O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Richard concluiu que o que ele julgava serem princípios fundamentais biológicos não se aplicavam a aves e myrmigatos.
Enquanto Richard refletia sobre as estranhas coisas que tinha aprendido, um grupo de myrmigatos reuniu-se em torno dele. Todos fizeram-lhe gestos para que se levantasse. Um minuto mais tarde, ele os estava seguindo por uma rampa circular do outro lado do salão para uma cripta especial no porão de sua catedral.
Pela primeira vez desde que entrara no habitat, a luz era mortiça. Os myrmigatos a seu lado moviam-se lenta, quase que reverentemente, enquanto desciam por uma passagem larga com o teto em arco. No outro extremo da passagem havia um par de portas que se abriram para uma grande sala cheia de um material branco e macio. Embora o material, que de longe lembrava algodão, parecesse denso pela quantidade, cada filamento individual era de modo geral muito fino, a não ser pelo fato de eles se apresentarem em bolos, ou gânglios, espalhados sem qualquer plano definido pela grande massa branca.
Richard e os myrmigatos pararam na entrada, cerca de um metro de onde o material branco começava. Aquela teia parecendo algodão estendia-se em todas as direções, no que foi possível a Richard ver. Enquanto estudava sua intrincada construção de malha, os elementos do material começaram a mover-se lentamente, afastando-se para formar uma trilha que continuaria o caminho do corredor para o interior daquela rede. Está vivo, pensou Richard, cujo pulso disparou enquanto olhava tudo fascinado.
Cinco minutos mais tarde, a trilha se abrira o bastante para que Richard entrasse dez metros para dentro do material. Os myrmigatos à sua volta estavam todos apontando no sentido da teia de algodão. Richard começou a abanar a cabeça. Desculpe, pessoal, quis dizer, mas há qualquer coisa a respeito desta situação que eu não gosto. De modo que vou pular esta parte do tour, se não se importam.
Os myrmigatos continuavam apontando. Richard sabia que não tinha escolha. O que será que isso me fará? indagou-se, ao dar o primeiro passo à frente. Me comer? Será que tudo afinal leva a isso? Mas não faria sentido.
Virou-se. Os myrmigatos não tinham se mexido. Richard respirou fundo e caminhou os dez metros da trilha, até chegar a um ponto no qual podia tocar um dos estranhos gânglios daquela malha viva. Enquanto examinava cuidadosamente o gânglio, o material à sua volta começou a se mover novamente, Richard girou e viu que a trilha atrás dele estava se fechando. Momentaneamente frenético, ele tentou correr naquela direção, de volta para o corredor, mas foi uma perda de energia. A teia o apanhou e ele resignou-se a aceitar o que quer que estivesse para acontecer a seguir. Richard ficou perfeitamente imóvel enquanto a teia o envolvia. Os elementos minúsculos, com fios, tinham mais ou menos um milímetro de largura.
Lenta e inexoravelmente, eles começaram a cobrir-lhe o corpo. Espere, pensou Richard. Esperem, vocês vão me sufocar. Porém, surpreendentemente, muito embora centenas de filamentos já se estivessem enrolando em torno de sua cabeça e seu rosto, ele não tinha a menor dificuldade em respirar.
Antes que suas mãos ficassem imobilizadas, Richard tentou puxar um daqueles elementos minúsculos de seu braço. Era quase impossível. Do mesmo modo que iam se enrolando em torno dele, faziam pequenas inserções em sua pele. Depois de puxar muito, ele finalmente conseguiu libertar os filamentos brancos de uma pequena área de seu braço, porém ficou sangrando na área que libertou. Richard olhou para seu corpo e calculou que provavelmente estava com cerca de um milhão de unidades daquela malha viva na camada externa de sua pele. Estremeceu.
Richard continuava espantado por não se sentir sufocado. Quando sua mente começou a se perguntar como o ar estaria chegando até ele através daquela teia, ouviu uma outra voz dentro de sua cabeça. Pare de tentar analisar tudo, dizia ela. Jamais chegará a compreender, de qualquer modo. Ao menos uma vez na vida, simplesmente experimente essa aventura inacreditável.
5
Novamente Richard perdeu a noção do tempo. Em algum momento durante os últimos dias (ou seriam semanas?) em que vivera dentro daquela teia alienígena, ele havia mudado de posição. Durante os primeiros cochilos, a rede havia também removido suas roupas e agora Richard estava deitado de costas, sustentado por um segmento extremamente denso naquela teia fina que envolvia seu corpo.
Sua mente não indagava mais, conscientemente, como ele estaria conseguindo sobreviver. De algum modo, sempre que sentia fome ou sede, suas necessidades eram rapidamente satisfeitas. Seus desejos sempre desapareciam em poucos minutos. A respiração era fácil, muito embora ele estivesse totalmente cercado pela teia viva.
Richard passava muitas de suas horas conscientes estudando a criatura à sua volta. Olhando com cuidado, ele podia ver que aqueles elementos minúsculos estavam sempre em movimento. O desenho da teia à sua volta se alterava muito constantemente, mas definitivamente ia mudando. Richard fez uma gráfico mental das trajetórias dos gânglios que conseguia ver. A certa altura, três gânglios diferentes migraram para a vizinhança dele e formaram um triângulo em frente à sua cabeça.
A teia desenvolveu um ciclo reconhecível de interação com Richard. Ela mantinha seus milhares de filamentos presos a ele de quinze a vinte horas de cada vez, depois o soltava inteiramente por várias horas. Richard dormia sem sonhar sempre que não estava preso à teia. Se acaso acordava livre, ficava enervado e apático. Porém cada vez que os fios começavam a se enrolar nele novamente, sentia uma nova onda de energia. Seus sonhos eram ativos e vividos se ele adormecia ligado à teia. Richard jamais fora de muito sonhar antes, e muitas vezes rira das preocupações de Nicole com seus sonhos. Mas à medida que suas imagens em sonho se tornavam mais complexas, e em alguns casos mais bizarras, Richard começou a apreciar as razões pelas quais Nicole prestaria tanta atenção a elas. Certa noite, ele sonhou que era novamente adolescente e estava no teatro vendo uma montagem de Como quiserem em Stratford-on-Avon, sua cidade natal. A moça loura e linda que estava interpretando Rosalind desceu do palco e estava sussurrando em seu ouvido.
“Você é Richard Wakefield?” perguntou ela, no sonho.
“Sou”, respondeu ele.
A atriz começou a beijar Richard, primeiro lentamente, depois mais apaixonadamente, com uma língua viva que saltitava fazendo cócegas pelo interior de sua boca. Ele sentiu uma onda avassaladora de desejo e então despertou abruptamente, estranhamente embaraçado tanto por sua nudez quanto por sua ereção. E agora o que era tudo isso? ficou imaginando Richard, ecoando uma frase que muitas vezes ouvira de Nicole.
Em algum estágio de seu cativeiro suas lembranças de Nicole ficaram muito mais nítidas, mais claramente delineadas. Richard descobriu, para surpresa sua, que na ausência de outros estímulos ele era capaz, se se concentrasse, de recordar conversas inteiras com Nicole, inclusive detalhes, como o tipo de expressão facial que ela usara para pontuar suas frases. No prolongado período dentro da teia, Richard muitas vezes sofreu de solidão, com as lembranças vividas fazendo-o sentir falta ainda maior de sua amada mulher.
Suas lembranças das crianças eram igualmente nítidas. Ele sentia falta de todas, e especialmente de Katie. Lembrava-se de sua última conversa com aquela sua filha especial, vários dias antes do casamento, quando ela tinha aparecido em casa para buscar umas roupas. Katie estava deprimida e necessitada de apoio, porém Richard não fora capaz de dá-lo. Simplesmente não havia ligação nenhuma, pensou Richard. A imagem recente de Katie como uma jovem mulher sexy foi substituída por outra, de uma menina de dez anos, sem medo, a saltar pelas praças de Nova York. A superimposição das duas imagens provocou uma profunda sensação de perda em Richard. Jamais me senti à vontade com Katie depois que ela despertou, compreendeu ele com um suspiro. Eu continuava querendo a minha menininha.