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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Richard estava a ponto de tirar do bolso sua lanterna, quando ouviu sons abaixo e atrás dele. Segundos mais tarde, viu um jato de luz vindo em sua direção lá no piso do anel.

Ele se enfurnou como pôde para o interior do habitat, a fim de evitar a luz, e ouviu cuidadosamente os sons que chegavam até ele. É a câmera portátil, pensou ele. Mas seu alcance é limitado, pois não pode operar sem o cabo que a conduz.

Richard ficou muito quieto. E o que faço agora? perguntou-se ele, quando ficou claro que a luz presa à câmera continuava a varrer a área embaixo da vigia.

Eles devem ter visto alguma coisa. Se eu acender minha lanterna e houver um mínimo de reflexo, saberão que estou aqui.

Ele deixou cair um pequeno objeto no piso do habitat para ter a certeza de que seu nível era o mesmo do anel. Não ouviu nada. Tentou um objeto ligeiramente maior, mas mesmo assim continuou a não haver qualquer som do mesmo batendo no chão.

Suas batidas cardíacas aceleraram-se muito quando constatou que o piso do interior do habitat seria muito abaixo do piso do anel. Lembrou-se da estrutura básica de Rama, com sua grossa casca externa, e compreendeu que o fundo do habitat poderia ficar várias centenas de metros abaixo do ponto em que estava sentado. Richard esticou-se para a frente e novamente espiou para o vazio.

A câmera manobrável repentinamente parou de se mover e sua luz ficou focalizada em um ponto específico no anel. Richard concluiu que alguma coisa devia ter caído de sua mochila enquanto ele corria capengando da passagem até a área embaixo da vigia. Sabia que outras luzes e câmeras chegariam em breve.

Richard pôde imaginar-se preso e levado de volta para o Novo Éden. Ele não sabia que lei específica da colônia ele poderia ter quebrado, mas sabia que cometera várias violações. Um profundo ressentimento percorreu-o quando contemplou a possibilidade de passar meses ou anos detido. Em nenhuma circunstância hei de permitir que isso aconteça.

Ele alcançou o muro interno do habitat para verificar se havia falhas suficientemente grandes onde pudesse apoiar os pés e as mãos. Contente por não ser uma decida impossível, revirou a mochila atrás da corda de alpinismo e fixou uma ponta no eixo que sustentava a porta da tela. Caso eu escorregue, pensou ele. Havia uma segunda luz no anel atrás dele. Richard deslizou para dentro do habitat com a corda firmemente amarrada na cintura. Ele não se pendurou na corda, mas usou-a como apoio ocasional enquanto tateava atrás dos apoios na escuridão. A descida não era tecnicamente difícil, havia pequenas saliências onde Richard podia apoiar os pés.

E lá foi ele, descendo sem parar. Quando calculou já ter descido uns sessenta ou setenta metros, Richard resolveu parar e tirar a lanterna da mochila.

A luz que brilhou na parede não lhe trouxe qualquer consolo; continuava a não conseguir ver o fundo. O que pôde ver, talvez uns cinqüenta metros mais abaixo, era muito difuso, assim como uma nuvem, ou talvez neblina. Essa é grande, pensou sarcasticamente Richard, essa é realmente grande.

Mais outros trinta metros e ele chegou ao fim de sua corda de escalada.

Richard já podia sentir a umidade da neblina. Àquela altura, ele estava extraordinariamente cansado. Já que não estava disposto a abandonar a segurança da corda, ele voltou atrás por vários metros, enrolou a corda à sua volta várias vezes e adormeceu com o corpo grudado na parede.

2

Seus sonhos foram muito esquisitos. Muitas vezes estava caindo, caindo de cabeça para baixo, sem nunca chegar ao fundo. Em seu último sonho antes de acordar, Toshio Nakamura e dois imensos capangas orientais o interrogavam em uma pequena sala de paredes brancas.

Ao despertar, Richard ficou sem saber onde estava por vários segundos.

Seu primeiro movimento foi para afastar o rosto da superfície metálica da parede.

Alguns momentos depois, Richard lembrou-se de que havia adormecido em posição vertical na parede interna do habitat das aves e, acendendo sua lanterna, apontou-a para baixo. Seu coração deu um pulo quando viu que não havia mais neblina mas, ao invés, dava para ver a parede continuar ainda muito para baixo e o que parecia água no ponto onde ela finalmente terminava.

Ele encostou a cabeça para trás e olhou para cima. Já que sabia estar cerca de noventa metros abaixo da vigia (sua corda para escalada tinha cem metros), calculou a distância até a água em cerca de 250 metros. Seus joelhos ficaram moles quando seu cérebro começou a apreender integralmente sua situação. Quando começou a desembaraçar-se das várias voltas extras que dera com a corda antes de dormir, notou que seus braços e mãos estavam tremendo.

Sentia um tremendo desejo de fugir, de subir novamente para a vigia e abandonar de vez aquele mundo que lhe era alheio. Não, disse Richard a si mesmo, lutando contra a reação instintiva. Ainda não; só se não houver qualquer outra opção viável.

Decidiu que primeiro comeria alguma coisa. Com eficiência, Richard livrou-se de parte da corda e tirou um pouco de comida e água da mochila.

Depois conseguiu virar-se um pouco e voltou sua lanterna para o interior do habitat. Pensou poder discernir alguns volumes e formas a distância, mas não tinha certeza. Pode ser pura imaginação. Acabando de comer, verificou as reservas de comida e água e fez uma lista mental de suas opções. É tudo muito simples, disse de si para si, com um riso nervoso. Posso voltar para o Novo Éden e virar um condenado. Ou posso abdicar da segurança de minha corda e continuar descendo. Parou e olhou para cima e para baixo. Ou posso ficar aqui e esperar por um milagre.

Lembrando-se de que as aves vieram rapidamente quando o Príncipe Hal guinchara, Richard começou a gritar. Ao fim de dois ou três minutos, parou e começou a cantar. Cantou intermitentemente durante quase uma hora. Começou com seus dias na Universidade de Cambridge, depois passou para canções populares durante seus solitários dias de adolescência. Richard ficou surpreendido por lembrar-se tão bem das letras. A memória é um engenho espantoso. O que será que explica sua confiabilidade seletiva? Por que razão sou capaz de me lembrar de praticamente toda a letra dessas canções tolas e virtualmente nada de minha odisséia em Rama?

Richard estava a ponto de pegar novamente sua lanterna, quando de repente o habitat se iluminou. Ficou tão assustado que seus pés escorregaram da parede e todo o seu peso ficou preso pela corda durante alguns segundos. A luz não chegava a ser ofuscante, era antes parecida com a da chegada da aurora em Rama II no momento em que ele estava subindo no elevador de cadeira, mas mesmo assim era luz. Tão logo Richard se sentiu novamente firme, ele começou a observar o mundo que agora se desvelava à sua frente.

A fonte de iluminação era uma grande bola envolta em uma coberta que pendia do teto do habitat. Richard calculou que a bola estivesse a uns quatro quilômetros de distância dele e cerca de um quilômetro acima do alto da estrutura mais proeminente que podia ver, um grande cilindro no centro geométrico do habitat. Uma cobertura opaca envolvia três quartos superiores da bola brilhante, de modo que a maior parte de sua luz estava voltada para baixo.

O princípio básico do desenho do interior do habitat era a simetria radial.

No centro ficava ereto o cilindro marrom, parecendo que fosse feito de terra e provavelmente medindo 1.500 metros de altura. Richard, naturalmente, só podia ver um dos lados da estrutura, porém pela curvatura calculou que seu diâmetro ficasse entre dois e três quilômetros.

Não havia janelas ou portas no exterior do cilindro. Nenhuma luz escapava de seu interior. A única alteração do lado externo da estrutura era um conjunto de linhas curvas e bem separadas, cada uma das quais começava no alto e corria em torno de todo o cilindro antes de atingir a base exatamente embaixo de seu ponto de origem. A base do cilindro ficava mais ou menos à mesma altura que a vigia pela qual Richard havia entrado.

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