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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Richard resolveu levar suas imagens de computador até um dos líderes das aves e pedir, de algum modo, para conhecer o resto do cilindro. Não era tarefa fácil. Alguma espécie de crise andava preocupando as aves naquele dia em particular e os corredores estavam cheios de aves matraqueando, guinchando e correndo de um lado para outro. Do grande corredor vertical central, Richard observou trinta ou quarenta das criaturas maiores saírem voando do cilindro em alguma espécie de formação organizada.

Finalmente, Richard conseguiu obter a atenção de um dos gigantes de três círculos. Este ficou fascinado pelos detalhes que viu no monitor do computador e por todas as várias representações geométricas de seu lar. Mas Richard não conseguiu transmitir sua mensagem principal — a de que desejava ver o resto do cilindro.

O líder chamou alguns colegas para ver a demonstração e Richard foi alvo de excitada matraqueação de apreço. Ele foi dispensado, no entanto, quando um outro pássaro interrompeu sua reunião com o que deviam ser notícias importantes a respeito da crise em curso.

Richard voltou para sua cela. Estava deprimido. Deitou-se em seu colchão de feno e pensou na família que deixara no Novo Éden. Talvez seja hora de eu ir embora, pensou, indagando-se sobre qual seria o protocolo na avelândia para a obtenção de permissão para partir. Enquanto estava deitado, entrou uma visita em seu quarto.

Richard jamais vira aquela espécie de ave antes. Tinha quatro anéis azulcobalto em torno do pescoço e a camada de veludo que cobria seu corpo era de um preto profundo com ocasionais tufos brancos. Seus olhos eram espantosamente claros e — ou assim pensou Richard — muito tristes. A ave esperou que Richard se pusesse de pé e então começou a falar, muito devagar.

Richard compreendeu algumas das palavras, e — muito importante — a combinação muitas vezes repetida “siga-me”.

Fora da cela três outras aves aguardavam respeitosamente de pé. Estas caminharam atrás de Richard e seu importante visitante. O grupo deixou a área da cela, cruzou a única ponte que atravessava todo o grande corredor vertical e entraram no setor do cilindro no qual eram guardados os melões manás.

Atrás de um dos galpões de depósito de melões manás havia reentrâncias na parede que Richard não notara quando realizou seu levantamento. Quando Richard e as aves se aproximaram até poucos metros das mesmas, a parede deslizou para um lado e revelou o que parecia ser um enorme elevador. O superlíder das aves fez um gesto para que ele entrasse.

Uma vez lá dentro, cada uma das quatro aves matraqueou “adeus” e as quatro formaram um círculo para formalizar a despedida com um giro e uma curvatura. Richard fez o que pôde para imitar seu matraquear antes de ele também curvar-se e entrar no elevador. A parede fechou-se segundos mais tarde.

4

A descida no elevador foi dolorosamente lenta. O imenso carro tinha um piso de cerca de trinta metros quadrados, com oito ou dez metros de pé direito. O piso era liso e plano em toda a área, a não ser por dois pares de sulcos paralelos, um a cada lado de Richard, que corriam da porta até o fundo do elevador. Sem dúvida, eles podem transportar cargas enormes nisto aqui, pensou Richard, olhando para o alto teto.

Tentou fazer uma estimativa da velocidade de descida, mas era impossível, pois não tinha qualquer ponto de referência. Segundo o mapa do cilindro feito por Richard, os depósitos de melão maná deviam ficar a mil e cem metros acima da base. De modo que se formos até embaixo, ao que seria a velocidade normal de um elevador na Terra, esta viagem demoraria vários minutos.

Foram os três minutos mais longos de sua vida. Richard não tinha absolutamente qualquer idéia do que encontraria quando as portas do elevador se abrissem. Talvez eu me veja do lado de fora, pensou de repente. Talvez esteja no limiar daquela região com as edificações brancas… Será que estão me mandando para casa?

Estava justamente começando a imaginar como a vida poderia ter mudado no Novo Éden, quando o elevador parou. As grandes portas se abriram e durante vários segundos Richard teve a sensação de que o coração lhe tinha saído pela boca. Paradas exatamente defronte dele, e claramente a observá-lo com todos os seus olhos, estavam duas criaturas muito mais estranhas do que qualquer coisa que ele já houvesse imaginado.

Richard não conseguia se mover. O que via era de tal modo inacreditável que ele ficou paralisado enquanto sua mente lutava com os bizarros dados que recebia por meio de seus sentidos. Cada um dos seres diante dele tinha quatro olhos em sua “cabeça”. Além dos ovais, grandes e leitosos, a cada lado de uma linha de simetria invisível, que dividia em dois a cabeça, cada criatura tinha dois olhos adicionais ligados a duas hastes que se elevavam uns dez ou doze centímetros acima da testa. Atrás das grandes cabeças, seus corpos tinham mais dois segmentos, com um par de apêndices para cada segmento, o que lhes dava um total de seis pernas. Os alienígenas estavam eretos, de pé nas patas traseiras, com os quatro apêndices frontais cuidadosamente recolhidos de encontro a seus ventres de cor creme.

Quando elas avançaram na direção dele no elevador, Richard recuou, assustado; as duas criaturas viraram-se uma para a outra e comunicaram-se entre si por meio de um ruído de alta freqüência que vinha de um pequeno orifício circular abaixo dos olhos ovais. Richard piscou, sentiu-se tonto, e caiu sobre um joelho para se reequilibrar, com o coração ainda batendo furiosamente.

Os alienígenas também mudaram de posição, pousando no chão suas pernas do meio. Em tal posição, eles pareciam formigas gigantes com as patas dianteiras recolhidas e a cabeça alta. Durante o tempo todo, as esferas pretas na ponta das hastes dos olhos continuaram a girar, varrendo os 360°, enquanto os materiais leitosos nos ovais marrons escuros se moviam de um lado para outro.

Por vários minutos as criaturas ficaram mais ou menos paradas, como que encorajando Richard a examiná-las. Lutando contra o medo, ele tentou estudá-las de forma objetiva, científica. As criaturas eram mais ou menos do tamanho de cães de porte médio, mas por certo pesariam muito menos. Seus corpos eram magros e muito firmes. Os segmentos das extremidades eram maiores do que o do meio, e as três divisões corporais ostentavam uma carapaça brilhante feita de alguma espécie de material duro.

Richard os classificaria como insetos muito grandes, se não fosse por seus extraordinários apêndices, que eram grossos, talvez até dotados de músculos e cobertos por um “cabelo” curto, muito denso e preto com listras brancas que fazia com que as criaturas parecessem estar usando meias-calças. Suas mãos, se fosse esse seu rótulo adequado, eram livres dessa camada de cabelo e tinham quatro dedos cada, inclusive um polegar com movimento de oposição no par dianteiro.

Richard conseguira tomar coragem suficiente para olhar novamente para aquelas cabeças inacreditáveis quando se ouviu um ruído agudo, como o de uma sirene, atrás dos dois alienígenas, que se viraram. Richard levantou-se e viu uma terceira criatura aproximando-se com passos rápidos. Seus movimentos eram fascinantes. Corria como um gato de seis pernas, esticando-se paralelamente ao chão e dando impulso com um par diferente de pernas a cada passada.

Os três puseram-se a conversar rapidamente e o recém-chegado, levantando a cabeça e as patas da frente, indicou com clareza a Richard que ele deveria deixar o elevador. Ele saiu e caminhou atrás do trio até entrar em um grande salão.

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