O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Tinha forte sotaque sulista americano. “Opa, desculpe a linguagem, madame. Já faz muito tempo que eu só vivo entre vacas e porcos.” Ele estendeu a mão a Kenji, “Sou Max Puckett, de DeQueen, Arkansas.”
Kenji apresentou-se e a sua mulher. Max Puckett tinha rosto honesto e sorria com facilidade. “Sabem, quando eu me candidatei para ir a Marte, não sabia que íamos ficar sem peso durante toda a porra da viagem… O que irá acontecer com as pobres galinhas? Provavelmente nunca mais tornarão a botar um único ovo.”
Max caminhou até a janela. “São quase três horas na minha casa lá naquele planetinha engraçado ali. Meu irmão Clyde provavelmente acaba de abrir outra cerveja e a mulher dele, Winona, está preparando um sanduíche para ele.”
Parou algum tempo, depois voltou-se para os Watanabes. “O que é que vocês dois vão fazer em Marte?”
“Eu sou o historiador da colônia”, respondeu Kenji. “Ou pelo menos um deles. Minha mulher Nai vai ensinar inglês e francês.”
“Que merda”, disse Puckett. “Esperava que fossem um dos casais de agricultores do Vietnam ou do Laos. Estou querendo aprender alguma coisa a respeito de arroz.”
“Você não disse alguma coisa sobre galinhas?”, indagou Nai após um breve silêncio. “Nós vamos ter galinhas na Pinta?”
“Madame”, retrucou Puckett, “há quinze mil das melhores de Puckett empacotadas em gaiolas em um rebocador de carga estacionado na outra ponta desta estação. A AEI pagou tanto por essas galinhas que Clyde e Winona poderiam descansar um ano inteiro, se quisessem… Se as tais galinhas não fossem conosco, não sei o que eles haveriam de fazer com elas.”
“Os passageiros só ocupam vinte por cento do espaço na Pinta e na Santa Maria”, lembrou Kenji a Nai. “Os suprimentos e o resto da carga usam o que sobra do espaço. Nós só teremos um total de trezentos passageiros na Pinta, a maioria funcionários da AEI e elementos do pessoal indispensáveis para otimizar as atividades iniciais da colônia.”
“Otimizar as atividades iniciais”, interrompeu Max. “Que merda, você fala igualzinho a esses robôs.” Ele riu para Nai. “Depois de trabalhar dois anos com um robô cultivador, joguei o filho da mãe no lixo e o troquei por um daqueles mais antigos, que não falavam.”
Kenji riu, à vontade. “Acho que uso muito o jargão da AEI. Fui um dos primeiros civis selecionados para a Nova Lowell, e administrei todo o recrutamento no Oriente.”
Max botou um cigarro na boca, e olhou em volta do salão, de observação.
“Não estou vendo nenhum sinal avisando que fumar é permitido, de modo que se eu acender aposto que disparo uma pilha de alarmes.” Botou o cigarro atrás da orelha. “A Winona fica danada quando o Clyde e eu fumamos, dizendo que hoje em dia só agricultor e puta é que ainda fumam.”
Max riu, e Kenji e Nai, também. O rapaz era engraçado. “E por falar em putas”, disse ele com malícia, “onde estão todas aquelas mulheres condenadas que vi na televisão? Uau, algumas delas eram pra lá de boas. Pelo menos, muito mais bonitas que minhas galinhas e meus porcos.”
“Todos os colonos que estavam presos na Terra estão viajando na Santa Maria”, disse Kenji. “Nós vamos chegar dois meses antes deles.”
“Você sabe um bocado sobre esta missão”, disse Max. “E não fala inglês zurrapa feito os japoneses que eu conheci em Little Rock e Texarcana. Você é alguém especial?”
“Não”, respondeu Kenji, sem poder conter o riso. “Como já disse, sou só o principal historiador da colônia.”
Kenji estava a ponto de dizer a Max que vivera nos Estados Unidos por seis anos — o que explicaria a boa qualidade de seu inglês — quando a porta da sala se abriu e um cavalheiro respeitável, de meia-idade, vestido com um terno cinzento e usando gravata escura, entrou. “Perdão”, disse a Max, que novamente colocara na boca seu cigarro apagado, “será que eu me confundi e acabei na sala dos fumantes?”
“Não, papai”, respondeu Max. “Esta é a sala de observação. É bonita demais para ser área de fumante. Provavelmente, só se pode fumar em uma salinha pequena, sem janelas, ao lado de algum banheiro. Meu entrevistador da AEI me disse…”
O senhor de meia-idade estava olhando para Max como se fosse um biólogo e Max alguma espécie rara mas desagradável. “Meu nome, meu jovem”, interrompeu ele, “não é papai. É Pyotr. Para ser exato, Pyotr Mishkin.”
“Muito prazer, Peter”, disse Max, estendendo a mão. “Eu sou Max. Esse casal são os Wabanyabes. São japoneses.”
“Kenji Watanabe”, corrigiu Kenji. “E esta é minha mulher Nai, que é cidadã tailandesa.”
“Sr. Max”, disse Pyotr Mishkin formalmente, “meu primeiro nome é Pyotr, não Peter. Já basta que eu tenha de falar inglês por cinco anos. Sem dúvida, posso pedir que meu nome, pelo menos, retenha seu som russo original.”
“OK, Pee-yot-ur”, disse Max, sorrindo novamente. “O que é que você faz, afinal? Deixe-me adivinhar… você é o agente funerário da colônia.”
Por uma fração de segundo, Kenji temeu que o sr. Mishkin fosse explodir de raiva. Ao invés disso no entanto, um mínimo sorriso apareceu em seu rosto. “Parece, sr. Max”, disse ele lentamente, “que o senhor tem certos dons para comediante. E compreendo que isso possa mesmo até ser uma virtude em uma longa e tediosa viagem espacial.” Parou por um momento. “Para sua informação, não sou agente funerário. Estudei Direito. Até dois anos atrás, quando me aposentei por vontade própria a fim de buscar ‘uma nova aventura’, era membro do Supremo Tribunal Soviético.”
“Santa merda”, exclamou Max Puckett. “Estou me lembrando Eu li a seu respeito no Time… Puxa, juiz Mishkin, desculpe. Eu não tinha reconhecido…”
“Não seja por isso”, interrompeu o juiz Mishkin, com um sorriso divertido se abrindo em seu rosto. “Foi fascinante ser desconhecido por um momento e ser tomado por agente funerário. É provável que o ar de um juiz já há muito integrado em sua atividade fique bem próximo da expressão severa do empregado de uma funerária. Por falar nisso, sr…”
“Puckett, senhor.”
“Por falar nisso, sr. Puckett”, continuou o juiz, “gostaria de juntar-se a mim no bar para um drinque? Uma vodca ia ter um gosto particularmente delicioso neste momento.”
“Uma tequila também”, respondeu Max, dirigindo-se para a porta com o juiz Mishkin. “E por acaso o senhor sabe o que acontece quando se dá tequila aos porcos?… É, eu achava que não… Bem, eu e meu irmão Clyde…”
Os dois desapareceram pela porta, deixando Kenji e Nai Watanabe novamente a sós. O casal entreolhou-se e começou a rir. “Você não acha”, disse Kenji, “que esses dois vão ficar amigos, acha?”
“Não vejo a menor possibilidade. Mas que par de figuras.”
“Mishkin é considerado um dos maiores juristas do século. Seus pareceres são leitura obrigatória em todas as escolas de Direito soviéticas. Puckett era vicepresidente da Cooperativa dos Agricultores do Sudeste de Arkansas. Tem um conhecimento incrível de técnicas de agronomia e pecuária.”
“Você sabe os antecedentes de todo mundo que está na Nova Lowell?”
“Não”, respondeu Kenji. “Mas estudei as fichas de todos os que estão na Pinta.”
Nai pôs o braço em torno do marido. “Fale-me a respeito de Nai Buatong Watanabe”, disse ela.
“Professora tailandesa, fluente em inglês. EI de 2.48, CS de 91…”
Nai interrompeu Kenji com um beijo. “Você esqueceu a característica mais importante”, disse ela.
“E qual é?”
Ela o beijou de novo. “Ser a apaixonada recém-esposa de Kenji Watanabe, historiador da colônia.”
6
A maior parte do mundo estava olhando para a televisão quando a Pinta foi formalmente batizada várias horas antes da partida para Marte, levando passageiros e carga. O segundo vice-presidente do CDG, um executivo suíço da área imobiliária chamado Heinrich Jenzer, esteve presente no OTA-4 para a cerimônia.