A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Tire o manto.
Ela abaixou os olhos, subitamente tímida, mas fez o que lhe pedia. Quando a pesada veste, ensopada de maresia, caiu dos seus ombros e se amontoou no convés, ela fez uma pequena reverência e deu um sorriso ansioso. Ficava com um ar bastante estúpido quando sorria, mas ele nunca tinha exigido das mulheres que fossem espertas.
– Vem cá.
Ela foi:
– Nunca vi as Ilhas de Ferro.
– Considere-se sortuda – Theon afagou seu cabelo. Era fino e escuro, embora o vento o tivesse embaraçado. – As ilhas são lugares austeros e pedregosos, de conforto escasso e perspectivas desanimadoras. Aqui a morte nunca está longe, e a vida é má e magra. Os homens passam as noites bebendo cerveja e discutindo sobre qual dos grupos é pior, o dos pescadores que lutam contra o mar ou o dos agricultores, que tentam arrancar uma colheita do solo pobre e raso. Na realidade, os mineiros vivem pior do que ambos, quebrando suas costas no escuro, e para quê? Ferro, chumbo, estanho, são esses os nossos tesouros. Não é de espantar que os homens de ferro de outrora tivessem se voltado para o saque.
A estúpida moça não parecia estar ouvindo.
– Podia ir para a terra firme com você – ela disse. – Faria isso, se lhe agradasse…
– Podia ir para terra firme – concordou Theon, apertando seu seio –, mas receio que não comigo.
– Trabalharia no seu castelo, senhor. Sei limpar peixe, cozer pão e bater manteiga. O pai diz que meu guisado de caranguejo com pimenta é o melhor que já provou. Poderia encontrar um lugar para mim nas suas cozinhas, e eu poderia preparar guisado de caranguejo com pimenta para o senhor.
– E aquecer minha cama à noite? – estendeu a mão para as fitas do seu corpete e começou a desatá-las, com dedos hábeis e experientes. – Antigamente, poderia tê-la levado para casa como saque e tê-la mantido como esposa, quer você quisesse quer não. Os homens de ferro de outrora faziam coisas assim. Um homem tinha sua esposa da rocha, a verdadeira consorte, nascida de ferro como ele, mas também possuía suas esposas de sal, mulheres capturadas em saques.
Os olhos da moça abriram-se muito, e não era porque ele tinha desnudado seus seios.
– Eu seria sua esposa de sal, senhor.
– Temo que esses dias tenham passado – o dedo de Theon moveu-se ao redor de uma mama pesada, numa espiral que se dirigia para o gordo mamilo marrom. – Já não podemos montar o vento com fogo e espada, roubando o que quisermos. Agora arranhamos o solo e atiramos linhas ao mar como os outros homens e consideramo-nos sortudos se tivermos bacalhau salgado e mingau suficientes para nos sustentar durante um inverno.
Tomou o mamilo na boca e mordeu-o, até ela arfar.
– Pode pôr em mim de novo, se desejar – sussurrou a garota ao seu ouvido, enquanto ele chupava seu seio.
Quando afastou a cabeça do seio dela, a pele estava vermelho-escura onde a boca a marcara.
– Desejo ensinar uma coisa nova a você. Dispa-me, e me dê prazer com a boca.
– Com a boca?
O polegar dele roçou levemente nos lábios carnudos da moça.
– Foi para isso que estes lábios foram feitos, doçura. Se fosse minha esposa de sal, faria o que eu ordenasse.
Ela, a princípio, se mostrou tímida, mas aprendia depressa para uma garota tão estúpida, o que o agradava. Tinha a boca tão úmida e doce como a boceta, e assim não tinha de ouvir sua tagarelice tediosa. Antigamente, teria realmente ficado com ela como esposa de sal, pensou consigo mesmo, enquanto enfiava os dedos no seu cabelo embaraçado. Antigamente. Quando ainda mantínhamos o Costume Antigo, vivíamos pelo machado e não pela picareta, roubando o que quiséssemos, fossem riquezas, mulheres ou glória. Naqueles dias, os homens de ferro não trabalhavam nas minas; isso era tarefa para os cativos trazidos das incursões, assim como o lamentável trabalho na agricultura e na criação de cabras e ovelhas. A guerra era o ofício próprio para um homem de ferro. O Deus Afogado fizera-os para saquear e violar, para esculpir reinos e escrever seus nomes em fogo, sangue e canções.
Aegon, o Dragão, destruira o Costume Antigo quando queimou o Harren Negro, devolveu o reino de Harren aos fracos homens do rio e reduziu as Ilhas de Ferro a um grotão insignificante de um reino muito maior. Mas as velhas histórias vermelhas ainda eram contadas em torno de fogueiras feitas com madeira levada à costa e lareiras fumacentas por todas as ilhas, até no interior dos altos salões de pedra de Pyke. O pai de Theon tinha entre seus títulos o de Senhor Ceifeiro, e as palavras Greyjoy gabavam-se de que Nós Não Semeamos.
Fora mais para trazer de volta o Costume Antigo do que pela vaidade vazia de uma coroa que Lorde Balon desencadeara sua grande rebelião. Robert Baratheon escreveu um fim sangrento para essa esperança, com a ajuda do seu amigo Eddard Stark, mas ambos estavam agora mortos. Meros rapazes governavam nos seus lugares, e o reino que Aegon, o Conquistador, tinha forjado encontrava-se esmagado e dividido. É esta a estação, pensou Theon, enquanto os lábios da filha do capitão deslizavam para cima e para baixo, por todo o seu comprimento, a estação, o ano, o dia, e eu sou o homem. Deu um sorriso torto, perguntando-se o que o pai falaria quando Theon lhe dissesse que ele, o caçula, o bebê e o refém, ele tinha obtido sucesso onde o próprio Lorde Balon falhara.
O clímax veio súbito como uma tempestade, e encheu a boca da moça com o seu sêmen. Surpreendida, ela tentou se afastar, mas Theon a segurou bem pelo cabelo. Depois, ela aninhou-se ao seu lado.
– Satisfiz o senhor?
– Bastante bem.
– Tinha um gosto salgado – ela murmurou.
– Como o mar?
A moça confirmou com a cabeça.
– Sempre adorei o mar, senhor.
– Como eu – ele disse, girando indolentemente o mamilo dela entre os dedos. Era verdade. O mar significava liberdade para os homens das Ilhas de Ferro. Theon havia se esquecido disso, até o Myraham desfraldar as velas em Guardamar. Os sons tinham trazido de volta velhos sentimentos; o ranger da madeira e das cordas, as ordens gritadas pelo capitão, o bater das velas quando o vento as enchia; tudo era tão familiar como o bater do seu próprio coração, e tão reconfortante quanto. Tenho de me lembrar disto, jurou Theon a si mesmo. Nunca mais deverei me afastar do mar.
– Leve-me junto, senhor – suplicou a filha do capitão. – Não preciso ir para o seu castelo. Posso ficar em alguma vila e ser a sua esposa de sal – ela estendeu a mão para acariciar seu rosto.
Theon Greyjoy afastou a mão para o lado e desceu do beliche.
– Meu lugar é em Pyke, e o seu, neste navio.
– Agora não posso ficar aqui.
Ele amarrou os calções.
– E por que não?
– O meu pai. Depois que for embora, ele vai me castigar, senhor. Vai me chamar de nomes feios e me bater.
Theon tirou o manto do cabide e o colocou sobre os ombros.
– Os pais são assim – ele admitiu, enquanto prendia as dobras com uma fivela de prata. – Diga que ele devia ficar contente. Fodi você tantas vezes que é provável que já esteja esperando. Não é qualquer um que tem a honra de criar um bastardo real.
Ela o olhou estupidamente, e ele, simplesmente a deixou ali.
O Myraham rodeava um cabo arborizado. Sob as escarpas cobertas de pinheiros, uma dúzia de barcos de pesca puxava suas redes. O grande navio mercante permaneceu bem afastado deles enquanto manobrava. Theon foi até a proa para ver melhor. Viu primeiro o castelo, o castro dos Botley, uma Casa menor juramentada a seu pai. Quando criança, o castelo era feito de madeira e vime, mas Robert Baratheon tinha arrasado essa estrutura por completo. Lorde Sawane reconstruíra-a em pedra, e agora a colina era coroada por uma pequena fortaleza quadrada. Bandeiras verde-claras pendiam das atarracadas torres dos cantos, cada uma decorada com um cardume de peixes prateados.