Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Antes de resolver esta questão, percebi a importância do silêncio do cachorro, pois uma conclusão verdadeira invariavelmente sugere outras. O incidente com Simpson demonstrou que um cão era mantido nas cavalariças e que, embora alguém tivesse entrado e retirado um cavalo, ele não latira o suficiente para despertar os dois rapazes que dormiam no celeiro. É óbvio que o visitante noturno era alguém que o cachorro conhecia muito bem.
– Eu já estava convencido, ou quase convencido, de que John Straker havia descido até as cavalariças durante a noite e retirado daliCom que finalidade? Desonesta, é evidente, caso contrário por que teria dopado seu próprio cavalariço? Mas eu não descobria o motivo. Já houve casos de treinadores que ganharam muito dinheiro apostando contra seus próprios cavalos por intermédio de agentes e depois impedindo-os de ganhar de modo fraudulento. Às vezes é um jóquei desonesto, às vezes são métodos mais seguros e sutis. No caso, o que seria? Eu esperava que o conteúdo de seus bolsos me ajudasse a chegar a uma conclusão.
– E ajudou. Não devem ter esquecido o punhal pouco comum encontrado na mão do morto, punhal que nenhum homem sensato escolheria como arma. Como disse o dr. Watson, era um instrumento usado para uma das mais delicadas operações cirúrgicas. E seria usado naquela noite para uma operação delicada. Com sua grande experiência no turfe, deve saber, coronel Ross, que é possível fazer um pequeno corte subcutâneo nos tendões da anca de um cavalo sem deixar nenhum vestígio. Um cavalo submetido a isto começaria a mancar ligeiramente, o que seria atribuído a excesso de exercício, ou a um reumatismo brando, mas nunca a uma ação criminosa.
– Bandido! Desgraçado! – exclamou o coronel.
– Esta é a explicação do motivo pelo qual John Straker queria levar o cavalo para o pântano. Um animal tão vivo teria despertado os rapazes, por mais profundo que fosse o seu sono, ao sentir a picada de uma lâmina. Era absolutamente necessário agir ao ar livre.
– Eu estava cego! – exclamou o coronel. – Foi para isso que precisou da vela e riscou o fósforo, é claro.
– Sem dúvida. Mas, ao examinar seus pertences, tive a sorte de descobrir não só o método do crime, mas também os motivos. Como homem de sociedade, coronel, sabe que ninguém carrega no bolso contas alheias. Todos nós já temos preocupações suficientes para manter em dia as nossas. Concluí imediatamente que Straker vivia uma vida dupla e mantinha uma outra casa. A natureza da conta revelava que havia uma mulher na história e que ela gostava de coisas caras. Por mais liberal que você seja com os seus empregados, não espera que eles comprem vestidos de25 guinéus para suas mulheres. Interroguei a sra. Straker em relação ao vestido sem que ela o percebesse e, tendo me certificado de que ela jamais o recebera, anotei o endereço da costureira e achei que, indo lá com uma foto de Straker, eliminaria com facilidade o fictício Derbyshire.
– Daí em diante tudo ficou fácil. Straker havia conduzido o cavalo até uma depressão do terreno onde a luz ficaria invisível. Simpson, na fuga, deixara cair a gravata e Straker a apanhara, talvez com a intenção de usá-la para amarrar a perna do cavalo. Na depressão, postou-se atrás do animal e riscou o fósforo, mas o cavalo, assustado pela claridade súbita e dotado do estranho instinto dos animais, que sentem quando algo os ameaça, soltou-se e sua ferradura de aço atingiu Straker em cheio na testa. Apesar da chuva, ele havia tirado o sobretudo para executar sua delicada tarefa, de modo que, ao cair, a lâmina cortou-lhe a coxa. Deixei tudo bem claro?
– Maravilhoso! – exclamou o coronel. – Maravilhoso! Como se tivesse visto a cena.
– Meu lance final, confesso, foi um tiro no escuro. Achei que um homem esperto como Straker não iria executar a tarefa delicada de perfurar um tendão sem praticar um pouco antes. Como teria praticado? Meu olhar caiu sobre as ovelhas, fiz uma pergunta e, para minha surpresa, percebi que a hipótese era correta.
– Esclareceu perfeitamente o caso, sr. Holmes.
– Voltando a Londres, visitei a costureira, que prontamente admitiu que Straker era um excelente freguês, chamado Derbyshire, cuja mulher era muito elegante e gostava de vestidos caros. Estou certo de que ela o afundou em dívidas, conduzindo-o, assim, a este plano infeliz.
– Explicou tudo, menos um detalhe! – exclamou o coronel. — Onde estava o cavalo?
– Saiu em disparada pelo pântano e foi recolhido por um dos seus vizinhos. Acho que precisamos de uma anistia neste caso... Estamos em Clapham Junction, se não me engano, e em menos de dez minutos chegaremos a Victoria. Se quiser fumar um charuto conosco, coronel, será um prazer fornecer-lhe qualquer outro detalhe que possa interessá-lo.
o rosto amarelo
Ao publicar estes resumos baseados nos numerosos casos em que fui testemunha dos dons especiais de meu amigo, e eventualmente ator em algum drama estranho, é natural que eu dê mais atenção aos seus êxitos do que aos fracassos. E faço isso não tanto por causa de sua reputação – pois quando estava sem saber o que fazer é que sua energia e versatilidade se mostravam mais extraordinárias – mas porque, nos casos em que fracassou, ninguém mais teve êxito e a história permaneceu sem uma conclusão. Mas, de vez em quando, mesmo quando ele errava, a verdade vinha à tona. Guardo anotações de meia dúzia de casos desse tipo, entre os quais o do Ritual Musgrave e o que vou contar agora são os que apresentam características mais interessantes.
Sherlock Holmes era homem que raramente fazia exercícios pelo simples prazer de se exercitar. Poucos seriam capazes de maior esforço muscular, e ele era, sem dúvida, um dos melhores boxeadores de sua categoria que jamais conheci; mas considerava o esforço físico sem objetivo pura perda de energia, e ele raramente se punha em movimento, a não ser quando havia algum motivo profissional. Nessas ocasiões mostrava-se absolutamente incansável. É extraordinário que se mantivesse em forma nessas circunstâncias, mas sua dieta era, em geral, das mais frugais e seus hábitos tão simples a ponto de serem quase austeros. Com exceção do uso ocasional da cocaína, não tinha vícios, e só recorria à droga em protesto contra a monotonia da existência, quando os casos eram raros e os jornais desprovidos de interesse.
Um dia, no início da primavera, ele cedeu a ponto de fazer um passeio comigo no parque, onde os primeiros brotos verdes despontavam nos olmos e os ramos dos castanheiros começavam a cobrir-se de folhas. Caminhamos durante duas horas, quase sempre em silêncio, como convém a duas pessoas que se conhecem intimamente. Eram quase 17 horas quando voltamos a Baker Street.
– Um cavalheiro esteve aqui perguntando pelo senhor – disse o criado ao abrir a porta.
Holmes lançou-me um olhar de censura.
– Veja para que servem os passeios à tarde! O cavalheiro já foi embora?
– Sim, senhor.
– Não o convidou a entrar?
– Sim, senhor, ele entrou.
– Quanto tempo esperou?
– Meia hora. Parecia muito agitado. Ficou andando de um lado para outro durante todo o tempo em que esteve aqui. Como eu estava esperando junto à porta, ouvi muito bem. Finalmente ele saiu para o vestíbulo, dizendo: “Esse homem não vai chegar nunca?” Foi assim mesmo que ele falou, senhor. “Espere um pouquinho”, eu disse. “Então vou esperar lá fora. Tenho a impressão de que vou sufocar. Voltarei daqui a pouco.” Saiu e eu não consegui detê-lo.