A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
Fiz uma pausa e esperei um momento para recuperar o fôlego.
– De qualquer forma, vocês sabem o que aconteceu a seguir: sete dias depois, lançamos Ventura, e todo o inferno começou. Blocos de 10 mil e de 20 mil ações começaram a voar pela sala de pregões e o dinheiro começou a cair do céu – balancei a cabeça lentamente. – Eu não posso sequer descrever a rapidez com que crescemos a partir desse ponto. Foi como se tivéssemos atingido um veio de ouro, e jovens garimpeiros começaram a aparecer em Lake Success para reivindicar seus lotes. No início, foram aos poucos, mas depois jorraram aos montes. Tudo começou a partir do Queens e de Long Island, e rapidamente se espalhou por todo o país. E foi assim que a Stratton nasceu. De qualquer forma, foi apenas algumas semanas depois disso que entrei no escritório certa manhã e encontrei Jim Taormina esperando por mim. “Tome”, disse ele. “A Stratton é sua”, e me entregou um conjunto de chaves que estava segurando. “Eu vou vender o lugar para você por 1 dólar e me transformar em seu diretor da mesa de operações. Mas, por favor, tire meu nome da licença!” E então Mike entrou, o velho cão de guerra de Wall Street, que tinha pensado já ter visto de tudo. “Você tem de detê-los!”, implorou ele. “Não conseguimos mais gerenciar nenhum negócio. Estamos na iminência de explodir nosso agente de compensação.” Ele balançou a cabeça, descrente. “Eu nunca vi nada como isso, Jordan. É absolutamente incrível…” O engraçado foi que nosso agente de compensação, a empresa que processava nossas transações, não conseguia lidar com o influxo de volume e estava ameaçando se desconectar da Stratton a menos que desacelerássemos as coisas.
Fiz uma pausa e continuei:
– E então veio o Cabeça Quadrada. “Estou afogado em comissões”, disse ele, em pânico. “Eu não posso mais acompanhá-las. Milhões estão chegando e o banco continua me ligando.” Eu tinha colocado o Cabeça Quadrada no comando de nossas finanças e ele estava se afogando debaixo de um mar de dinheiro e de papelada. Em todo caso, eram todos bons problemas, problemas fáceis de manipular. Com Jim Taormina, eu fiz o que ele pediu: comprei a empresa dele por 1 dólar e fiz dele o diretor da mesa de operações. Com Mike, fiz o que ele pediu também: fiquei de pé em frente à sala de pregões e fiz uma reunião de vendas que transformou a coisa toda em um aspecto positivo. Com uma energia agressiva, eu disse: “O que temos aqui é tão poderoso e tão eficaz que o resto de Wall Street não consegue nos acompanhar!”. Meus strattonitas aplaudiram, gritaram e uivaram. Então, passamos as duas semanas seguintes apenas gerando contatos, o que acabou por alimentar nosso crescimento ainda mais. Para ajudar o Cabeça Quadrada, procurei meu pai, que ainda estava desempregado. Ele era um homem brilhante, um contador licenciado que passara a melhor parte da vida como CFO de várias empresas privadas. Mas ele estava com 50 e tantos anos, um pouco velho demais e superqualificado demais para conseguir um bom emprego. Então eu o recrutei, meio relutante no começo, mas o recrutei assim mesmo. Ele se mudou para o escritório do Cabeça Quadrada, onde os dois tiveram o prazer de levar um ao outro à loucura. Mad Max rapidamente mostrou suas presas, chamando-o de imbecil de merda, idiota do caralho e mil outras coisas pesadas, incluindo, claro, besta do caralho. O fato de que o Cabeça Quadrada era alérgico à fumaça de cigarro foi algo que Mad Max aproveitou além de qualquer limite razoável, consumindo quatro maços por dia e expirando grossos jatos de fumaça na cara do outro, com a força de um canhão da Guerra Civil. Mas, deixando isso de lado, vocês agora podem ver como eu deixei todas as coisas arranjadas. Entre Mike e meu pai eu tinha meu flanco traseiro protegido, e entre Danny e Kenny eu tinha a ponta de uma espada que rivalizava com o Mossad. E eu… Bem, vamos apenas dizer que eu tinha todo o tempo necessário para sentar, fazer reuniões e focar no grande cenário, e para resolver a última peça que faltava no quebra-cabeça, que era onde encontrar ações baratas, como as opções da Ventura tinham feito.
Eu olhei para TOC e sorri.
– Quer adivinhar quem fui procurar para me arrumar isso?
TOC se encolheu.
– Al Abrams – murmurou ele.
– Isso mesmo – respondi. – O senhor Al Abrams, o mais louco de todos em Wall Street – inclinei a cabeça para o lado e olhei para TOC. – Corrija-me se eu estiver errado, Greg, mas uma vez eu ouvi um boato de que Al estava escrevendo cartas para Bill Clinton sobre você, dizendo que você era um agente corrupto.
TOC balançou a cabeça, cansado.
– Ele é um velho louco, esse cara. Quando foi preso, ele tinha uma centena de documentos com ele, alguns com mais de 30 anos.
– Bem, isso parece mesmo coisa do Al – disse casualmente. – Ele nunca gostou de jogar coisas fora. Ele é o que você chamaria de um criminoso cuidadoso.
– Não o suficiente – disse a Bruxa. – Da última vez que verifiquei, ele ainda estava atrás das grades – ela me deu um sorriso diabólico.
Sim, pensei, mas não por causa de você, Cruella, foi TOC que o pegou. Mas eu mantive esse pensamento para mim e disse:
– Na verdade, eu acho que ele já saiu e está provavelmente de volta a Connecticut, enlouquecendo sua pobre esposa. – Olhei para TOC. – Só por curiosidade: quando o prenderam, ele trazia comida nos bolsos? Alguma torta Linzer meio comida? Ele adorava isso.
– Apenas algumas migalhas – respondeu TOC.
Eu balancei a cabeça, mostrando que compreendia.
– Sim, provavelmente estava guardando isso no caso de ficar com fome…
E passei as horas seguintes explicando como Al Abrams tinha me ensinado a arte negra da manipulação de ações. Três vezes por semana nos encontrávamos para tomar café da manhã no restaurante grego local, onde tive o prazer de assistir Al consumir incontáveis tortas Linzer, com metade de cada torta indo direto para sua boca e a outra metade indo para a testa e o rosto, enquanto ele bebia xícara após xícara de café com muita cafeína, até ficar com as mãos tremendo. Em meio a isso tudo, tremedeiras e falações, ele me ensinou o que eu levaria uma vida para aprender. Mas, infelizmente, ao contrário do que aprendi com Mike, esses ensinamentos consistiam no lado negro das coisas, o submundo de Wall Street, o mercado fora da Bolsa, que foi o precursor da NASDAQ, onde as ações eram negociadas por nomeação e os preços eram definidos pelo capricho de gente de intenções escusas como Al e eu.