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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Circundando o cilindro havia um conjunto de pequenas estruturas brancas dentro de dois círculos separados por uns trezentos metros. Os dois quadrantes norte (Richard entrara no habitat das aves através da vigia norte) desses círculos eram idênticos, cada quadrante tinha cinqüenta ou sessenta construções distribuídas segundo plano igual. Richard deduziu da simetria que os outros dois quadrantes estariam em conformidade com o mesmo desenho.

Um fino canal circular, com talvez sessenta ou setenta metros de largura, cercava as estruturas. Tanto o canal quanto as edificações brancas estavam localizados em um platô, cuja altitude era a mesma que a da base do cilindro marrom. Do lado de fora do canal, no entanto, uma grande área do que pareciam ser coisas que crescem preferencialmente de cor verde, ocupava a maior parte do resto do habitat. O chão na região verde inclinava-se uniformemente desde o canal até a margem de um fosso de quatrocentos metros de largura, que ficava logo dentro da parede interior. Os quatro quadrantes idênticos na região verde eram ainda subdivididos em quatro setores cada, que Richard, baseando suas designações em análogos terrestres, chamou de floresta, bosques, pradaria e deserto.

Por uns dez minutos, Richard ficou olhando aquele vasto panorama, muito quieto. Como o nível de iluminação caía em proporção direta com a distância do cilindro, não conseguia ver as regiões próximas mais claramente do que as distantes. No entanto, os detalhes mesmo assim eram impressionantes.

Quanto mais ele olhava, mais coisas novas percebia. Havia pequenos lagos e rios na região verde, pequeninas ilhas ocasionais no fosso e o que pareciam estradas entre as construções brancas. É claro, viu-se ele pensando, por que haveria de esperar algo diferente? Nós reproduzimos uma pequena Terra no Novo Éden. Isto deve representar, de algum modo, o planeta natal das aves.

Seu último pensamento lembrou-o de que tanto Nicole quanto ele estavam convencidos de que as aves não eram mais (se é que algum dia haviam sido) uma espécie viajante espacial, de alta tecnologia. Richard pegou seu binóculo e estudou o distante cilindro marrom. Que segredos você guarda? indagou ele, momentaneamente vibrando com as possibilidades aventura e descoberta.

A seguir, Richard procurou no céu por algum sinal das aves. Ficou desapontado. Pensou ver criaturas voando uma ou duas vezes no alto do cilindro marrom, mas os pontinhos entravam e saíam tão rapidamente de seu campo de visão que não pôde ter certeza. Em nenhum dos outros lugares para os quais olhava — todos os cantos da região verde, a vizinhança das construções brancas, até mesmo o fosso — viu qualquer sugestão de movimento. Não havia nenhuma indicação positiva de qualquer coisa viva no habitat das aves.

A luz desapareceu ao fim de quatro horas e Richard ficou novamente no escuro, no meio daquela parede vertical. Examinou seu termômetro, inclusive seu banco de dados histórico. A temperatura não variara mais do que meio grau de 26 °C desde que ele entrara no habitat. Impressionante controle térmico. Mas por que tão limitado? Por que usar tanto de sua energia para manter uma temperatura fixa?

Quando a escuridão já começava a durar horas, Richard foi ficando impaciente. Embora ele descansasse regulamente cada conjunto de músculos sustentando-se temporariamente em posições diversas com sua corda, seu corpo estava aos poucos ficando exausto. Já era hora de ele pensar em tomar alguma atitude. Relutantemente, ele decidiu que seria total imprudência abandonar a corda e descer para o fosso. O que faria ao chegar lá, afinal? pensou. Cruzá-lo nadando? E depois? Eu continuaria a ter de voltar se não encontrasse comida imediatamente.

Ele começou lentamente a subir para a vigia. Enquanto descansava a mais ou menos metade do caminho até a saída julgou ouvir algo muito fraco à sua direita. Richard parou e silenciosamente procurou na mochila seu receptor.

Com um mínimo de movimento, aumentou o volume até o máximo e colocou os fones de ouvido. A princípio, não ouviu nada. Porém, ao fim de vários minutos captou um som abaixo dele, vindo do fosso. Era impossível identificar exatamente o que estava ouvindo — poderiam ser vários barcos se movendo na água — porém não havia dúvida de que algum tipo de atividade estava tendo lugar por lá.

Não seria aquilo um leve bater de asas também, novamente em algum ponto à sua direita? Sem aviso, Richard repentinamente gritou a plenos pulmões, depois cortou abruptamente o grito. A agitação de asas deixou de ser ouvida logo depois, mas por um segundo ou dois não haveria como deixar de reconhecê-la.

Richard ficou exultante. “Eu sei que vocês estão aí”, gritou ele com alegria.

“Sei que estão me observando.”

Ele tinha um plano, sem dúvida de possibilidades remotas, mas por certo era melhor do que nada. Richard verificou a comida e a água, teve a certeza de que seriam suficientes, e respirou fundo. Era agora, ou nunca, pensou ele.

Ele treinou descer sem depender do apoio da corda. Tornou o avanço mais difícil, mas ia conseguir. Quando chegou ao fim da corda, Richard retirou o arreio que o prendia a ela e iluminou a parede, para baixo, com sua lanterna. Pelo menos até o alto da neblina havia saliências disponíveis em quantidade. Ele continuou a descer com muito cuidado, admitindo para si mesmo que estava assustado. Várias vezes julgou ouvir as batidas do próprio coração pelo fone de ouvido.

E agora, se estou certo, vou ter companhia lá embaixo. A umidade tornou a descida duas vezes mais difícil. Uma vez ele escorregou e quase caiu, mas conseguiu recuperar-se. Richard deu uma parada em um lugar no qual os apoios para mãos e pés estavam particularmente firmes. Calculou que estivesse uns cinqüenta metros acima do fosso. Vou esperar até ouvir alguma coisa. Com a neblina, eles terão de chegar mais perto.

Em breve, ele tornou a ouvir as asas. Desta vez, o som sugeria um par de aves. Richard ficou parado ali por mais de uma hora, até a neblina começar a ficar mais fina. Por várias vezes ele ouviu o rufar das asas de seus observadores.

Planejou esperar até ficar claro de novo para descer até a água. Mas quando a neblina desapareceu e a luz continuou a não voltar, Richard começou a ficar preocupado com o tempo. Começou a descer pela parede no escuro. A mais ou menos dez metros acima do fosso, ele ouviu seus observadores voando para mais longe. Dois minutos depois, o interior do habitat das aves ficou novamente iluminado.

Richard não perdeu tempo. Seu plano era simples. Baseado no ruído de barcos que ouvira no escuro, supôs que haveria alguma coisa acontecendo no fosso que era crítica para as aves ou para quem quer que fosse que morava no cilindro marrom. Se não, raciocinou, por que razão haveriam eles de levar avante sua atividade sabendo que ele os poderia ouvir? Se eles houvessem adiado tudo por pelo menos algumas horas, ele quase que certamente já se teria retirado do habitat.

Era intenção de Richard entrar no fosso. Se as aves se sentirem de algum modo ameaçadas, farão alguma coisa. Se não, começarei imediatamente minha subida de volta para o Novo Éden.

Logo antes de entrar com cuidado na água, Richard tirou os sapatos, com alguma dificuldade, e os colocou em sua mochila à prova d’água. Ao menos não estariam molhados se ele tivesse de subir de novo. Segundos mais tarde, tão logo seu pé tocou a água, um par de aves voou na direção dele vindas de onde haviam estado se escondendo na região verde exatamente oposta, do outro lado do fosso.

Elas estavam frenéticas. Matraqueavam e guinchavam e agiam como se fossem estraçalhar Richard com suas garras. Ele estava tão deslumbrado por seu plano ter funcionado que virtualmente ignorou toda aquela exibição. As aves pairaram acima dele e tentaram empurrá-lo de volta para a parede. Ele ficou andando na água e estudando detalhadamente as duas.

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