A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Quando finalmente o salão ficou vazio além deles, Sam e Clydas viraram o caldeirão de pernas para o ar na frente de Meistre Aemon. Uma cascata de conchas, pedras e moedas de cobre cobriu a mesa. As mãos enrugadas de Aemon ordenaram-nas com surpreendente rapidez, movendo as conchas para cá, as pedras para lá, as moedas para um lado, e a ocasional ponta de lança, prego e bolota para os montinhos respectivos. Sam e Clydas contaram as pilhas, mantendo cada um o seu registro.
Naquela noite era a vez de Sam dizer primeiro os resultados.
– Duzentos e três para Sor Denys Mallister – disse. – Cento e sessenta e nove para Cotter Pyke. Cento e trinta e sete para Lorde Janos Slynt, setenta e dois para Othell Yarwyck, cinco para Hobb Três-Dedos, e dois para Edd Doloroso.
– Eu tinha cento e sessenta e oito para Pyke – disse Clydas. – Temos dois votos a menos, pela minha contagem, e um pela de Sam.
– A contagem de Sam está correta – disse Meistre Aemon. – Jon Snow não votou. Não importa. Ninguém está perto.
Sam estava mais aliviado do que desapontado. Até com o apoio de Bowen Marsh, Lorde Janos ainda era apenas terceiro.
– Quem são estes cinco que continuam votando no Hobb Três-Dedos? – perguntou a ninguém em especial.
– Irmãos que o querem fora das cozinhas? – disse Clydas.
– Sor Denys caiu dez votos desde ontem – apontou Sam. – E Cotter Pyke caiu quase vinte. Isso não é bom.
– Não é bom para suas esperanças de se tornarem Senhor Comandante, com certeza – disse Meistre Aemon. – Mas no fim das contas pode ser bom para a Patrulha da Noite. Não cabe a nós decidir. Dez dias não é um tempo excessivo. Certa vez, houve uma escolha que durou quase dois anos, umas setecentas votações. Os irmãos chegarão a uma decisão a seu tempo.
Sim, pensou Sam, mas que decisão?
Mais tarde, sobre taças de vinho aguado na privacidade da cela de Pyp, a língua de Sam soltou-se e deu por si pensando em voz alta.
– Cotter Pyke e Sor Denys Mallister vêm perdendo terreno, mas entre eles ainda têm quase dois terços – disse a Pyp e a Grenn. – Qualquer um dos dois poderia ser um bom Senhor Comandante. Alguém tem de convencer um deles a se retirar e a apoiar o outro.
– Alguém? – disse Grenn em tom de dúvida. – Que alguém?
– Grenn é tão burro que acha que alguém podia ser ele – disse Pyp. – Talvez quando alguém acabar de tratar de Pyke e Mallister, devesse convencer também o Rei Stannis a se casar com a Rainha Cersei.
– O Rei Stannis já é casado – objetou Grenn.
– O que vou fazer com ele, Sam? – suspirou Pyp.
– Cotter Pyke e Sor Denys não gostam muito um do outro – argumentou obstinadamente Grenn. – Discutem sobre tudo.
– Sim, mas só porque têm ideias diferentes sobre o que é melhor para a Patrulha – disse Sam. – Se nós explicássemos...
– Nós? – disse Pyp. – Como foi que alguém se transformou em nós? Eu sou o macaco do saltimbanco, lembra? E Grenn é, bem, Grenn. – Sorriu a Sam e abanou as orelhas. – Agora, você... você é filho de um lorde e intendente do meistre...
– E Sam, o Matador – disse Grenn. – Matou um Outro.
– Foi o vidro de dragão que o matou – disse-lhe Sam pela centésima vez.
– Filho de um lorde, intendente do meistre e Sam, o Matador – meditou Pyp. – Você poderia falar com eles, talvez...
– Poderia – disse Sam, soando tão pessimista quanto Edd Doloroso –, se não fosse covarde demais para encará-los.
JON
Jon rodeou Cetim lentamente, de espada na mão, obrigando-o a se virar.
– Levante o escudo – disse.
– É pesado demais – reclamou o rapaz de Vilavelha.
– Tem o peso que precisa ter para parar uma espada – disse Jon. – E agora levante-o. – Deu um passo para a frente, golpeando. Cetim ergueu o escudo a tempo de apanhar a espada na borda e brandiu a sua lâmina contra as costelas de Jon. – Boa – disse Jon, quando sentiu o impacto em seu escudo. – Isso foi bom. Mas tem de colocar o corpo no movimento. Ponha o seu peso no aço e conseguirá fazer mais estragos do que apenas com a força do braço. Vá, tente outra vez, ataque-me, mas mantenha o escudo levantado, senão faço sua cabeça ressoar como se fosse um sino...
Em vez disso, Cetim deu um passo para trás e levantou a viseira.
– Jon – disse, numa voz ansiosa.
Quando se virou, ela estava em pé atrás dele, rodeada de meia dúzia de homens da rainha. Pouco admira que o pátio tenha ficado tão silencioso. Tinha visto Melisandre nas fogueiras noturnas, e nas idas e vindas pelo castelo, mas nunca tão de perto. É bela, pensou... mas havia algo mais do que um pouco perturbador em seus olhos vermelhos.
– Senhora.
– O rei deseja falar com você, Jon Snow.
Jon espetou a espada de treino no solo.
– Talvez me possa ser permitido que troque de roupa? Não estou em estado digno de comparecer perante um rei.
– Esperaremos no topo da Muralha – disse Melisandre. Nós, ouviu Jon, e não ele. É como dizem. Esta é que é a sua verdadeira rainha, e não aquela que deixou em Atalaialeste.
Pendurou a cota de malha e a armadura no arsenal, regressou à sua cela, livrou-se das roupas manchadas de suor e vestiu um conjunto limpo de vestes negras. Sabia que faria frio e ventaria na gaiola, e seria ainda mais frio e ventaria mais no topo do gelo, por isso escolheu um pesado manto com capuz. Por último recolheu a Garralonga e atou a espada bastarda às costas.
Melisandre esperava-o na base da Muralha. Mandara embora os homens da rainha.
– O que Sua Graça quer de mim? – perguntou-lhe quando entraram na gaiola.
– Tudo o que tiver para dar, Jon Snow. Ele é um rei.
Jon fechou a porta e puxou a corda do sino. O guincho começou a girar. Subiram. O dia estava luminoso e a Muralha chorava, com longos dedos de água escorrendo por sua superfície e cintilando ao sol. No apertado confinamento da gaiola de ferro, sentia-se vivamente consciente da presença da mulher vermelha. Até cheira a vermelho. O odor lembrou-lhe a forja de Mikken, o modo como o ferro cheirava quando incandescente; o odor era fumaça e sangue. Beijada pelo fogo, pensou, recordando Ygritte. O vento penetrou no interior das longas vestes vermelhas de Melisandre e fez com que batessem contra as pernas de Jon, a seu lado.
– Não sente frio, senhora? – perguntou-lhe.
Ela riu.
– Nunca. – O rubi na garganta parecia pulsar, em uníssono com o bater de seu coração. – O fogo do Senhor vive dentro de mim, Jon Snow. Sinta-o. – Pôs a mão no rosto dele, e manteve-a ali enquanto ele sentia como ela estava quente. – É esta a sensação que a vida deve ter – disse-lhe ela. – Só a morte é fria.
Foram encontrar Stannis Baratheon em pé, sozinho, na borda da Muralha, pensativo, virado para o campo onde tinha vencido a sua batalha e a grande floresta verde que se estendia à frente. Estava vestido com os mesmos calções, túnica e botas negras que um homem da Patrulha da Noite usaria. Só o seu manto o distinguia: um pesado manto dourado forrado de peles negras, e preso com um broche com a forma de um coração flamejante.
– Trouxe-lhe o Bastardo de Winterfell, Vossa Graça – disse Melisandre.