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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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Estávamos deitados sob o edredom de seda branca, então eu não podia analisar todo o corpo dela, mas, apesar disso, não havia como negar que eu a pegara em um ângulo muito ruim. E foi isso: eu já não adorava mais a Rainha do Boquete.

Respirei fundo e tentei me equilibrar, mas foi inútil. Eu não poderia tê-la mais em minha casa. Eu precisava ficar sozinho, ou com a Duquesa. Talvez eu pudesse convencer a Duquesa a voltar e ficarmos juntos para o bem das crianças. Aliás, eu já tinha tentado abordar esse ângulo, sem sucesso. O rumor mais recente era de que ela estava transando com Michael Bolton, aquele cantor de merda que usava rabo de cavalo!

Bem, o fato é que no dia seguinte atirei a Rainha do Boquete porta afora, ou pelo menos tentei, mas ela teve um colapso nervoso na minha sala de estar, ameaçando se suicidar. Então eu disse a ela que estava apenas brincando, que não queria realmente terminar as coisas. Eu estava ficando com frio na barriga, como resultado de todo o tumulto que rolava na minha vida.

Então, ela sorriu tristemente e me perguntou se eu gostaria de um boquete. Eu ponderei por um momento, sabendo que certamente seria o melhor boquete da história, considerando-se que a Rainha do Boquete estaria fazendo aquilo para manter sua posição em Meadow Lane…

Mas no final eu disse a ela que não, embora talvez eu quisesse mais tarde. Ela pareceu aliviada com isso, então eu logo me desculpei, dizendo que precisava dar uma saída rápida para ver meu padrinho, George, que morava no final da rua.

– VOCÊ UÃO PODE simplesmente pegar uma camisa de força e levá-la embora? – perguntei a George. – Eu não vejo outra solução.

Aquelas não foram as primeiras palavras que eu pronunciei naquela tarde a George, mas eram parecidas com as primeiras. As primeiras foram:

– Estou numa grande merda, George. A Rainha do Boquete está ameaçando cometer suicídio e meu pau anda tão dolorido de todos os boquetes que está pronto para cair!

George e eu estávamos sentados à mesa de madeira branqueada em sua cozinha francesa, um em frente ao outro, enquanto sua esposa, Annette, uma bonita nativa do Brooklyn de 1,50 metro com cabelo loiro avermelhado, pele perfeita e sotaque feroz, nos preparava o café. Na verdade, era mais que café (eram donuts, muffins, café e frutas recém-cortadas), porque Annette nunca fazia nada pela metade, especialmente quando se tratava de cumprir sua principal missão, que era fazer com que a vida de George fosse a mais confortável e maravilhosa possível. Na verdade, George merecia isso.

Ele estava com 62 anos, era 12 anos mais velho que Annette e servia como prova viva de que um leopardo pode, sim, trocar suas manchas. Aqueles que não tivessem ouvido falar de George nos últimos 22 anos iriam alertá-lo: “Se você vir esse cara andando na rua, atravesse para o outro lado e procure não fazer contato visual. Ele é bravo e perigoso, sobretudo quando está bêbado, ou seja, sempre. E se acontecer de ele espancá-lo ou simplesmente agarrá-lo pelos tornozelos e deixá-lo de cabeça para baixo por duas horas, sacudindo-o de vez em quando, nem chame a polícia, a menos que você diga que foi um cara de 1,90 metro e mais de 100 quilos chamado George que o agrediu. Dessa forma, eles vão trazer dardos tranquilizantes!”.

Em todo caso, George finalmente ficou sóbrio e passou os 22 anos seguintes de sua vida se redimindo. Ele fez sua primeira fortuna no setor imobiliário, sua segunda fortuna em clínicas de reabilitação e ajudou a recuperar mais alcoólatras nos Hamptons que dez homens juntos.

Ironicamente, a primeira vez que vi George foi pela TV, quando sua ameaçadoramente bela cabeça apareceu em minha tela às 3 da manhã, enquanto eu estava no meio de uma farra de cocaína. George fazia propaganda de sua clínica de reabilitação, Seafield, e estava dizendo coisas como: “Você está chapado… bêbado… alto? Onde está sua família agora? Você precisa de ajuda? Seafield tem as respostas…” Minha resposta foi jogar uma escultura de bronze na tela da minha TV, colocando um fim prematuro ao comercial de George.

Ainda me lembro de pensar, naquele momento, que o rosto na minha TV era do tipo que eu nunca iria esquecer: aqueles traços asperamente bonitos, penetrantes olhos castanhos, cabelos grisalhos perfeitamente penteados. Foi por isso que não demorei muito para reconhecê-lo quando encontrei com ele seis semanas mais tarde, em Southampton, na sala dos Alcoólicos Anônimos. Agora, 18 meses depois, ele era muito mais para mim que apenas um padrinho. Na verdade, ele era como um pai.

– Eu não posso simplesmente ir com uma camisa de força – disse George, com um aceno de sua cabeça enorme. – Você sabe, eu avisei sobre isso: dois alcoólatras namorando são como dois caminhões indo de encontro um ao outro. – Ele encolheu os ombros enormes. – De qualquer forma, como disse antes: você ainda não terminou com sua esposa. É cedo demais.

Só então Annette entrou na conversa, com seu maravilhoso sotaque do Brooklyn:

– Ah, que mal tem isso, George? Uns boquetes não vão matar ninguém! Jordan anda solitário, ele precisa de um pouco de diversão – dizendo isso, ela cruzou o reluzente piso de terracota e colocou o café e as guloseimas na mesa da cozinha.

– Annette – disse George, olhando para ela por um segundo comprido demais –, ele não precisa de encorajamento nessa área. – Então virou-se para mim e disse: – Vou ver se consigo convencer Sarah a se internar em Seafield, mas só porque eu acho que seria bom para ela. Enquanto isso, sugiro que você não namore ninguém por um tempo. Você deve ficar sozinho por um ano e aprender a se virar. E continue indo às escolas, dando palestras antidrogas, que é a melhor maneira de passar seu tempo livre, ser produtivo e não ficar transando.

Eu prometi a George que faria isso e, durante o mês seguinte, segui seu conselho ao pé da letra, ou quase. O “quase” tinha a ver com encontros ocasionais com uma jovem russa que andava garimpando ouro. Natasha, como os jornais se referiam a ela, era cortesia de um conhecido dos Hamptons, uma espécie de playboy local, que poderia enviar uma legião de Natashas impertinentes a todos os quatro cantos do mundo assim que recebesse um dinheirinho em seu bolso.

Logo, porém, isso se tornou gasto demais. Na verdade, por volta do início de abril, decidi fechar a porta giratória de uma vez, pelo menos por um tempo, e me acomodei em um regime diário de monotonia e tédio, pontuado por visitas das crianças no fim de semana e jantares noturnos com George e Annette.

Sim, era chato e tedioso, tudo bem, mas também me deu uma chance de encontrar a mim mesmo, para tentar descobrir quem realmente Jordan Belfort era. A última década da minha vida tinha sido absurdamente complicada, e a criança que meus pais tinham trazido ao mundo tinha pouca semelhança com o Jordan Belfort de hoje. Então, quem eu era agora? Era um homem bom ou um homem mau? Eu era um experiente criminoso de carreira ou um cidadão honrado, que tinha apenas se perdido em seu caminho? Eu era um sujeito capaz de ser um marido fiel e amoroso ou era um devasso habitual que se recusava a usar preservativo até que seu pinto caísse? E meu vício em drogas? A besta estaria apenas dormindo ou ficaria por perto para sempre?

Todas essas perguntas e muitas outras ficaram ricocheteando em meu cérebro enquanto passei o resto do inverno no exílio. A insanidade, como eu tinha nomeado essa questão, tinha penetrado em todos os aspectos da minha vida e destruído tudo em seu caminho. Portanto, essa era minha chance de finalmente resolver as coisas, de chegar ao cerne das coisas. A única questão era: quanto tempo eu ainda teria?

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