A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
Davos respondeu:
– Serão bem poucos.
– Sor Davos fala a verdade, Vossa Graça – confirmou Meistre Pylos. – Seria melhor que as cartas fossem lidas em voz alta.
– Melhor, mas mais perigoso – Stannis retrucou. – Estas palavras não serão bem recebidas.
– Dê-me cavaleiros para a leitura – Davos pediu. – Isso terá mais peso do que qualquer coisa que eu possa dizer.
Stannis pareceu contente com a ideia.
– Sim, posso lhe dar esses homens. Tenho uma centena de cavaleiros que preferem ler a lutar. Seja direto onde puder, e furtivo onde for necessário. Use todos os truques de contrabandista que conhece, as velas negras, as enseadas escondidas, o que for preciso. Se faltarem cartas, capture alguns septões e faça-os copiar mais. Pretendo usar também seu segundo filho. Ele atravessará o Mar Estreito no Senhora Marya, até Bravos e as outras Cidades Livres, para entregar outras cartas aos homens que lá governam. O mundo passará a saber da minha pretensão, e da infâmia de Cersei.
Pode lhes contar, pensou Davos, mas acreditarão? Lançou um relance pensativo a Meistre Pylos. O rei reparou no olhar.
– Meistre, talvez devesse começar sua escrita. Necessitaremos de muitas cartas, e em breve.
– Como desejar – Pylos fez uma reverência e se retirou.
O rei esperou até ele sair, para só então dizer:
– O que é que não queria dizer na frente do meu meistre, Davos?
– Meu suserano, Pylos é bastante agradável, mas não consigo olhar para a corrente que ele tem em volta do pescoço sem sentir luto por Meistre Cressen.
– É culpa dele que o velho tenha morrido? – Stannis deu uma olhada para o fogo. – Nunca quis Cressen naquele banquete. Sim, ele tinha me irritado, tinha me dado maus conselhos, mas não o queria morto. Tive esperança de que lhe pudessem ser concedidos alguns anos de tranquilidade e conforto. Merecia pelo menos isso, mas… – rangeu os dentes – morreu. E Pylos serve-me com competência.
– Pylos é o de menos. A carta… Pergunto-me o que seus senhores pensaram dela.
Stannis fungou.
– Celtigar declarou-a admirável. Se lhe mostrasse o conteúdo da minha latrina, iria declará-lo igualmente admirável. Os outros sacudiram as cabeças para cima e para baixo como um bando de gansos, todos, menos Velaryon, que disse que o assunto seria decidido com aço, e não com palavras num pergaminho. Como se eu nunca tivesse suspeitado de tal coisa. Que os Outros levem os meus senhores. Quero ouvir a sua opinião.
– Suas palavras foram diretas e fortes.
– E verdadeiras.
– E verdadeiras. Mas não tem provas. Desse incesto. Não tem mais do que tinha há um ano.
– Há uma espécie de prova em Ponta Tempestade. O bastardo de Robert. O que ele gerou na minha noite de núpcias, exatamente na cama que tinham preparado para mim e para a minha noiva. Delena era uma Florent, e uma donzela quando ele a tomou, por isso Robert reconheceu o bebê. Chamam-no Edric Storm. Dizem que é a imagem e semelhança do meu irmão. Se os homens o vissem e depois voltassem a olhar para Joffrey e Tommen, não teriam como duvidar, penso eu.
– Mas como os homens poderão vê-lo se ele está em Ponta Tempestade?
Stannis tamborilou na Mesa Pintada com os dedos.
– É uma dificuldade. Uma de muitas – ergueu os olhos. – Tem mais a dizer a respeito da carta. Bem, prossiga com isso. Não o fiz cavaleiro para que aprendesse a proferir cortesias vazias. Para isso tenho meus senhores. Diga o que quer dizer, Davos.
Davos fez uma reverência:
– Há uma frase no fim. Como era? Feito à Luz do Senhor…
– Sim – o maxilar do rei estava apertado.
– Seu povo não gostará dessas palavras.
– Assim como você? – Stannis perguntou rispidamente.
– Se, em vez delas, dissesse: Feito à vista dos deuses e dos homens, ou Pela graça dos deuses, antigos e modernos…
– Tornou-se agora devoto, contrabandista?
– Essa era a pergunta que eu queria fazer ao senhor, meu suserano.
– Ah, era? Parece que não gosta mais do meu novo deus do que do meu novo meistre.
– Não conheço este Senhor da Luz – Davos admitiu –, mas conhecia os deuses que queimamos hoje de manhã. O Ferreiro manteve meus navios a salvo, ao passo que a Mãe me deu sete filhos fortes.
– Sua esposa lhe deu sete filhos fortes. Reza para ela? O que queimamos hoje de manhã foi madeira.
– Pode ser que sim – Davos respondeu –, mas, quando eu era rapaz no Fundo das Pulgas e andava pedindo moedas de cobre, às vezes os septões alimentavam-me.
– Quem o alimenta agora sou eu.
– O senhor me deu um lugar de honra à sua mesa. E, em troca, eu lhe dou a verdade. Seu povo não o amará se tirar dele os deuses que sempre adorou, e lhe der um que tem até um nome que soa estranho na língua que falam.
Stannis ficou em pé bruscamente.
– R’hllor. Por que será assim tão difícil? Eles não me amarão, você diz? Como posso perder algo que nunca possuí? – deslocou-se até a janela sul e ficou olhando o mar iluminado pela lua. – Deixei de acreditar em deuses no dia em que vi o Orgulho do Vento quebrar-se do outro lado da baía. Jurei que quaisquer deuses que fossem monstruosos a ponto de afogar minha mãe e meu pai nunca teriam a minha adoração. Em Porto Real, o Alto Septão gostava de tagarelar comigo sobre o modo como toda justiça e bondade emanavam dos Sete, mas tudo o que sempre vi foi que ambas eram feitas pelos homens.
– Se não acredita em deuses…
– … por que me perturbar com este novo? – Stannis o interrompeu. – Perguntei-me a mesma coisa. Pouco sei sobre deuses, e me preocupo com eles ainda menos, mas a sacerdotisa vermelha tem poder.
Sim, mas que tipo de poder?
– Cressen tinha sabedoria.
– Confiei na sabedoria dele e nas suas artimanhas, e o que foi que me trouxeram, contrabandista? Os senhores da tempestade mandaram-me embora. Fui até eles como pedinte e riram de mim. Pois bem, não haverá mais pedidos, e também não haverá mais risos. O Trono de Ferro é legitimamente meu. Mas como vou obtê-lo? Há quatro reis no reino, e três deles têm mais homens e ouro do que eu. Tenho navios… e tenho ela. A mulher vermelha. Metade dos meus cavaleiros tem medo até de dizer seu nome, sabia? Mesmo se não puder fazer mais nada, uma feiticeira que é capaz de inspirar tal terror em adultos não pode ser desprezada. Um homem assustado é um homem vencido. E talvez possa fazer mais. Pretendo verificar. Quando era rapaz, encontrei um açor ferido e tratei dele até que recuperasse a saúde. Chamei-o Asaltiva. Costumava se empoleirar no meu ombro, esvoaçar de sala em sala atrás de mim e comer na minha mão, mas não voava alto. Uma vez ou outra levei-o à caça, mas nunca subiu mais alto do que as copas das árvores. Robert chamou-o Asafraca. Ele tinha um falcão-gerifalte chamado Trovão que nunca errava um ataque. Um dia, nosso tio-avô, Sor Harbert, disse-me para experimentar outra ave. Disse que estava fazendo papel de idiota com Asaltiva, e tinha razão.
Stannis Baratheon virou as costas para a janela e para os fantasmas que se deslocavam pelo mar do sul.
– Os Sete nunca me trouxeram nem um pardal. É tempo de experimentar outro falcão, Davos. Um falcão vermelho.