Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– “Olá, Jack! Vim ver se podia ajudar nossos vizinhos em alguma coisa. Por que está me olhando assim, Jack? Está zangado comigo?”
– “Então foi aqui que você veio durante a noite...”
– “O que você quer dizer?”
– “Você veio até aqui, tenho certeza. Quem são essas pessoas que você visita em hora tão absurda?”
– “Nunca estive aqui antes.”
– “Como pode me dizer uma coisa que sabe que é falsa? Sua própria voz está diferente. Quando foi que tive segredos para você? Vou entrar nessa casa e esclarecer o assunto.”
– “Não, não, Jack, pelo amor de Deus!”, arquejou, profundamente abalada.
– E como eu me dirigisse para a porta, agarrou meu braço e puxou-me para trás com uma força convulsiva.
– “Imploro que não faça isso, Jack. Juro que contarei tudo um dia, mas haverá uma desgraça se você entrar naquela casa.”
– E como eu tentasse desembaraçar-me, agarrou-se a mim, suplicando, frenética:
– “Confie em mim, Jack! Confie por esta vez. Você nunca terá motivos para se arrepender. Sabe que eu não guardaria um segredo de você caso não fosse para poupá-lo. Nossas vidas estão em jogo nesta questão. Se voltar comigo para casa, tudo correrá bem. Se entrar ali à força, tudo estará acabado entre nós.”
– Havia tanta seriedade e desespero em sua atitude e em suas palavras que fiquei indeciso diante da porta.
– “Confiarei em você sob uma condição, e somente assim. Que este mistério termine aqui. Você tem liberdade para guardar o seu segredo, mas deve me prometer que não haverá novas visitas noturnas, coisa alguma que não seja do meu conhecimento. Estou disposto a esquecer o que se passou se prometer que não acontecerá mais no futuro.”
– “Eu tinha certeza de que você confiaria em mim!”, exclamou, com um profundo suspiro de alívio. “Será como deseja. Venha, vamos para casa!”
– E puxando-me pelo braço, afastou-me do chalé. Quando olhei para trás, vi aquele rosto amarelo pálido, a nos observar de uma janela do segundo andar. Que ligação poderia haver entre aquela criatura e minha mulher? E como a mulher grosseira com quem eu falara na véspera poderia ter qualquer ligação com ela? Era um enigma estranho e eu sabia que não descansaria enquanto não o esclarecesse.
– Fiquei dois dias em casa e minha mulher cumpriu lealmente o nosso acordo, pois, que eu soubesse, não arredou pé dali. Mas no terceiro dia, tive provas de que sua promessa solene não era suficiente para afastá-la da influência secreta que a afastava do marido e do dever.
– Fui à cidade naquele dia, mas voltei no trem das 14:40h, e não no das 15:36h, que é meu trem habitual. Quando entrei em casa, a criada surgiu no vestíbulo com uma expressão assustada.
– “Onde está sua ama?”, perguntei.
– “Acho que saiu para dar um passeio”, respondeu.
– Fiquei imediatamente desconfiado. Corri para cima, a fim de verificar se ela realmente não estava em casa. Olhei por acaso por uma das janelas do segundo andar, onde eu estava, e vi a criada com quem tinha acabado de falar correndo na direção do chalé. Compreendi logo o que isto significava, é claro. Minha mulher fora para lá e havia pedido à criada que a avisasse caso eu chegasse mais cedo. Enraivecido, desci a escada e saí de casa decidido a terminar essa história de uma vez por todas. Vi minha mulher e a criada aproximando-se às pressas pelo caminho, mas não parei para falar com elas. Naquela casa estava o segredo que lançava uma sombra sobre a minha vida e jurei que, fosse qual fosse o resultado, eu iria desvendar o mistério. Nem bati na porta quando cheguei lá. Girei a maçaneta e entrei no vestíbulo.
– O silêncio era total no andar térreo. Na cozinha, uma chaleira assobiava no fogo e um enorme gato preto estava deitado numa cesta, mas não havia sinal da mulher com quem eu tinha falado. Corri para a sala ao lado, mas também estava deserta. Então subi correndo a escada e encontrei dois quartos desertos. Não havia ninguém na casa. Os móveis e quadros eram dos mais vulgares, exceto no quarto em cuja janela eu tinha visto o rosto estranho. Era um aposento confortável e mobiliado com elegância, e todas as minhas suspeitas explodiram numa chama violenta e amarga quando vi sobre o consolo da lareira uma foto de corpo inteiro de minha mulher, tirada a meu pedido há apenas três meses.
– Fiquei ali o suficiente para me certificar de que a casa estava completamente deserta. Saí com um peso no coração como nunca havia sentido antes. Minha mulher apareceu no vestíbulo quando entrei em casa, mas eu estava magoado e furioso demais para falar com ela. Afastando-a, entrei no meu gabinete. Ela me seguiu e entrou também, antes que eu pudesse fechar a porta.
– “Lamento ter quebrado a minha promessa, Jack, mas se você conhecesse todas as circunstâncias, tenho certeza de que me perdoaria.”
– “Então, conte tudo”, exigi.
– “Não posso, Jack, não posso!”
– “Enquanto não me disser quem está morando naquela casa e para quem você deu a sua fotografia, não pode haver confiança entre nós dois.”
– Deixei-a ali e saí de casa. Isto aconteceu ontem, sr. Holmes, e não a vi desde então. E não sei mais nada a respeito desse caso estranho. Foi a primeira sombra que surgiu entre nós e abalou-me tanto que não sei o que fazer. Esta manhã ocorreu-me de repente que o senhor poderia me aconselhar, e corri para cá, colocando-me inteiramente em suas mãos. Se existe algum ponto que não deixei claro, por favor, pergunte. Acima de tudo, diga o que devo fazer, pois esse desgosto é mais do que posso suportar.
Holmes e eu ouvimos com o maior interesse aquela história extraordinária, narrada em frases nervosas por um homem profundamente emocionado. Meu amigo ficou em silêncio por algum tempo, o queixo apoiado na mão, perdido em pensamentos.
– Poderia jurar que era de um homem o rosto que viu na janela? – perguntou finalmente.
– Nas duas vezes eu estava distante, de modo que não poderia afirmá-lo.
– Mas parece que o rosto deu-lhe uma impressão desagradável.
– Tinha uma cor esquisita e uma rigidez estranha nos traços. Quando me aproximei, desapareceu bruscamente.
– Quanto tempo faz que sua mulher lhe pediu as 100 libras?
– Quase dois meses.
– Viu alguma foto do primeiro marido dela?
– Não. Houve um grande incêndio em Atlanta pouco depois da morte dele e todos os documentos de minha mulher foram destruídos.
– Mas, ela conservou a certidão de óbito. Disse que a viu, não é?
– Sim. Ela conseguiu uma cópia após o incêndio.
– Sabe de alguém que a conheceu nos Estados Unidos?
– Não.
– Ela alguma vez falou em voltar para lá?
– Não.
– Recebe alguma correspondência?
– Não, que eu saiba.
– Obrigado. Gostaria de refletir sobre o assunto. Se a casa estiver definitivamente desocupada, teremos dificuldades; se, por outro lado, como acho mais provável, os moradores foram prevenidos da sua chegada e saíram antes, devem estar de volta, e conseguiremos esclarecer facilmente a questão. Aconselho-o a voltar a Norbury e examinar novamente as janelas da casa. Se tiver motivos para acreditar que está habitada, não entre à força. Mande um telegrama. Eu e meu amigo estaremos lá uma hora depois de recebê-lo e esclareceremos logo toda a questão.
– E se a casa continuar deserta?
– Neste caso irei até lá amanhã e conversaremos sobre o assunto. Adeus e, acima de tudo, não se preocupe antes de saber se tem realmente motivos para isso.
Depois de acompanhar o sr. Grant Munro até a porta, meu amigo disse:
– Temo que se trate de um caso desagradável, Watson. O que você acha?
– Parece muito desagradável – concordei.
– Sim. Há chantagem no caso, ou então estou muito enganado.