O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Elas eram ligeiramente diferentes das que ele e Nicole haviam encontrado em Rama II. Estas tinham a mesma cobertura aveludada em todo o corpo, porém o veludo aqui era roxo. Um único anel circundava-lhes os pescoços, e era negro.
Elas também eram menores (talvez sejam mais jovens, pensou Richard) do que as primeiras aves, e muito mais frenéticas. Uma das criaturas efetivamente tocou a face de Richard com sua garra quando ele não se dirigiu rapidamente para a parede.
Richard acabou subindo na parede, apenas o suficiente para sair da água, porém isso não apaziguou as aves. Quase que imediatamente os dois pássaros começaram a executar — cada um por sua vez — vôos de desenho cada vez mais estreito, indicando a Richard que queriam que ele subisse. Quando ele não se moveu, tornaram-se ainda mais frenéticas.
“Eu quero ir com vocês”, disse Richard apontando para o cilindro marrom.
A cada vez que ele repetia o gesto de mão, as criaturas gigantescas guinchavam e matraqueavam e voavam na direção da vigia. As aves estavam ficando frustradas e Richard começou a ficar preocupado com a possibilidade de elas o atacarem.
Repentinamente, ele teve uma idéia brilhante, mas será que me lembro do código de entrada? Já foi há tantos anos.
Quando ele abriu a mochila e enfiou a mão nela, as aves fugiram imediatamente. “Isso prova”, disse Richard em voz alta enquanto ligava seu bemamado computador portátil, “que os pernudinhos são seus observadores eletrônicos. De outro modo, como poderiam saber que os seres humanos podem guardar armas em mochilas como esta?”
Ele apertou cinco letras no teclado e deu um grande sorriso quando viu que a tela estava mostrando o que queria. “Venham cá”, disse Richard, acenando para os dois imensos pássaros que haviam se afastado quase que para o outro lado do fosso. “Venham cá”, repetiu, “eu tenho uma coisa para mostrar a vocês”.
Ele levantou o monitor e exibiu o complexo gráfico de computador que ele usara muitos anos antes, em Rama II, a fim de convencer as aves a carregar Nicole e ele através do Mar Cilíndrico. Era um gráfico elegante que mostrava três aves carregando duas figuras humanas por cima de uma área de água, por meio de arreio. As duas criaturas aproximaram-se um tanto hesitantes. Isso mesmo, disse Richard para si mesmo, excitado. Venham aqui e dêem uma boa olhada.
3
Richard não sabia exatamente há quanto tempo estava vivendo naquele quarto semi-escuro. Perdera conta do tempo pouco depois que eles lhe tiraram sua mochila. Sua rotina era sempre a mesma, dia após dia. Ele dormia em um canto do quarto. Sempre que despertava, fosse de um cochilo ou de um sono prolongado, duas aves entravam em seu quarto vindo do corredor e lhe entregavam um melão maná para comer. Ele sabia que elas vinham da porta trancada que ficava no fim do corredor, mas quando ele tentava dormir perto da porta elas simplesmente lhe negavam comida. Foi uma lição simples para Richard aprender.
Dia sim, dia não, mais ou menos, um novo par de aves entrava em sua prisão e limpava seus dejetos. Suas roupas estavam fedendo e Richard sabia que estava insuportavelmente imundo, porém não conseguira comunicar a seus captores que desejava um banho.
Ele ficara exultante a princípio. Quando as duas aves jovens finalmente se aproximaram o bastante para olhar o gráfico e depois tentaram tirar-lhe o computador pela primeira vez, alguns minutos mais tarde, Richard resolvera programar a tela para repetir o mesmo quadro indefinidamente.
Em menos de uma hora, a maior ave que jamais vira, com corpo de veludo cinzento e três brilhantes círculos cereja no pescoço voltara com as duas jovens, e as três levantaram Richard com suas garras. Elas o carregaram para o outro lado do fosso, pousaram-no temporariamente em uma área deserta e depois, após uma série de matraqueações entre si, que devia ter sido um debate a respeito da melhor maneira de carregá-lo, elas o haviam levantado para bem alto.
Fora um vôo de tirar o fôlego. A vista que Richard dominara da paisagem no habitat o lembrara de um passeio de balão que fizera certa vez pelo sul da França. Ele voara nas garras das aves até o topo do cilindro marrom, diretamente embaixo da brilhante bola parcialmente coberta. Lá foram recebidos por meia dúzia de outras aves, uma delas carregando o computador de Richard que continuava a repetir seu sinal gráfico. Depois, ele foi levado por um corredor vertical para o interior do cilindro.
Nas primeiras quinze horas, mais ou menos, Richard fora levado de um grupo de aves para outro. Ele pensara que seus anfitriões estavam apenas apresentando-o a todos os cidadãos da avelândia. Pressupondo que não houvesse muitas aves que comparecessem a mais de uma sessão de matraqueamento e guinchos, Richard calculou que existiam aproximadamente setecentas aves.
Depois de sua parada pelas salas de conferência do reino aviano, Richard fora levado a um quarto pequeno onde uma ave de três círculos e duas companheiras, também criaturas enormes com três círculos vermelhos no pescoço, observaram-no noite e dia durante uma semana. Durante esse tempo, Richard teve acesso a seu computador e a todos os itens dentro de sua mochila. Ao final da observação, no entanto, elas lhe haviam tirado todos os seus pertences e o levado para sua prisão.
Isso deve ter sido há três meses, uma semana mais ou menos, disse Richard a si mesmo, enquanto começava sua caminhada que, duas vezes por dia, constituía seu exercício regular básico. O corredor fora de seu quarto tinha aproximadamente duzentos metros de comprimento. Normalmente ele dava oito voltas completas, indo e vindo da porta no fim do corredor até a parede de pedra fora de seu quarto.
E durante todo esse tempo não houve uma única visita dos líderes. De modo que o período de observação deve ter sido meu julgamento… Ou pelo menos seu equivalente em termos de aves… E será que me consideraram culpado de alguma coisa? Será por isso que fiquei preso nesta celinha miserável?
Os sapatos de Richard estavam se acabando e suas roupas estavam em trapos. Já que a temperatura era confortável (conjecturou que a temperatura de 26 °C devia ser constante em todo o habitat), não se preocupava com a possibilidade de frio. Mas por várias razões não esperava com entusiasmo ficar permanentemente nu depois de suas roupas finalmente se desintegrarem. Sorriu, lembrando-se de seu pudor durante o período de observação. Fazer cocô com três aves gigantescas te observando a cada momento certamente não era tarefa das mais fáceis.
Ele estava cansado de comer melão maná em todas as suas refeições. O líquido que ficava dentro era refrescante e a carne úmida de sabor agradável. Mas Richard ansiava por algo diferente para comer. Até aquela coisa sintética da Sala Branca seria uma mudança bem-vinda, persuadiu-se ele, por várias vezes.
Em sua solidão, o maior desafio para Richard era o da preservação de sua acuidade mental. Começara a resolver problemas matemáticos de cabeça. Mais recentemente, preocupado com a possibilidade de que a agudeza de sua memória já houvesse decaído em certa medida em função da idade, começara a passar o tempo reconstruindo eventos e até mesmo os principais segmentos cronológicos de sua vida.
De particular interesse para ele durante esses exercícios de memória eram os grandes vazios associados à sua odisséia em Rama II, durante a viagem da Terra para o Nodo. Embora fosse difícil para Richard lembrar-se de acontecimentos específicos da odisséia, comer melão maná sempre evocava fragmentos de memória de sua longa permanência com as aves durante a jornada.
Certa vez, depois de uma refeição, ele repentinamente lembrou-se de uma grande cerimônia com muitas aves. Lembrou-se de um fogo em uma estrutura abobadada e todas as aves lamentando-se em uníssono depois que o fogo se apagou. Richard ficara perplexo. Não foi capaz de se recordar de nada no contexto daquela lembrança. Onde tivera lugar aquilo? Fora logo antes de eu ser capturado pelas octoaranhas? ficou imaginando. Mas como sempre, quando tentava lembrar-se do que experimentara entre as octoranhas, acabava com uma tremenda dor de cabeça.