A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
Davos bebeu um gole de cerveja para se dar um momento. A estalagem está lotada, e você não é Salladhor Saan, lembrou a si mesmo. Tenha cuidado com o que responde.
– O meu deus é o Rei Stannis. Foi ele que me fez e me abençoou com a sua confiança.
– Lembrarei disso – Salladhor Saan pôs-se em pé. – As minhas desculpas. Estas uvas deram-me fome, e o jantar aguarda na minha Valiriana. Picadinho de carneiro com pimenta, e gaivota assada recheada com cogumelos, funcho e cebola. Em breve comeremos juntos em Porto Real, sim? Vamos nos banquetear na Fortaleza Vermelha, enquanto o anão nos canta uma cantiga alegre. Quando falar com o Rei Stannis, mencione, por favor, que me deverá mais trinta mil dragões quando a lua ficar negra. Ele devia ter me dado aqueles deuses. Eram belos demais para queimar e podiam ter obtido um bom preço em Pentos ou Myr. Bem, se me der a Rainha Cersei por uma noite, vou perdoá-lo.
O liseno deu uma palmada nas costas de Davos e saiu da estalagem como se fosse seu dono. Sor Davos Seaworth ficou debruçado bastante tempo sobre sua caneca, pensando. Um ano antes, estivera com Stannis em Porto Real, quando o Rei Robert organizou um torneio no dia do nome do Príncipe Joffrey. Lembrava-se do sacerdote vermelho Thoros de Myr e da espada flamejante que ele brandiu no corpo a corpo. O homem rendeu um espetáculo colorido, com as vestes vermelhas esvoaçando, enquanto a espada estremecia com chamas verde-claras. Mas todos sabiam que não havia ali verdadeira magia, e no fim o fogo esgotou-se, e Bronze Yohn Royce abriu sua cabeça com uma maça vulgar.
Agora, uma verdadeira espada de fogo, isso seria uma maravilha digna de se ver. Mas a um custo tão alto… Quando pensava em Nissa Nissa, era sua Marya que imaginava, uma mulher rechonchuda e de boa índole, com seios caídos e um sorriso amável, a melhor mulher do mundo. Tentou se imaginar enfiando uma espada nela, e estremeceu. Não sou feito do material de que se fazem os heróis, decidiu. Se esse era o preço de uma espada mágica, era mais do que ele queria pagar.
Davos terminou sua cerveja, empurrou a caneca para longe e abandonou a estalagem. Ao sair, deu uma palmadinha na cabeça da gárgula e murmurou:
– Sorte.
Todos iriam precisar dela.
Já era noite bem avançada quando Devan chegou a Bertha Negra, conduzindo um palafrém branco como a neve.
– Senhor meu pai – anunciou –, Sua Graça ordena que compareça perante ele na Sala da Mesa Pintada. Deve montar o cavalo e ir de imediato.
Era bom ver Devan com um aspecto tão magnífico nas suas vestes de escudeiro, mas a convocatória deixou Davos apreensivo. Ordenará que zarpemos?, Davos perguntou-se. Salladhor Saan não era o único capitão que sentia que Porto Real estava maduro para um ataque, mas um contrabandista tem de aprender a ter paciência. Não temos nenhuma esperança de vitória. Disse isso ao Meistre Cressen no dia em que voltei a Pedra do Dragão, e nada mudou. Somos poucos demais, e os inimigos são muitos. Se mergulharmos os remos, morreremos. Mesmo assim, subiu no cavalo.
Quando Davos chegou ao Tambor de Pedra, uma dúzia de cavaleiros nobres e grandes vassalos acabavam de sair. Os Lordes Celtigar e Velaryon deram-lhe, cada um, apenas um aceno seco enquanto os outros o ignoraram por completo, mas Sor Axell Florent parou para trocar algumas palavras.
O tio da rainha Selyse era um autêntico barril, com braços grossos e pernas arqueadas. Possuía as orelhas proeminentes de um Florent, ainda maiores do que as da sobrinha. Os pelos grossos que brotavam das dele não o impediam de saber da maior parte das coisas que se passavam no castelo. Sor Axell servira durante dez anos como castelão em Pedra do Dragão, enquanto Stannis participava do conselho de Robert em Porto Real, mas nos últimos tempos tinha se tornado o mais destacado dos homens da rainha.
– Sor Davos, é bom vê-lo, como sempre – o homem disse.
– Igualmente, senhor.
– Também reparei em você hoje de manhã. Os falsos deuses arderam com uma luz feliz, não é verdade?
– Arderam brilhantemente – Davos não confiava naquele homem, apesar de toda sua cortesia. A Casa Florent tinha se declarado partidária de Renly.
– A Senhora Melisandre disse-nos que às vezes R’hllor permite que seus servos fiéis vislumbrem o futuro nas chamas. Pareceu-me, enquanto observava o fogo de manhã, que estava olhando para uma dúzia de belas dançarinas, donzelas vestidas de seda amarela que rodopiavam e redemoinhavam perante um grande rei. Penso que foi uma verdadeira visão, sor. Um vislumbre da glória que espera Sua Graça depois de tomarmos Porto Real e o trono, que é seu de direito.
Stannis não gosta nada de tais danças, pensou Davos, mas não se atreveu a ofender o tio da rainha.
– Eu vi apenas fogo – ele respondeu –, mas a fumaça estava deixando meus olhos com lágrimas. Perdoe-me, senhor, o rei aguarda – passou por Sor Axell, perguntando-se por que ele teria lhe dado trela. Ele é um homem da rainha, e eu sou do rei.
Stannis estava sentado à sua Mesa Pintada com o Meistre Pylos espreitando por sobre seu ombro, e uma pilha desordenada de papéis à frente dos dois.
– Sor – disse o rei quando Davos entrou –, venha dar uma olhada nesta carta.
Obedientemente, Davos escolheu um papel ao acaso.
– Parece bastante bonita, Vossa Graça, mas temo que não saiba ler as palavras – Davos podia decifrar mapas tão bem como qualquer outro, mas as cartas e os outros escritos estavam além do seu poder. Mas o meu Devan aprendeu as letras, e os jovens Steffon e Stannis também.
– Esqueci – um sulco de irritação apareceu entre as sobrancelhas do rei. – Pylos, leia.
– Vossa Graça – o meistre pegou um dos pergaminhos e pigarreou. – Todos sabem que sou filho legítimo de Steffon Baratheon, Senhor de Ponta Tempestade, e da senhora sua esposa, Cassana, da Casa Estermont. Declaro pela honra da minha Casa que meu querido irmão Robert, nosso falecido rei, não deixou legítima descendência do seu sangue, sendo o garoto Joffrey, o garoto Tommen e a moça Myrcella abominações nascidas de incesto entre Cersei Lannister e seu irmão Jaime, o Regicida. Pelo direito do nascimento e do sangue, reclamo neste dia o Trono de Ferro dos Sete Reinos de Westeros. Que todos os homens fiéis declarem a sua lealdade. Feito à Luz do Senhor, com a assinatura e o selo de Stannis da Casa Baratheon, o Primeiro do Seu Nome, Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, e Senhor dos Sete Reinos – o pergaminho fez um suave ruído quando Pylos o pousou sobre a mesa.
– Escreva Sor Jaime, o Regicida, daqui em diante – disse Stannis, franzindo a sobrancelha. – Seja o que for além disso, o homem ainda é um cavaleiro. E também não sei se devíamos chamar Robert de meu querido irmão. Não me queria mais do que era forçado a querer, nem eu a ele.
– Uma cortesia inofensiva, Vossa Graça – Pylos observou.
– Uma mentira. Retire-a – Stannis virou-se para Davos. – O meistre disse-me que temos à disposição cento e dezessete corvos. Pretendo usar todos. Cento e dezessete corvos levarão cento e dezessete cópias da minha carta a todos os cantos do reino, da Árvore à Muralha. Talvez uma centena vença as tempestades, os falcões e as flechas. Se assim for, uma centena de meistres lerão as minhas palavras a outros tantos senhores em outros tantos aposentos privados e quartos de dormir… E então, o mais provável é que as cartas sejam entregues às chamas e os lábios se comprometam com o silêncio. Esses grandes senhores amam Joffrey, Renly ou Robb Stark. Eu sou o seu legítimo rei, mas vão me recusar se puderem. Por isso preciso de você.
– Estou às suas ordens, meu rei. Como sempre.
Stannis acenou com a cabeça.
– Desejo que leve o Bertha Negra para o norte, para Vila Gaivotas, os Dedos, as Três Irmãs, até Porto Branco. Seu filho Dale irá para o sul no Espectro, para lá de Cabo da Fúria e do Braço Partido, ao longo de toda a costa de Dorne até a Árvore. Cada um de vocês levará um baú cheio de cartas e entregará uma em cada porto, castro e aldeia de pescadores. Pregue-as nas portas dos septos e estalagens para que cada homem que saiba ler possa fazê-lo.