A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Robert, pensou Jon durante um momento louco, recordando o pobre Owen, mas quando as trombetas voltaram a soar e os cavaleiros avançaram, o nome que gritaram foi: “Stannis! Stannis! STANNIS!”.
Jon virou-se, e entrou na tenda.
ARYA
À porta da estalagem, pendurados em uma forca desgastada pelas intempéries, os ossos de uma mulher torciam-se e chocalhavam a cada rajada de vento.
Conheço esta estalagem. Mas não havia forca à porta quando tinha dormido ali com a irmã Sansa, sob o olhar vigilante da Septã Mordane.
– Não queremos entrar – decidiu subitamente Arya –, pode haver fantasmas.
– Sabe quanto tempo passou desde que eu bebi uma taça de vinho? – Sandor saltou da sela. – Além do mais, temos de ficar sabendo quem controla o vau rubi. Fique com os cavalos se quiser, por mim tô cagando.
– E se o reconhecerem? – Sandor já não se incomodava em esconder o rosto. Já não parecia se importar com quem o reconhecesse. – Podem querer prendê-lo.
– Que experimentem. – Soltou a espada na bainha e empurrou a porta.
Arya nunca teria melhor oportunidade de fugir. Podia se afastar, montada na Covarde, e levar também o Estranho. Mordeu o lábio. Então levou os cavalos para os estábulos e entrou atrás dele.
Eles conhecem-no. Foi o silêncio que lhe contou. Mas isso não era o pior. Ela também os conhecia. Não o estalajadeiro magricela, nem as mulheres, nem os trabalhadores rurais que estavam junto da lareira. Mas os outros. Os soldados. Ela conhecia os soldados.
– Procurando o seu irmão, Sandor? – a mão de Polliver estivera enfiada no corpete da moça que tinha no colo, mas agora a havia tirado para fora.
– Procurando uma taça de vinho. Estalajadeiro, um jarro de tinto. – Clegane atirou um punhado de moedas de cobre para o chão.
– Não quero problemas, sor – disse o estalajadeiro.
– Então não me chame de sor. – Sua boca torceu-se. – Está surdo, idiota? Pedi vinho. – Quando o homem fugiu, Clegane gritou às suas costas. – Duas taças! A garota também tem sede!
Eles são só três, pensou Arya. Polliver deu-lhe um breve relance e o rapaz que estava a seu lado nem chegou a olhá-la, mas o terceiro fitou-a longa e duramente. Era um homem de altura e constituição medianas, com um rosto tão comum que era difícil saber que idade tinha. O Cócegas. Cócegas e Polliver juntos. O rapaz era um escudeiro, julgando pela idade e pelo vestuário. Tinha uma grande espinha branca junto ao nariz e algumas vermelhas na testa.
– Este é o cachorro perdido de que Sor Gregor falou? – perguntou ao Cócegas. – Aquele que fez xixi nas esteiras e fugiu?
Cócegas apoiou uma mão no braço do rapaz, num aviso, e sacudiu vivamente a cabeça. Arya compreendeu aquilo com bastante clareza.
Mas o escudeiro não, ou então não se importou.
– Sor disse que o seu irmão cachorro enfiou o rabo entre as pernas quando a batalha esquentou demais em Porto Real. Disse que fugiu ganindo. – Dirigiu ao Cão de Caça um estúpido sorriso de zombaria.
Clegane estudou o rapaz e não disse palavra. Polliver tirou rudemente a moça de cima de si e pôs-se em pé.
– O moço tá bêbado – disse. O homem de armas era quase tão alto quanto o Cão de Caça, embora não fosse tão musculoso. Uma barba arredondada cobria-lhe o queixo e as maxilas, espessa, negra e bem cortada, mas a cabeça estava mais calva do que coberta. – Ele não aguenta o vinho, é só isso.
– Então não devia beber.
– O cachorro não assusta... – começou o rapaz, mas o Cócegas torceu casualmente sua orelha entre o indicador e o polegar. As palavras transformaram-se num guincho de dor.
O estalajadeiro retornou apressadamente, trazendo duas taças de pedra e um jarro numa bandeja de peltre. Sandor levou o jarro à boca. Arya via os músculos do pescoço dele trabalhando enquanto engolia. Quando bateu com ele na mesa, metade do vinho tinha desaparecido.
– Agora já pode servir. E é melhor que apanhe aqueles cobres, que são as únicas moedas que deve ver hoje.
– Nós pagaremos quando acabarmos de beber – disse Polliver.
– Quando acabar de beber, vai fazer cócegas no estalajadeiro para saber onde ele guarda o ouro. Como faz sempre.
O estalajadeiro lembrou-se de repente de algo que tinha na cozinha. Os homens da terra também estavam saindo, e as garotas já tinham desaparecido. O único som que se ouvia na sala comum era o tênue crepitar do fogo na lareira. Também devíamos ir embora, compreendeu Arya.
– Se anda à procura do Sor, vem tarde demais – disse Polliver. – Ele esteve em Harrenhal, mas já não está. A rainha mandou buscá-lo. – Arya viu que o homem trazia três lâminas à cintura; uma espada longa na anca esquerda e na direita um punhal e uma lâmina mais esguia, longa demais para ser uma adaga e curta demais para ser uma espada. – O Rei Joffrey está morto, sabe? – acrescentou. – Envenenado durante o banquete do próprio casamento.
Arya penetrou um pouco mais na sala. Joffrey está morto. Quase conseguia vê-lo, com os caracóis louros, o sorriso maldoso e os lábios grossos e moles. Joffrey está morto! Sabia que aquilo devia deixá-la feliz, mas de algum modo ainda se sentia vazia por dentro. Joffrey estava morto, mas se Robb também estava, que importava?
– Lá se foram os meus bravos irmãos da Guarda Real. – Cão de Caça soltou uma fungada de desprezo. – Quem foi que o matou?
– O Duende, pensam. Ele e a mulherzinha.
– Que mulher?
– Esquecia-me de que tem estado escondido debaixo de uma pedra. A nortenha. A filha de Winterfell. Ouvimos dizer que ela matou o rei com um feitiço e que depois se transformou num lobo com grandes asas de couro, como as de um morcego, e voou por uma janela de torre. Mas deixou o anão para trás e Cersei quer cortar a cabeça dele.
Isso é estúpido, pensou Arya. Sansa só sabe canções, e não feitiços, e nunca casaria com o Duende.
Cão de Caça sentou-se no banco mais próximo da porta. Sua boca torceu-se, mas só do lado queimado.
– Ela devia mergulhá-lo em fogovivo e cozê-lo. Ou fazer-lhe cócegas até a lua ficar negra. – Ergueu a taça de vinho e esvaziou-a de uma só vez.
Ele é um deles, pensou Arya quando viu aquilo. Mordeu o lábio com tanta força que sentiu o gosto do sangue. É igualzinho a eles. Devia matá-lo quando dormisse.
– Então Gregor tomou Harrenhal? – disse Sandor.
– Não foi preciso tomar muito – disse Polliver. – Os mercenários fugiram assim que souberam que estávamos a caminho, todos menos uns poucos. Um dos cozinheiros abriu uma poterna para a gente entrar, para se vingar de Hoat por lhe ter cortado o pé. – Soltou um risinho. – Ficamos com ele para cozinhar para nós, umas meninas para aquecer nossas camas e passamos todos os outros pela espada.
– Todos os outros? – disse Arya antes de conseguir se segurar.
– Bem, o Sor ficou com Hoat como passatempo.
Sandor disse:
– O Peixe Negro ainda está em Correrrio?
– Não por muito tempo – disse Polliver. – Está cercado. O velho Frey vai enforcar Edmure Tully se ele não entregar o castelo. O único local onde se luta a sério é em volta de Corvarbor. Os Blackwood e os Bracken. Os Bracken agora são dos nossos.