A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Quando meu irmão assaltou Guardamar – Theon respondeu. Lorde Jason matara Rodrik Greyjoy sob as muralhas do castelo e expulsara os homens de ferro de volta para a baía. – Se seu pai acha que tenho alguma inimizade em relação a ele só por causa disso, é só porque nunca conheceu Rodrik.
Eles riram muito daquilo enquanto corriam até uma afetuosa esposa de um moleiro que Patrek conhecia. Gostaria que Patrek estivesse comigo agora. Mallister ou não, era uma companhia de cavalgada mais amigável que este velho sacerdote azedo em que o tio Aeron se transformara.
O caminho que seguiam retorcia-se cada vez mais para cima, por montes nus e pedregosos. Logo estavam fora da vista do mar, embora o odor do sal ainda pairasse, vivo, no ar úmido. Mantinham um ritmo pesado e constante, passando pelo cercado de um pastor e pelas instalações abandonadas de uma mina. Este novo e santo Aeron Greyjoy não era muito de falar. Por isso avançavam numa melancolia de silêncio. Finalmente, Theon não conseguiu suportá-la mais.
– Robb Stark é agora senhor de Winterfell – ele finalmente disse.
Aeron prosseguiu seu caminho.
– Os lobos são muito iguais uns aos outros.
– Robb quebrou a lealdade ao Trono de Ferro e se fez coroar Rei do Norte. Há guerra.
– Os corvos do meistre voam tão bem sobre o sal como sobre a rocha. Essa notícia é velha e fria.
– Significa um novo dia, tio – Theon falou em tom de promessa.
– Todas as manhãs trazem um novo dia, muito igual ao velho.
– Em Correrrio, diriam outra coisa – Theon respondeu. – Ouvi dizer que o cometa vermelho é um arauto de uma nova era. Um mensageiro dos deuses, dizem.
– É um sinal – concordou o sacerdote –, mas do nosso deus, não dos deles. É uma tocha ardente, como as que a nossa gente transportava nos tempos antigos. É a chama do Deus Afogado trazida do mar e proclama uma maré cheia. É tempo de içar as velas e avançar para o mundo com fogo e espada, como ele fez.
Theon sorriu.
– Concordo em gênero e número.
– Um homem concorda com deus como uma gota de chuva com a tempestade.
Esta gota de chuva será rei um dia, velho. Theon suportara mais do que conseguia a melancolia do tio. Então, enfiou as esporas no cavalo e trotou em frente, sorrindo.
O sol estava prestes a se pôr quando chegaram às muralhas de Pyke, um crescente de pedra escura que corria de falésia a falésia, com a guarita ao centro e três torres quadradas de cada lado. Theon ainda conseguia distinguir as cicatrizes deixadas pelas pedras das catapultas de Robert Baratheon. Uma nova torre sul tinha sido erguida das ruínas da antiga, feita de pedras com um tom de cinza mais claro e ainda limpa de manchas de liquens. Fora ali que Robert abrira sua brecha, subindo depois sobre o entulho e os cadáveres com o martelo de guerra na mão, e Ned Stark a seu lado. Theon observara, da segurança da Torre do Mar, e por vezes ainda via os archotes em sonhos e ouvia o estrondo abafado do colapso.
Os portões estavam abertos para ele entrar, com a porta levadiça de ferro enferrujado erguida. Os guardas no topo das ameias observaram, sem o reconhecer, quando Theon Greyjoy voltou finalmente para casa.
Para lá da muralha exterior estendia-se meia centena de acres de promontório, empurrado contra o céu e o mar. Os estábulos ficavam ali, bem como os canis e alguns outros edifícios espalhados. Ovelhas e porcos amontoavam-se nos seus currais, enquanto os cães do castelo corriam em liberdade. Ao sul ficavam as falésias e a larga ponte de pedra que levava à Grande Fortaleza. Theon conseguia ouvir o bater das ondas quando saltou da sela. Um cavalariço veio levar o cavalo. Um par de crianças esqueléticas e alguns servos ficaram olhando-o sem expressão, mas não viu sinal do senhor seu pai nem de mais ninguém que reconhecesse da sua infância. Um retorno ao lar gelado e amargo, pensou.
O sacerdote não desmontou.
– Não vai ficar esta noite para partilhar da nossa comida e bebida, tio?
– Disseram-me traga-o. E eu o trouxe. Agora volto aos assuntos do nosso deus – Aeron Greyjoy virou o cavalo e saiu lentamente do castelo sob os espigões enlameados da porta levadiça.
Uma velha corcunda enfiada num vestido cinza sem forma aproximou-se dele com cautela:
– Senhor, mandaram-me levá-lo aos seus aposentos.
– A pedido de quem?
– Do senhor seu pai, senhor.
Theon puxou as luvas.
– Então você sabe quem eu sou. Por que meu pai não está aqui para me receber?
– Espera-o na Torre do Mar, senhor. Quando estiver descansado da viagem.
E eu achava Ned Stark frio.
– E você, quem é?
– Helya, que mantém o castelo para o senhor seu pai.
– Sylas era o intendente daqui. Chamavam-no de Boca Azeda – mesmo agora, Theon recordava o fedor de vinho do hálito do velho.
– Está morto há cinco anos, senhor.
– E Meistre Qalen, onde está?
– Dorme no mar. Wendamyr cuida agora dos corvos, mas foi para o sul, para Vilavelha, tratar de uns assuntos quaisquer de meistre.
É como se eu fosse um estranho aqui, Theon pensou. Nada mudou, mas tudo mudou.
– Leve-me aos meus aposentos, mulher – ele ordenou.
Com uma reverência rígida, ela o levou através do promontório em direção à ponte. Isso, pelo menos, era como ele recordava; as antigas pedras escorregadias com os borrifos de água do mar e manchadas por liquens, o mar espumando sob seus pés como um grande animal selvagem, o vento salgado agarrando-se à sua roupa.
Quando pensava no regresso à sua casa, sempre se imaginava voltando ao quarto confortável da Torre do Mar onde dormia quando criança. Mas, em vez disso, a velha o levou para a Fortaleza Sangrenta. Os salões eram maiores e mais bem mobilados, ainda que não fossem menos frios e úmidos. Foi-lhe dada uma suíte de salas gélidas com tetos tão altos que se perdiam na escuridão. Poderia ter ficado mais impressionado, caso não soubesse que aqueles eram exatamente os aposentos que tinham dado nome à Fortaleza Sangrenta. Mil anos antes, os filhos do Rei do Rio tinham sido ali massacrados, cortados em pedaços nas suas camas para que as partes dos seus corpos fossem enviadas de volta ao pai, no continente.
Mas Theon era um Greyjoy, e os Greyjoy não eram assassinados em Pyke, exceto muito de vez em quando pelos irmãos, e seus irmãos estavam ambos mortos. Não era o medo de fantasmas que o fazia olhar em volta com desagrado. Os reposteiros estavam verdes de bolor, o colchão cheirava a mofo e fazia uma cova e as esteiras eram velhas e quebradiças. Tinham-se passado anos desde que aqueles aposentos tinham sido abertos pela última vez. A umidade atacava os ossos.
– Quero uma bacia de água quente e um fogo nesta lareira – disse à velha. – Mande que acendam braseiros nas outras salas para expulsar um pouco deste frio. E, que os deuses sejam bondosos, mande alguém aqui imediatamente para trocar estas esteiras.
– Sim, senhor. Às suas ordens – ela respondeu e fugiu.
Algum tempo depois, trouxeram a água quente que pedira. Estava apenas tépida, em breve esfriaria, e ainda por cima era água do mar, mas serviu para lavar a poeira da longa cavalgada da sua cara, cabelo e mãos. Enquanto dois servos corriam ao redor acendendo braseiros, Theon despiu as roupas manchadas pela viagem e vestiu-se para o encontro com o pai. Escolheu botas de couro negro flexível, calções suaves de lã de carneiro, cinza-prateados, um gibão de veludo negro com a lula gigante dourada dos Greyjoy bordada no peito. Em volta da garganta prendeu um fino fio de ouro, e em torno da cintura, um cinto de couro branco. Pendurou uma adaga de um lado da cintura e uma espada longa do outro, em bainhas com riscas negras e douradas. Puxando o punhal, testou seu fio com o polegar, pegou uma pedra de amolar da bolsa de cinto e deslizou-a algumas vezes pela lâmina. Orgulhava-se por manter as armas afiadas.