeliz foi encontrado deitado perto da mesa. Sua cabeça fora horrivelmente mutilada por uma bala explosiva de revólver, mas não se encontrou nenhum tipo de arma no aposento. Sobre a mesa estavam duas notas de 10 libras cada e mais 17 libras, sendo dez em moedas de prata e ouro, o dinheiro arrumado em pequenas pilhas de valores variados. Havia também algumas cifras num pedaço de papel, com os nomes de alguns amigos dos clubes ao lado, e daí surgiu a hipótese de que antes de morrer ele estivesse tentando organizar uma lista de seus ganhos e perdas nas cartas.