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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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Alonso disse:

– Se a corte permitir, meritíssimo, eu gostaria de falar.

O Juiz Gleeson assentiu.

– Obrigado – disse Alonso. – Bem, meritíssimo, nós chegamos a um acordo com o advogado do réu sobre este assunto, bem como com o senhor Mancini. O acordo consiste em apertar as restrições da prisão domiciliar do réu para termos mais estritos. O réu só será capaz de viajar para o trabalho e deverá estar em casa às 6 horas da tarde, sem exceção. Nos fins de semana, estará com 24 horas de bloqueio.

Alonso assentiu uma vez, satisfeito com minhas novas condições.

– Ah, é? – grunhiu o juiz Gleeson. – Bem, eu tenho perguntas.

E foi isso, a coisa acabou antes de começar.

Gleeson tinha perguntas e Alonso não tinha respostas, porque ele acabara de assumir o caso. Mesmo que ele as tivesse, não importaria de qualquer maneira, porque, como Magnum tinha dito antes, aquilo era o tipo de coisa que elevava a ira de Gleeson, e muito!

De repente, pecebi que Alonso estava balbuciando algo sobre um helicóptero… Um saco de dinheiro… Em seguida, uma fêmea não identificada (e, obviamente, cada uma das almas na sala do tribunal, especialmente Gleeson, sabia exatamente o tipo de mulher que era), e então ele começou dizendo…

– Mas eu realmente não sei de todos os fatos, meritíssimo, porque eu só…

Gleeson o interrompeu com uma voz ameaçadora:

– Você está me dizendo que veio ao meu tribunal despreparado, que você não sabe nada sobre este caso?

Eu lancei uma rápida olhada para Alonso, que parecia que tinha acabado de levar um tiro. Do jeito que eu imaginei as coisas, ele tinha duas opções: a primeira seria jogar toda a culpa sobre o Canalha, e a segunda seria apenas dizer que sentia muito e que não voltaria a acontecer. Alonso disse:

– Sinto muito, meritíssimo, isso não vai acontecer de novo.

Então foi a vez de Mancini.

– Senhor Mancini? – disse o irritado juiz.

Pat se atrapalhou com algumas notas, começou a vomitar fatos de forma aleatória e depois algumas contradições acabou por dizer:

– Mas… Er… Apesar de tudo isso, eu ainda acho que o senhor Belfort pode ser confiável e capaz de viver de acordo com suas novas condições de liberação – ele deu de ombros, como se dissesse: “Mas é apenas a opinião de um homem. Não vá me prender por causa disso”.

Gleeson não mandou prendê-lo. Em vez disso, não dirigiu uma única palavra a ele, apenas ficou lá por alguns segundos, olhando para Mancini, seus olhos emitindo o que parecia ser um incrível raio de encolhimento; assisti fascinado enquanto Mancini, aquele compridão, parecia encolher-se mais e mais, até ficar do tamanho de um anão.

Satisfeito com isso, Gleeson desligou seu raios encolhedores e voltou-se para seu velho colega Magnum, dizendo:

– E a defesa, tem algo a acrescentar?

Magnum ficou de pé em toda a sua estatura e disse, num tom bastante confiante:

– Sim, meritíssimo…

E começou a fazer um relato bastante acurado dos acontecimentos. Suas palavras saíram confiantes e completamente lógicas, o que foi uma porra de desastre para mim, porque não era uma daquelas situações em que a verdade vos libertará, especialmente quando Magnum chegou na parte sobre o mau funcionamento do helicóptero ser a principal causa de eu não ter voltado a tempo para casa. Foi quando Gleeson atacou:

– Então, o que você está dizendo, advogado, é que a desculpa de seu cliente é que ele pensou que poderia se safar disso?

– Er… Não exatamente – disse Magnum, e… porra!, pensei. Como diabos poderia um juiz, que nunca tinha quebrado uma única lei em sua vida inteira, peneirar todas as besteiras tão rapidamente? Quais seriam as chances?

Magnum tentou me defender novamente, expelindo mais meias verdades e algumas previsões bastante ousadas (considerando meu histórico) sobre minha futura conduta sob prisão domiciliar. Mas eu já não podia ouvir mais. Eu sabia onde aquilo ia parar e sabia onde eu estava indo parar. E não seria em casa.

Finalmente, houve alguns momentos de silêncio. Eu lutei contra a vontade de me virar e dar uma espiada na minha espectadora favorita. Ela deve ter pensado que ficaria sentada assistindo a uma audição chata e estava prestes a ver um cara que tinha colocado 10 milhões de dólares em fiança vê-la revogada!

Gleeson se pronunciou, e eu sabia que ele estava falando palavras em inglês, mas por algum motivo eu não conseguia entendê-las. Ele soava como aquele professor abafado dos desenhos do Charlie Brown. Estava me sentindo tonto, quase vomitando. A sala do tribunal parecia revirar lentamente, como se eu estivesse em um carrossel…

Então eu ouvi Gleeson dizer:

– Não… Não… Não gosto disso… Vamos ao fundo disso… Flagrante desrespeito… Helicóptero… Onde… Ele conseguiu dinheiro… – Então, de repente, mais Charlie Brown: “Weep, womp… Womp, weep… Weep, womp…”. E então: – Por este meio, devolvo o réu à prisão.

Depois, a única coisa de que me lembro era de Magnum dizendo:

– Dê-me seu relógio, seu dinheiro e seu cinto também.

Eu tinha apenas alguns segundos de liberdade e minha mente logo saltou para meus filhos. Eu tinha combinado de buscá-los à tarde. Que tristeza… Eu tinha decepcionado meus filhos de novo. Enquanto retirava o relógio de pulso, disse a Magnum com um tom de urgência na voz:

– Você tem de ligar para Nadine e lhe contar o que aconteceu. Diga-lhe que não sei quando serei capaz de telefonar, mas para dar um beijo nas crianças e dizer que eu as amo muito. E que sempre vou amá-las.

– Vou cuidar disso imediatamente – disse ele. – Sinto muito por isso ter acontecido.

– Não tanto quanto eu, garanto – disse, suavemente. – Tem algum jeito de eu me safar dessa encrenca?

Ele negou com a cabeça.

– Não neste momento; a gente precisa deixar Gleeson se acalmar, e isso deve demorar algum tempo… Muito tempo.

– E quanto é esse muito tempo?

– Alguns meses, talvez um pouco mais que isso.

Num piscar de olhos, aquele homem que tinha uma protuberância debaixo do paletó estava parado a meu lado. Gentilmente, ele me disse:

– O senhor se importaria de vir comigo, senhor?

– Eu tenho escolha? – perguntei, com um sorriso nervoso.

– Temo que não, senhor – respondeu ele, colocando a mão musculosa sobre meu ombro e gentilmente me conduzindo em direção a uma porta secreta na parte da frente da sala do tribunal.

Dei alguns poucos passos e então me virei para dizer a Magnum:

– Merda! Você precisa ligar para a Yulia! Ela está no hotel Four Seasons! Eu lhe disse que voltaria em uma hora!

– Pode deixar, eu cuido disso – respondeu ele, calmamente. – Logo depois de falar com Nadine.

– O quarto está em meu nome – gritei por cima do ombro.

E então, fui levado embora, passando por uma porta e saindo em uma área pouco conhecida do número 225 na Cadman Plaza, que consiste em celas, lâmpadas fluorescentes e pessoas desesperadas. A área não tem um nome, mas eu estivera ali uma vez antes e quase tinha morrido congelado. Agora eu estava de volta.

Como de costume, eu não tinha ninguém para culpar além de mim mesmo.

CAPÍTULO 25

O INEVITÁVEL

O Centro de Detenção Metropolitano se eleva por nove andares acima do miolo sombrio do Brooklyn, um lugar agourento para o qual os motoristas que estão passando apontam e depois se encolhem. A mais ou menos 3 quilômetros e meio do prédio do Tribunal, o edifício, com sua imponente cerca de arame farpado e holofotes que varrem seu perímetro, ocupa um quarteirão inteiro da cidade, sugando a força vital do ar circundante.

Os policiais tinham gastado um bom tempo transportando-me para lá; de cela para cela, de corredor de concreto para corredor de concreto, da van da prisão para o desembarque da prisão, eu tinha sido conduzido, algemado e acorrentado como gado, e, o tempo todo, seja por desígnio, seja por acaso, a temperatura média ambiente nunca excedeu a temperatura da superfície de Plutão.

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