A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Ela nunca teria tapeado o Cão de Caça, pensou durante a longa caminhada de volta às docas. A distância parecia ter aumentado quilômetros desde que a percorrera a cavalo.
A galé roxa ainda se encontrava no mesmo lugar. Se o navio tivesse zarpado enquanto estava sendo assaltada, isso teria sido demais para suportar. Um barril de hidromel estava sendo rolado pela prancha acima quando chegou. Quando tentou segui-lo, um marinheiro no convés gritou-lhe numa língua que não conhecia.
– Quero falar com o capitão – disse-lhe Arya. Ele limitou-se a gritar mais alto. Mas a agitação atraiu a atenção de um homem robusto e grisalho vestido com um casaco de lã roxa, e ele falava o Idioma Comum.
– Eu sou o capitão aqui – disse ele. – O que deseja? Rápido, pequena, temos de apanhar a maré.
– Quero ir para o norte, para a Muralha. Olhe, posso pagar. – Deu-lhe a bolsa. – A Patrulha da Noite tem um castelo junto ao mar.
– Atalaialeste. – O capitão despejou a prata na palma da mão e franziu a testa. – Isto é tudo que tem?
Não é suficiente, compreendeu Arya sem que lhe dissessem. Conseguia ver no rosto do homem.
– Não ia precisar de uma cabine, nem nada disso – disse. – Eu poderia dormir no porão, ou...
– Aceite-a como moça de cabine – disse um remador que passava por ali, com um fardo de lã ao ombro. – Ela pode dormir comigo.
– Tento na língua – exclamou o capitão.
– Eu poderia trabalhar – disse Arya. – Poderia esfregar os conveses. Eu já esfreguei os degraus de um castelo. Ou poderia remar...
– Não – disse ele –, não poderia. – Devolveu-lhe as moedas. – E não faria diferença se pudesse, pequena. O norte não tem nada para nós. Gelo, guerra e piratas. Vimos uma dúzia de navios piratas rumando para o norte quando viramos a Ponta da Garra Rachada, e não tenho nenhuma vontade de voltar a encontrá-los. Daqui, apontamos os remos para casa, e eu sugiro que você faça a mesma coisa.
Não tenho casa, pensou Arya. Não tenho alcateia. E agora nem sequer tenho um cavalo.
O capitão estava se virando quando ela disse:
– Que navio é este, senhor?
Ele parou tempo suficiente para lhe conceder um sorriso cansado.
– Esta é a galeota Filha do Titã, da Cidade Livre de Bravos.
– Espere – disse subitamente Arya. – Tenho mais uma coisa. – Enfiara-a na roupa de baixo para mantê-la em segurança, por isso teve de procurar bem fundo para achá-la, enquanto os remadores riam e o capitão esperava com óbvia impaciência.
– Mais uma moeda de prata não fará diferença, pequena – disse por fim.
– Não é prata. – Seus dedos fecharam-se sobre ela. – É ferro. Tome. – Enfiou-a na mão dele, a pequena moeda negra de ferro que Jaqen H’ghar lhe dera, tão gasta que o homem cuja cabeça mostrava não tinha feições. Provavelmente não tem nenhum valor, mas...
O capitão virou-a, pestanejou, e então voltou a olhá-la.
– Isto... como...?
Jaqen disse para pronunciar as palavras também. Arya cruzou os braços contra o peito.
– Valar morghulis – disse, tão alto como se soubesse o que aquilo queria dizer.
– Valar dohaeris – respondeu o homem, tocando a testa com dois dedos. – É claro que terá uma cabine.
SAMWELL
–E le suga com mais força do que o meu. – Goiva afagou a cabeça do bebê enquanto o segurava junto do mamilo.
– Tem fome – disse a loura chamada Val, aquela que os irmãos negros chamavam de princesa selvagem. – Viveu até agora de leite de cabra e das poções daquele meistre cego.
O rapaz ainda não tinha nome, tal como o de Goiva. Era esse o costume dos selvagens. Nem mesmo o filho de Mance Rayder teria um nome até o seu terceiro ano, aparentemente, embora Sam tivesse ouvido os irmãos chamarem-no de “principezinho” e “nascido-em-batalha”.
Observou a criança se alimentar do seio de Goiva e então observou Jon observando. Jon está sorrindo. Um sorriso triste, ainda, mas decididamente uma espécie de sorriso. Sam sentiu-se contente por ver isso. É a primeira vez que o vejo sorrir desde que voltei.
Tinham caminhado de Fortenoite até Lago Profundo, e de Lago Profundo até Portão da Rainha, seguindo uma estreita trilha de um castelo até o seguinte, sem nunca perder de vista a Muralha. A um dia e meio de Castelo Negro, enquanto caminhavam penosamente com pés cobertos de calos, Goiva ouviu cavalos atrás deles e virou-se para ver uma coluna de cavaleiros negros que vinha de oeste.
– Irmãos meus – Sam tinha assegurado. – Ninguém usa esta estrada a não ser a Patrulha da Noite. – No fim era Sor Denys Mallister da Torre Sombria, com o ferido Bowen Marsh e os sobreviventes da batalha na Ponte das Caveiras. Quando Sam viu Dywen, Gigante e Edd Doloroso Tollett, descontrolou-se e chorou.
Foi através deles que ficou sabendo da batalha à sombra da Muralha.
– Stannis desembarcou os seus cavaleiros em Atalaialeste, e Cotter Pyke levou-os pelos caminhos dos patrulheiros, para apanhar os selvagens desprevenidos – contou-lhe o Gigante. – Esmagou-os. Mance Rayder foi capturado, mil de seus melhores guerreiros foram mortos, incluindo Harma Cabeça de Cão. O resto dispersou-se como folhas antes de uma tempestade, segundo ouvimos dizer. – Os deuses são bons, pensou Sam. Se não tivesse se perdido enquanto se dirigia para o sul vindo da Fortaleza de Craster, ele e Goiva podiam ter esbarrado com a batalha... ou com o acampamento de Mance Rayder, pelo menos. Isso poderia ter sido bom para Goiva e o menino, mas não para ele. Sam tinha ouvido todas as histórias sobre aquilo que os selvagens faziam com corvos capturados. Estremeceu.
Mas nada do que os irmãos lhe tinham dito o preparara para o que foi encontrar em Castelo Negro. A sala comum tinha queimado até o chão e a grande escada de madeira era um monte de gelo partido e vigas carbonizadas. Donal Noye estava morto, bem como Rast, Dick Surdo, Alyn Vermelho e tantos outros, e no entanto o castelo tinha mais gente do que Sam alguma vez vira; não eram irmãos negros, mas soldados do rei, mais de mil homens. Havia um rei na Torre do Rei pela primeira vez desde que havia memória, e flutuavam estandartes na Lança, na Torre de Hardin, na Fortaleza Cinzenta, no Salão dos Escudos e em outros edifícios que tinham se mantido vazios e abandonados durante longos anos.
– O grande, o dourado com o veado preto, é o estandarte real da Casa Baratheon – disse Sam para Goiva, que nunca antes tinha visto bandeiras. – A raposa com as flores são da Casa Florent. A tartaruga é de Estermont, o peixe-espada é de Bar Emmon e as trombetas cruzadas pertencem aos Wensington.
– São todos brilhantes como flores. – Goiva apontou. – Gosto daqueles amarelos, com o fogo. Olhe, e alguns dos guerreiros têm a mesma coisa nas blusas.
– Um coração flamejante. Não sei de quem é esse símbolo.
Descobriu bastante depressa.
– Homens da rainha – disse-lhe Pyp (depois de soltar um grito e berrar “Fujam e barrem as portas, rapazes, é Sam, o Matador, que voltou da sepultura”, enquanto Grenn abraçava Sam com tanta força que este achou que suas costelas iam quebrar) –, mas é melhor que não ande por aí perguntando onde está a rainha. Stannis deixou-a em Atalaialeste, com a filha e a frota. Não trouxe mulher nenhuma além da vermelha.
– A vermelha? – perguntou Sam, com incerteza.
– Melisandre de Asshai – disse Grenn. – A feiticeira do rei. Dizem que queimou um homem vivo em Pedra do Dragão para que Stannis tivesse ventos favoráveis para a sua viagem ao norte. E também cavalgou a seu lado na batalha e deu-lhe a espada mágica. Chamam de Luminífera. Espere até vê-la. Brilha como se tivesse um pedaço do sol lá dentro. – Voltou a olhar para Sam e deu um grande, desamparado e estúpido sorriso. – Ainda não consigo acreditar que está aqui.