A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Cão de Caça – sussurrou, e: – Valar morghulis. – Ele talvez estivesse morto de manhã...
Mas quando a pálida luz da aurora chegou, filtrada pelas árvores, foi ele que a acordou com a ponta da bota. Arya sonhara de novo que era um lobo, perseguindo um cavalo sem cavaleiro por uma colina com uma alcateia atrás de si, mas o pé dele trouxe-a de volta exatamente no momento em que se aproximavam para a matança.
Cão de Caça continuava fraco, com todos os movimentos lentos e desajeitados. Afundou-se na sela e desatou a suar, e a orelha começou a sangrar através da atadura. Precisou de todas as suas forças para evitar cair do Estranho. Se os homens da Montanha tivessem vindo em seu encalço, Arya duvidava que ele fosse capaz sequer de erguer uma espada. Arya deu um olhar de relance por sobre o ombro, mas nada havia atrás deles além de um corvo que voava de árvore em árvore. O único som era o do rio.
Muito antes do meio-dia, Sandor Clegane cambaleava. Ainda restavam horas de luz do dia quando ele decidiu fazer uma parada.
– Preciso descansar – foi tudo o que disse. Daquela vez, quando desmontou, caiu mesmo. Em vez de tentar ficar de pé novamente, engatinhou debilmente para baixo de uma árvore e encostou-se no tronco. – Maldito inferno – praguejou. – Maldito inferno. – Quando viu Arya a fitá-lo, disse: – Era capaz de esfolá-la viva por uma taça de vinho, menina.
Em vez disso, Arya trouxe-lhe água. Ele bebeu um pouco, queixou-se de que tinha gosto de lama e deixou-se cair num sono ruidoso e febril. Quando Arya tocou nele, a pele ardia. Arya cheirou as ataduras como o Meistre Luwin fazia às vezes quando lhe tratava os cortes ou arranhões. Foi o rosto de Cão de Caça que tinha sangrado mais, mas foi o ferimento na coxa que pareceu a Arya ter um cheiro esquisito.
Perguntou a si mesma a que distância estaria aquele lugar, Salinas, e se seria capaz de encontrá-lo sozinha. Não teria de matá-lo. Se apenas fosse embora e o abandonasse, ele morreria sozinho. Morreria de febre, e ficaria ali debaixo daquela árvore até o fim dos tempos. Mas talvez fosse melhor se o matasse. Matara o escudeiro na estalagem e ele nada tinha feito a não ser agarrar o braço dela. Cão de Caça tinha matado Mycah. Mycah e mais gente. Aposto que ele matou cem Mycahs. E provavelmente teria matado Arya também, se não fosse o resgate.
A Agulha cintilou quando a desembainhou. Polliver mantivera-a limpa e afiada, pelo menos. Posicionou o corpo de lado, numa pose de dançarina de água, sem sequer pensar nisso. Folhas mortas estalaram sob os seus pés. Rápida como uma cobra, pensou. Suave como seda de verão.
Os olhos dele abriram-se.
– Lembra-se de onde fica o coração? – perguntou num sussurro rouco.
E ela ficou imóvel como pedra.
– Eu... eu estava só...
– Não minta – rosnou ele. – Odeio mentirosos. E odeio ainda mais embusteiros sem culhões. Vá, trate disso. – Quando Arya não se mexeu, ele disse: – Eu matei o seu filho de açougueiro. Cortei-o quase ao meio e depois ri dele. – Soltou um som estranho, e Arya precisou de um momento para perceber que o homem estava soluçando. – E o passarinho, a sua irmã bonita, fiquei lá com o meu manto branco e deixei que a espancassem. E arranquei a maldita canção dela, ela não me deu. Também queria possuí-la. Devia ter feito isso. Devia tê-la fodido até fazer sangue e devia ter arrancado seu coração antes de deixá-la para aquele anão. – Um espasmo de dor contorceu seu rosto. – Quer me obrigar a suplicar, cadela? Trate disso! A dádiva da misericórdia... vingue o seu pequeno Michael...
– Mycah. – Arya afastou-se dele. – Você não merece a dádiva da misericórdia.
Cão de Caça viu Arya selar a Covarde com olhos brilhantes de febre. Nem uma vez tentou erguer-se e impedi-la. Mas quando ela montou, disse:
– Um verdadeiro lobo acabaria com um animal ferido.
Talvez alguns lobos verdadeiros o encontrem, pensou Arya. Talvez o farejem quando o sol se puser. Então ficaria sabendo o que os lobos faziam aos cães.
– Não devia ter batido em mim com aquele machado – disse. – Devia ter salvo a minha mãe. – Virou o cavalo e afastou-se dele, e não olhou para trás nem uma vez.
Numa manhã luminosa seis dias depois, chegou a um lugar onde o Tridente começava a se alargar e o ar cheirava mais a sal do que a árvores. Permaneceu perto da água, passando por campos de cultivo e fazendas, e um pouco depois do meio-dia uma vila apareceu na sua frente. Salinas, pensou, esperançosa. Um pequeno castelo dominava a vila; não passava de uma fortaleza, na verdade, uma única fortificação quadrada com um cercado e uma muralha exterior. A maior parte das lojas, estalagens e cervejarias em volta do porto tinha sido saqueada ou queimada, embora algumas casas parecessem ainda habitadas. Mas o porto estava lá, e para leste estendia-se a Baía dos Caranguejos, com águas que cintilavam azuis e verdes ao sol.
E havia navios.
Três, pensou Arya, há três. Dois eram apenas galés fluviais, barcos de pequeno calado e fundo raso concebidos para percorrer as águas do Tridente. O terceiro era maior, um navio mercante do mar salgado com duas fileiras de remos, uma proa dourada e três grandes mastros com velas roxas dobradas. O casco também estava pintado de roxo. Arya levou a Covarde até as docas para ver melhor. Estranhos não eram tão estranhos num porto como são nas pequenas aldeias, e ninguém pareceu se importar com quem ela era ou com o motivo por que se encontrava ali.
Preciso de prata. A conclusão fez Arya morder o lábio. Tinham encontrado um veado e uma dúzia de cobres em Polliver, oito moedas de prata no escudeiro espinhento que ela tinha matado, e não mais do que um par de moedas na bolsa de Cócegas. Mas Cão de Caça tinha lhe dito para tirar as botas de Cócegas e cortar as roupas ensopadas em sangue, e ela descobriu um veado em cada pé, e três dragões de ouro cosidos no forro de seu gibão. Mas Sandor tinha ficado com tudo. Não foi justo. Era tanto meu como dele. Se lhe tivesse oferecido a dádiva da misericórdia... mas não tinha. E não podia voltar, assim como não podia suplicar ajuda. Nunca se consegue ajuda suplicando-a. Teria de vender a Covarde e esperar conseguir dinheiro suficiente.
Ficou sabendo por um rapaz junto às docas que o estábulo tinha sido queimado, mas a ex-proprietária do lugar continuava fazendo negócio atrás do septo. Arya encontrou-a sem dificuldade; uma mulher alta e robusta com um bom cheiro de cavalo. Gostou da Covarde à primeira vista, perguntou a Arya como a arranjara, e sorriu com a resposta dela.
– É um cavalo de boa linhagem, isso é bem evidente, e não duvido que pertenceu a um cavaleiro, querida – disse. – Mas o cavaleiro não era nenhum irmão seu que morreu. Já faço negócio ali com o castelo há muitos anos, e sei como se parecem os fidalgos. Esta égua é bem-nascida, mas você não é. – Espetou um dedo no peito de Arya. – Ou a encontrou, ou a roubou, não importa, foi o que foi. É a única maneira de uma coisinha malvestida como você acabar montada num palafrém.
Arya mordeu o lábio.
– Isso quer dizer que não vai comprá-la?
A mulher soltou um risinho.
– Quer dizer que aceitará o que eu lhe der, querida. Senão vamos ao castelo, e talvez fique sem nada. Ou até acabe enforcada, por roubar um bom cavalo de cavaleiro.
Meia dúzia de outras pessoas de Salinas andavam por ali, cuidando de seus assuntos, portanto Arya sabia que não podia matar a mulher. Em vez disso teve de morder o lábio e se deixar ser tapeada. A bolsa que recebeu era deploravelmente achatada, e quando pediu mais pela sela, freios e manta, a mulher apenas riu na sua cara.