Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Desculpe-me, senhor – ele disse – mas seu nome é dr. Watson?
Eu assenti de modo frio, que mostrou, ouso dizer, de modo bastante claro, a impressão que aquela cena havia causado em mim.
– Achamos que devia ser o senhor, já que sua amizade com o sr. Sherlock Holmes é muito conhecida. O senhor se incomodaria de falar um instante com a sra. Douglas?
Eu o segui de cara fechada. Eu conseguia visualizar nitidamente aquela figura morta lá no chão. Aqui, algumas horas após sua morte, estavam sua esposa e seu melhor amigo rindo atrás de uma moita no jardim que fora dele. Cumprimentei a senhora com reserva. Eu havia me preocupado com a tristeza dela na sala de jantar. Agora eu a olhava com indiferença.
– Receio que o senhor me considere insensível e sem coração – disse ela.
Eu dei de ombros.
– Não é da minha conta – eu disse.
– Talvez algum dia me dê razão. Se o senhor fizesse idéia...
– Não há necessidade de explicar nada ao dr. Watson – Barker cortou rapidamente. – Como ele mesmo disse, não tem nada com isso.
– Exatamente – eu disse – e por isso peço licença para continuar minha caminhada.
– Um momento, dr. Watson! – gritou a mulher, com voz suplicante. – Há uma pergunta que o senhor pode responder com muito mais autoridade que qualquer outra pessoa, e pode ser muito importante para mim. O senhor conhece o sr. Holmes e seu relacionamento com a polícia melhor do que qualquer um. Supondo-se que ele fosse informado, de modo confidencial, de alguma coisa, é absolutamente necessário que revele isso aos detetives?
– Sim, é verdade – disse Barker, impaciente. – Ele está aqui por conta própria ou está trabalhando juntamente com os outros?
– Nem sei se eu deveria estar falando sobre isso.
– Eu lhe peço. Eu lhe imploro, dr. Watson, que o senhor responda. Eu lhe asseguro que estará nos ajudando; ajudando-me muito se nos orientar a respeito disso.
Havia um tom de sinceridade na voz da mulher, e por um instante esqueci-me de tudo sobre sua leviandade e estava pensando apenas em atender ao seu desejo.
– O sr. Holmes é um investigador particular – eu disse. – Ele é o seu próprio chefe e age de acordo com sua própria opinião. Ao mesmo tempo, naturalmente, ele é leal com os detetives da polícia que estejam trabalhando num mesmo caso, e não esconde deles nada que possa ajudá-los a solucionar o problema. Fora isso não posso dizer nada mais, a não ser encaminhá-la ao sr. Holmes para que a senhora obtenha maiores informações.
Ao dizer isso, fiz um cumprimento erguendo o chapéu e continuei em minha caminhada, deixando-os ainda sentados naquele banco escondido atrás da cerca de teixos. Olhei para trás, ao contornar a extremidade da cerca, e vi que os dois conversavam de modo muito compenetrado, e como olhavam para mim, estava claro que a nossa conversa era o assunto da discussão deles.
– Não quero saber das confidências dela – disse Holmes quando lhe contei o que acontecera. Ele passara a tarde inteira na Casa Senhorial discutindo o caso com seus dois colegas, e voltou à hospedaria às cinco horas com muito apetite para tomar o chá que eu havia pedido para ele. – Não quero saber de confidências, Watson, pois elas se tornarão muito embaraçosas se houver uma acusação de conspiração e assassinato.
– Você acha que acontecerá isso?
Ele estava muito alegre e com um jeito jovial.
– Meu caro Watson, depois que eu devorar aquele quarto ovo estarei em condições de pôr você a par de toda a situação. Não digo que já tenhamos elucidado tudo – longe disso –, mas quando encontrarmos o halter que desapareceu...
– O halter!
– Puxa, Watson, será possível que você não tenha percebido que o caso gira em torno do halter que sumiu? Bem, bem, não precisa ficar triste, pois, cá entre nós, acho que nem o inspetor Mac, nem o excelente médico local compreenderam a importância desse incidente. Um halter, Watson! Considere um atleta com um halter. Imagine o que isso acarretaria: o perigo de uma curvatura na espinha. Surpreendente, Watson; surpreendente!
Ele estava com a boca cheia de torrada e os olhos com um brilho que revelavam alguma idéia inusitada, observando meu embaraço intelectual. O seu bom apetite era uma garantia de sucesso, porque eu tinha lembranças muito vivas de dias e noites em que ele nem tocava na comida, quando sua mente se ocupava com algum problema e seu corpo esguio, ágil, tornava-se mais magro ainda com o ascetismo da completa concentração mental. Finalmente ele acendeu o cachimbo e, sentado junto à lareira da hospedaria, falou calmamente e sem seguir uma linha lógica sobre o caso, como se estivesse pensando alto e não fazendo uma afirmação ponderada.
– Uma mentira, Watson: uma grande, enorme, intrometida, inflexível mentira, é isso que nos espera. É esse o nosso ponto de partida. Toda a história contada por Barker é uma mentira. Mas a história de Barker é apoiada pela sra. Douglas. Conseqüentemente, ela está mentindo também. Os dois estão mentindo, conspirando. Então agora temos o problema bem claramente: por que estão mentindo, e qual a verdade que tentam tão obstinadamente esconder? Vamos tentar, Watson, você e eu, descobrir o que há por trás dessa mentira e reconstituir a verdade.
– Como eu sei que eles estão mentindo? Porque é uma invenção tosca que simplesmente não pode ser verdadeira. Veja bem! Segundo a história que nos contaram, o assassino teve menos de um minuto, após o assassinato, para retirar a aliança, que estava por baixo de um anel, colocar esse outro anel (coisa que ninguém faria) e deixar aquele estranho cartão ao lado da vítima. Obviamente eu acho tudo isso impossível. Você pode argumentar – mas tenho muito respeito por você, Watson, para achar que você faria isso – que a aliança pode ter sido retirada antes de ele ter sido assassinado. O fato de que a vela fora acesa pouco antes mostra que não houve tempo para conversas. Seria Douglas, já que dizem que ele era destemido, capaz de entregar sua aliança assim sem opor resistência, ou devemos imaginar que ele seria capaz de entregá-la? Não, não, Watson, o assassino ficou sozinho com o morto por algum tempo com a luz acesa. Quanto a isso, não tenho a menor dúvida. Mas a espingarda, aparentemente, foi a causa da morte. Conseqüentemente, ela deve ter sido disparada antes da hora que nos disseram. Mas não deveria haver dúvida quanto a isso. Estamos diante de uma deliberada conspiração por parte de duas pessoas que ouviram o disparo: Barker e a esposa de Douglas. Quando eu tiver condições, no desenvolvimento das investigações, de provar que a marca de sangue sobre o peitoril foi colocada ali deliberadamente por Barker para dar uma pista falsa à polícia, você verá que as coisas ficarão pretas para o lado dele.
– Agora precisamos nos perguntar a que horas o assassinato realmente ocorreu. Até as 22:30h os criados ainda estavam andando pela casa, de modo que certamente não aconteceu antes dessa hora. Às 22:45h todos já tinham ido para os seus aposentos, com exceção de Ames, que estava na copa. Fiz alguns testes, depois que você veio embora, hoje à tarde, e vi que nenhum ruído feito por Barker no escritório poderia chegar à copa estando todas as portas fechadas. Mas não acontece o mesmo com o quarto da governanta. Não fica tão longe assim e de lá eu podia ouvir vozes vagamente, se elas estivessem num tom alto. O som de um disparo é até certo ponto abafado quando o disparo é feito de muito perto, como sem dúvida aconteceu neste caso. Não deve ter sido um som muito alto, e mesmo assim, no silêncio da noite, deve ter chegado facilmente ao quarto da sra. Allen. Ela é, como nos disse, um tanto surda, mas mesmo assim citou no depoimento que ouviu uma porta bater meia hora antes de ser dado o alarme. Meia hora antes do alarme pode ter sido 22:45h. Não tenho dúvida de que o que ela ouviu foi o disparo da arma, e que esse foi o exato momento do crime. Se assim for, temos agora que determinar o que o sr. Barker e a sra. Douglas, presumindo que eles não são os verdadeiros assassinos, ficaram fazendo de 22:45h quando o barulho do disparo os fez descer, até 23:15h, quando tocaram a campainha e chamaram os criados. O que estavam fazendo e por que não deram o alarme imediatamente? É essa pergunta que temos, e quando ela for respondida, teremos dado um passo para a resolução do problema.