A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
Mas o pior já tinha passado.
Despojado de minha roupa e de minha dignidade, tinha sido obrigado a erguer meu saco, me curvar e tossir, e tinha chegado com estilo, quer dizer, estava agora num quarto sem janelas, sem divisórias, sem esperança e conhecido como Cela 7N, que ficava no 7o andar no lado norte do edifício. Eu estava agora sentado na borda do meu colchão da espessura de uma navalha, entretido numa conversa com meu novo colega, Ming, que estava sentado a meu lado. Sobre Ming: apesar de ser um chinês de 30 anos de idade, ele parecia um velho fantasma de 60 anos.
– Então, deixe-me ver se entendi – disse eu, cético. – Faz seis anos que você não vê o sol? Acho que é um pouco difícil de acreditar, Ming.
Ming encolheu os ombros estreitos, que estavam conectados a uma série de partes do corpo igualmente estreitas. Ele disse, em forte sotaque:
– Não seis anos, seis anos e meio. Juiz diz eu risco de fugir, então não fiança.
– Isso é uma merda, hein? – murmurei. – Quer dizer que nós nunca vamos lá para fora?
Ming balançou a cabeça negativamente.
– Só nesta cela. Fazer tudo aqui.
Caramba, parecia lógico que, uma vez que uma planta precisa de luz solar para sobreviver, um ser humano também precisa, não é? Aparentemente, não. Com o coração apertado, levei um momento para avaliar a cela. Era um espaço grande, talvez 12 por 25 metros, totalmente lotado com 106 reclusos, ou detentos, como chamavam, todos vivendo como em barracas, fazendo tudo, desde comer até dormir e mijar e cagar e tomar banho e escovar os dentes debaixo daquele mar de luzes fluorescentes zumbindo. Sem uma única divisória à vista, eu podia ver de um lado até o outro daquele espaço.
Não que houvesse muito para ver, simplesmente um vasto mar de beliches de metal e cadeiras de plástico, limitado ao fundo por seis horríveis banheiros e três chuveiros carregados de germes. No centro do salão estavam duas dezenas de mesas de aço inoxidável para piquenique, um mesa de pingue-pongue caindo aos pedaços, um forno de micro-ondas que um dia deve ter funcionado, uma antiga torradeira e três televisores em cores suspensos no teto. Em vez de serem usadas para comer, as mesas eram utilizadas para assistir à TV (com fones de ouvido) ou para jogar xadrez, damas, cartas ou, se você fosse dominicano, uma versão prisional do dominó, que requeria que você esmagasse as peças em cima da mesa enquanto murmurava uma série de xingamentos em espanhol.
Isso era tudo que a Cela 7N tinha a oferecer, a menos que se incluíssem os três telefones públicos afixados na parede acima da estação do guarda, onde um único agente penitenciário estava sentado atrás de uma mesa de madeira barata, com o dedo sobre um botão de pânico. Os telefones eram o grande destaque da cela, um lugar onde os detentos, a maioria deles negros ou hispânicos (menos de 10% eram brancos ou asiáticos), tentavam vagamente conectar-se com o mundo exterior. De manhã até a noite, em fila, eles esperavam para falar com seus entes queridos, que, em sua maioria, os amavam menos a cada dia que passava. Meu beliche estava localizado perto dos telefones públicos.
Então lá estava eu, sentado com Ming, tentando ver sentido em tudo aquilo.
Ele tinha sido abençoado com um sorriso generoso, um sorriso totalmente gentil. Era difícil de imaginá-lo um traficante de heroína da máfia chinesa, um executor baixinho que uma vez tacou fogo em um concorrente e depois usou o carvão de sua carcaça ardente para assar algumas costelinhas.
– E aí, como é a história desses telefones? – perguntei a Ming, o Impiedoso.
– Chamadas a cobrar só – respondeu ele.
Foi nesse momento que três detentos vieram apressados, em fila única. Eles estavam mexendo seus quadris desajeitadamente e balançando os braços de uma forma exagerada. Praticantes de marcha atlética, pensei. Como todos os demais, eles usavam calças de moletom cinza, camiseta branca, tênis de lona branca e fones de ouvido. Ming e eu nos inclinamos e os observamos diminuírem a distância. Fiz um gesto para os apressados:
– O que eles estão fazendo?
Ming deu de ombros.
– Eles exercitam. Caminham em círculos durante todo o dia. Passar o tempo.
Interessante, pensei.
De fato, apesar de chegar à 7N apenas cinco minutos antes, eu já tinha chegado à conclusão de que meu principal inimigo não eram os outros detentos, mas o tédio intenso de ficar preso ali. Afinal, ao contrário de uma prisão federal, onde as atividades são abundantes e a violência é galopante, um centro de detenção federal é desprovido de qualquer atividade e de violência. Eles simplesmente o aborrecem até a morte...
– Quer dizer então que nunca há brigas por aqui? – perguntei a Ming.
Ele balançou a cabeça estreita, negando.
– Todo mundo com muito medo. Você enfrenta 10 anos, briga, agora você enfrenta 20 anos. Entendeu?
Assenti com a cabeça. Noventa por cento dos detidos estavam aguardando sua sentença, assim, se entrassem numa briga ou fizessem alguma merda, a supervisão das prisões federais poderia alertar o juiz e ele então iria condená-los com o máximo rigor da lei.
– Eu preciso usar o telefone – disse, sem emoção, levantando-me da borda do colchão.
Ming colocou a mão em meu braço.
– Ei, você cara rico, certo?
Eu olhei para ele e dei de ombros.
– Por quê?
Ele sorriu.
– Porque Ming fazer tudo para você: cozinhar, limpar, lavar a roupa, fazer a cama, cortar o cabelo. Eu ser como escravo.
Eu olhei para ele por um momento, incrédulo.
– Quanto é?
– Vinte dólares por semana. Você paga em selos da intendência. Dê-me 10 dólares extras, eu roubar comida da cozinha. Nós comemos como reis. Eu faço melhor frango com laranja deste lado de Chinatown!
Eu ri.
– Claro – murmurei, – por que não?
E fui para o fim da fila.
MINHA PRIMEIRA LIGAÇÃO foi para a casa de Magnum que, infelizmente, era um número que eu sabia de cor. A notícia não foi boa. Alonso estava em pé de guerra: não tanto porque ele estava com raiva de mim, mas porque estava bravo com a situação como um todo e, acima de tudo, estava bravo com ele mesmo. Tinha entrado despreparado num tribunal e pagara o preço por isso. Em consequência, iriam se passar muitos meses antes que ele voltasse a falar em meu favor. Além disso tudo, ficaria a nosso cargo fazer a investigação – conseguir depoimentos dos caras das mesas e dos gerentes dos cassinos e dos pilotos do helicóptero, bem como de Kiley, se eu pudesse encontrá-la para provar, sem sombra de dúvida, que minha viagem a Atlantic City não tivera nada a ver com lavagem de dinheiro.
Magnum já convocara Bo, que estava falando com seus contatos em Atlantic City. Coleman concordou em ajudar também, embora Magnum achasse melhor que nós fizéssemos nossa própria investigação e, em seguida, apresentássemos os fatos para Gleeson sob a forma de depoimentos, pois assim o juiz saberia que era sério.
Antes de desligar o telefone, encontrei-me fazendo o que todos os detentos fazem: implorando ao advogado que não desistisse de mim.
– Não importa o que aconteça – disse a Magnum com a mão em concha sobre o bocal –, não pare de tentar me tirar daqui. Não me importa quanto tempo leve e quanto vai custar.
– Eu não pararia por qualquer cliente – disse ele, calorosamente – e especialmente não com você. Apenas aguente firme aí durante alguns meses. Eu vou tirar você daí, cara.
Dei um suspiro de alívio.
– Você conseguiu entrar em contato com Nadine?
– Sim, ela está bem. Talvez bem demais, se você entende o que quero dizer.
– Sim, eu sei... – respondi, sério. – Ela estava rezando para isso acontecer. É a desculpa de que ela precisava para fugir para a Califórnia. Ela perguntou quanto tempo ficarei preso?