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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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– Então – disse minha saborosa Duquesa, andando de braço dado comigo ao longo da beira da água –, se você me comprar uma casa nos Hamptons, eu acho que vai ser muito bom para nós. A gente se livra da casa em Old Brookville e podemos nos ver o tempo todo. Quem sabe o que pode acontecer a partir daí, certo?

Eu assenti com a cabeça e sorri calorosamente enquanto caminhávamos em silêncio por alguns momentos. Estávamos andando para oeste, na direção do sol, e apesar de ser abril estava quente o suficiente para as 5 horas da tarde, de forma que nossas jaquetas azuis de náilon combinando eram tudo de que precisávamos para nos proteger contra a brisa salgada do mar.

– De qualquer forma – continuou a Duquesa –, eu fiquei muito brava com você durante um tempo. Eu nunca soube direito o que aconteceu, quer dizer, eu achei que soubesse, mas sei lá, eu meio que coloquei debaixo do tapete, junto com um monte de outras coisas. – Ela parou por um momento, apertando meu braço. – Mas eu sou tão culpada quanto você por tudo isso. Veja, todos esses anos, eu realmente achei que estava te ajudando, mas de fato eu estava te matando. – Ela balançou a cabeça, triste. – Mas como eu ia imaginar? Eu era tão codependente naquela época, eu não sabia mais que caminho tomar…

– Sim – eu disse, suavemente –, você está certa, mas apenas sobre a última parte. O que aconteceu com as drogas não foi culpa sua, não foi de fato culpa de ninguém, apenas aconteceu. Lentamente, insidiosamente, aquilo se arrastou para cima da gente.

Ela assentiu, mas não disse nada. Eu, de minha parte, segui em frente, em um tom otimista:

– De qualquer forma, eu era um viciado em drogas e você era uma codependente, e juntos fizemos uma confusão danada. Mas pelo menos conseguimos sair vivos, certo?

– Sim, mais ou menos – disse ela. – Eu tive de trabalhar duro comigo mesma nos últimos seis meses. Você sabe, codependência é uma doença terrível, Jordan – ela balançou a cabeça com seriedade –, uma doença terrível, terrível, e eu me tornei a mais clássica codependente que se pode ser…

– Sim – respondi solenemente, mas que porra de piada era aquilo? Codependência, caralhodependência… blá-blá-blá! Toda essa porra era risível. Tudo bem, a Duquesa tinha sido codependente, mas a ponto de quê, de procurar um grupo de autoajuda que teve a audácia de se chamar Codependentes Anônimos? Ainda assim, quando a Duquesa começou a falar sobre isso pela primeira vez, eu tentei manter a mente aberta. Na verdade, eu até perguntei a George se ele já tinha ouvido falar do tal grupo e, surpreendentemente, ele me disse que tinha. Sim, eles existiam, mas ninguém os levava a sério. Era um clube de mulheres que odiavam homens, acima de tudo, um lugar onde eles transformavam mulheres dóceis em pit bulls. Em resumo, concluiu George, eles eram perigosos.

Mas essa era a Duquesa: sempre aspirando a ser perfeita em alguma coisa, e aquele era seu último show, ser perfeitamente codependente. Então eu não tinha escolha, a não ser dançar conforme a música e fingir que a codependência era a última moda. Pelo lado positivo das coisas, apesar de tudo, qualquer motivo que a fizesse deixar de lado sua pá de garimpar novas minas de ouro estava bem para mim.

Foi então que senti uma cutucada brincalhona.

– No que está pensando? Estou vendo você com uma cara de pensativo…

– Nada – respondi. – Eu estava pensando em quanto eu ainda amo você.

– Bem, eu também te amo – disse ela. – Eu sempre vou te amar.

Merda! A segunda metade de sua declaração não fora nada encorajadora! Afinal de contas, dizendo que sempre me amaria, ela estava inferindo que seu amor não era de natureza conjugal, em outras palavras, do tipo “abra as pernas”. Em vez disso, era do tipo “você é o pai de meus filhos” ou “compartilhamos uma história juntos”, ambos inaceitáveis para mim. Eu queria um amor conjugal. Eu queria um amor vigoroso. Eu queria aquele tipo de amor que nós costumávamos dividir, antes de eu ser burro o suficiente para me deixar ser indiciado! Ainda assim, era um começo, um ponto de partida para que eu pudesse manobrar a Duquesa…

– Bem – eu disse, confiante –, enquanto ainda amarmos um ao outro, podemos resolver as outras coisas, certo?

Ela assentiu com a cabeça lentamente.

– Com o tempo, sim, mas precisamos nos tornar amigos primeiro. Nós nunca fomos realmente amigos, Jordan. No início, tudo o que rolou foi sexo, quer dizer, quase não paramos para respirar, sabe?

– Sim – respondi e pensei: que diabos havia de errado nisso?

Aqueles tinham sido os melhores momentos de minha vida, porra! Todas aquelas tardes preguiçosas em que fizemos amor no closet, todas as noites na praia, a maneira como tínhamos transado no estilo cachorrinho na parte de trás da limusine, uma vez no cinema, durante Entrevista com o vampiro, enquanto um velho casal na fila de cima revirava os olhos. Quem poderia pedir mais que isso?

– Sim, isso mesmo – acrescentou a Duquesa. – Éramos como dois maníacos sexuais!

De repente, ela parou e se virou para mim. Estava de costas para o oceano agora, seu cabelo loiro brilhando à luz do sol da tarde. Ela parecia um anjo, meu anjo!

– Então, o que você acha, querido? Você vai me comprar a casa? – ela fechou os lábios em um biquinho irresistível.

– Não sou contra isso – respondi rapidamente, debatendo se devia ou não dar-lhe um beijo –, mas, com tudo o que está acontecendo agora, você não acha que faria mais sentido se mudar para cá? – fiz um gesto em direção às dunas. – Vamos fazer uma tentativa e ver o que acontece, Nae! Se não funcionar, eu compro a casa em dois segundos.

Ela balançou a cabeça, triste.

– Eu não posso fazer isso ainda, não estou pronta. – Então, nervosamente, ela acrescentou: – É o dinheiro? É o governo incomodando?

Eu balancei a cabeça, negando.

– Não, eu ainda posso gastar o que quiser, desde que seja razoável.

– Bem, o que Greg diz?

Eu sorri.

– Qual Greg? Greg meu advogado ou o outro Greg?

– Greg, seu advogado!

Eu sorri novamente.

– Ele não fala muito, Nae. Ele está tentando negociar o melhor acordo que puder, basicamente é isso. Mas a boa notícia é que ele acha (acha!) que podemos manter as casas por um tempo, pelo menos até que eu seja condenado, e que isso deve demorar uns quatro anos, por aí. Portanto, temos algum tempo.

Ela não deixou passar:

– Onde é que eu fico? Você vai me comprar a casa ou não? Custa apenas 1 milhão de dólares, Jordan. É muito menos que Old Brookville, então eu tenho certeza de que o governo vai ficar feliz com isso, não?

Eu dei de ombros.

– Acho que sim, mas, ainda assim, preciso de aprovação para isso – disse, e só então algo estranho me ocorreu. – Você já encontrou uma casa, Nae?

Ela encolheu os ombros inocentemente.

– Não… na verdade, não. Quer dizer, eu fui ver algo que seria perfeito para as crianças e para mim… – então, como uma reflexão tardia – e talvez para você também um dia! – Ela sorriu ansiosamente. – Então, o que você acha, querido? Você vai comprá-la para mim?

Eu sorri de volta, pensando em como seria maravilhoso viver com a Duquesa e com as crianças novamente! Nada mais de boquetes de judias nem das russas Natashas, como seria maravilhoso!

– Eu acho que devemos olhar a casa agora – respondi, sorrindo, mas o que eu não disse foi: “Antes de realmente comprá-la para você, Duquesa, eu vou procurar ter certeza de que não está me manipulando!”.

– ELA ESTÁ MANIPULANDO VOCÊ – exclamou meu antigo detetive particular, Richard “Bo” Dietl, sentado à minha frente em uma mesa para dois no Caracalla. – Tenho certeza disso, Bo.

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