A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Stannis virou-se para estudá-lo. Sob a sua pesada testa havia olhos que eram como lagoas azuis sem fundo. Seu rosto encovado e o forte maxilar estavam cobertos com uma barba negro-azulada cortada curta e que pouco fazia para esconder a magreza de seu rosto, e o maxilar estava tenso. O pescoço e os ombros também estavam tensos, assim como a mão direita. Jon deu por si lembrando-se de uma coisa que Donal Noye havia dito um dia sobre os irmãos Baratheon. Robert era o verdadeiro aço. Stannis é puro ferro, negro, duro e forte, mas quebradiço, como o ferro se torna. Quebrará antes de se dobrar. Inquieto, ajoelhou, perguntando a si mesmo por que teria aquele rei quebradiço necessidade de si.
– Levante-se. Ouvi muitas coisas e mais ainda acerca de você, Lorde Snow.
– Não sou um lorde, senhor. – Jon levantou-se. – Sei o que ouviu dizer. Que sou um vira-casaca e um covarde. Que matei o meu irmão Qhorin Meia-Mão para que os selvagens me poupassem a vida. Que acompanhei Mance Rayder e tomei uma selvagem como esposa.
– Sim. Tudo isso e mais. Também é um warg, dizem eles, um troca-peles que de noite caminha como lobo. – O Rei Stannis tinha um sorriso duro. – Quanto disso é verdade?
– Eu tinha um lobo gigante, o Fantasma. Abandonei-o quando escalei a Muralha perto de Guardagris, e não voltei a vê-lo desde então. Qhorin Meia-Mão ordenou-me que me juntasse aos selvagens. Ele sabia que me obrigariam a matá-lo para provar a minha deserção, e disse-me para fazer tudo o que me pedissem. A mulher chamava-se Ygritte. Quebrei os votos com ela, mas juro em nome de meu pai que nunca virei a casaca.
– Acredito em você – disse o rei.
Aquilo surpreendeu-o.
– Por quê?
Stannis fungou.
– Conheço Janos Slynt. E também conheci Ned Stark. Seu pai não era meu amigo, mas só um idiota duvidaria de sua honradez ou de sua honestidade. É parecido com ele. – Um homem grande, Stannis Baratheon erguia-se bem mais alto do que Jon, mas tão magro que parecia dez anos mais velho do que era. – Sei mais do que pode pensar, Jon Snow. Sei que foi você quem encontrou o punhal de vidro de dragão que o filho de Randyll Tarly usou para matar o Outro.
– Foi o Fantasma que o encontrou. A lâmina estava enrolada no manto de um patrulheiro e enterrada no sopé do Punho dos Primeiros Homens. Havia também outras lâminas... pontas de lança, pontas de flecha, tudo de vidro de dragão.
– Sei que defendeu o portão aqui – disse o Rei Stannis. – Se não tivesse feito isso, eu teria chegado tarde demais.
– Foi Donal Noye quem defendeu o portão. Morreu lá embaixo no túnel, lutando contra o rei dos gigantes.
Stannis fez uma careta.
– Noye fez a minha primeira espada e também o martelo de guerra de Robert. Se deus tivesse achado por bem poupá-lo, ele daria um Senhor Comandante melhor para a sua ordem do que qualquer um daqueles idiotas que andam disputando o cargo.
– Cotter Pyke e Sor Denys Mallister não são idiotas, senhor – disse Jon. – São homens bons e capazes. Othell Yarwyck também, à sua maneira. Lorde Mormont confiava em todos eles.
– Seu Lorde Mormont confiava com demasiada facilidade. Se não fosse assim, não teria morrido da forma como morreu. Mas estávamos falando de você. Não esqueci que foi você quem nos trouxe este berrante mágico e quem capturou a esposa e o filho de Mance Rayder.
– Dalla morreu. – Aquilo ainda entristecia Jon. – Val é a irmã dela. Ela e o bebê não exigiram grande captura, Vossa Graça. Havia posto os selvagens em debandada, e o troca-peles que Mance deixara guardando a sua rainha enlouqueceu quando a águia queimou. – Jon olhou para Melisandre. – Há quem diga que foi obra sua.
Ela sorriu, com os longos cabelos de cobre caindo sobre o rosto.
– O Senhor da Luz tem garras flamejantes, Jon Snow.
Jon acenou com a cabeça e voltou-se de novo para o rei.
– Vossa Graça, falou de Val. Ela pediu para ver Mance Rayder, para lhe levar o filho. Seria uma... uma gentileza.
– O homem é um desertor de sua ordem. Seus irmãos estão todos insistindo na morte dele. Por que eu lhe faria uma gentileza?
Jon não tinha resposta para aquilo.
– Se não por ele, então por Val. Em nome da irmã, a mãe da criança.
– Gosta dessa Val?
– Mal a conheço.
– Dizem-me que é atraente.
– Muito – admitiu Jon.
– A beleza pode ser traiçoeira. Meu irmão aprendeu essa lição com Cersei Lannister. Ela assassinou-o, não duvide. E também ao seu pai e a Jon Arryn. – Franziu a testa. – Você acompanhou estes selvagens. Acha que há alguma honra neles?
– Sim – disse Jon –, mas o seu próprio tipo de honra.
– E em Mance Rayder?
– Sim. Penso que sim.
– No Senhor dos Ossos?
Jon hesitou.
– Nós o chamávamos de Camisa de Chocalho. Traiçoeiro e sedento de sangue. Se há honra nele, esconde-a por baixo de sua armadura de ossos.
– E naquele outro homem, aquele Tormund de muitos nomes que escapou de nós após a batalha? Responda-me com a verdade.
– Tormund Terror de Gigantes pareceu-me ser o tipo de homem que daria um bom amigo e um mau inimigo, Vossa Graça.
Stannis balançou secamente a cabeça.
– Seu pai era um homem de honra. Não era amigo meu, mas eu conhecia o seu valor. Seu irmão era um rebelde e um traidor que pretendia roubar metade do meu reino, mas não há homem que possa questionar a sua coragem. E você?
Será que ele quer que diga que o adoro? A voz de Jon soou dura e formal quando disse:
– Eu sou um homem da Patrulha da Noite.
– Palavras. Palavras são vento. Por que pensa que abandonei Pedra do Dragão e naveguei para a Muralha, Lorde Snow?
– Não sou um lorde, senhor. Veio porque o chamamos, espero. Embora não possa dizer por que motivo levou tanto tempo para vir.
Surpreendentemente, Stannis sorriu ao ouvir aquilo.
– É suficientemente ousado para ser um Stark. Sim, devia ter vindo mais cedo. Se não fosse o meu Mão, poderia nem sequer ter vindo. Lorde Seaworth é um homem de nascimento humilde, mas recordou-me de meu dever, quando tudo aquilo em que eu conseguia pensar era nos meus direitos. Tinha posto a carroça antes dos bois, disse Davos. Estava tentando conquistar o trono para salvar o reino, quando devia estar tentando salvar o reino para conquistar o trono. – Stannis apontou para o norte. – É ali que encontrarei o inimigo que nasci para enfrentar.
– O nome dele não pode ser proferido – acrescentou Melisandre em voz baixa. – Ele é o Deus da Noite e do Terror, Jon Snow, e essas silhuetas na neve são as suas criaturas.
– Dizem-me que matou um desses cadáveres caminhantes para salvar a vida de Lorde Mormont – disse Stannis. – Pode ser que esta guerra também seja sua, Lorde Snow. Se me quiser ceder a sua ajuda.
– Minha espada está a serviço da Patrulha da Noite, Vossa Graça – respondeu cautelosamente Jon Snow.
Aquilo não agradou ao rei. Stannis rangeu os dentes e disse:
– De você preciso mais do que uma espada.
Jon não estava entendendo.
– Senhor?
– Preciso do Norte.
O Norte.
– Eu... o meu irmão Robb era Rei no Norte...
– Seu irmão era o legítimo Senhor de Winterfell. Se tivesse ficado em casa e cumprido o seu dever, em vez de se coroar e partir para a conquista das terras fluviais, poderia estar vivo hoje. Mas, seja como for. Você não é Robb, assim como eu não sou Robert.
As palavras ríspidas afastaram qualquer empatia que Jon pudesse ter sentido por Stannis.
– Eu amava meu irmão – disse.
– E eu o meu. Mas eram como eram, e nós também. Sou o único rei legítimo em Westeros, no norte ou no sul. E você é o bastardo de Ned Stark. – Stannis estudou-o com aqueles olhos azul-escuros. – Tywin Lannister nomeou Roose Bolton Protetor do Norte, como recompensa por trair o seu irmão. Os homens de ferro estão lutando entre si desde a morte de Balon Greyjoy, mas ainda controlam Fosso Cailin, Bosque Profundo, Praça de Torrhen e a maior parte da Costa Pedregosa. As terras do seu pai sangram, e eu não tenho forças nem tempo para estancar as feridas. O que é necessário é um Senhor de Winterfell. Um Senhor de Winterfell leal.