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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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– A propósito, Mortimer – eu disse quando nos sacudíamos pela estrada irregular – suponho que haja poucas pessoas que morem nas redondezas que você não conheça.

– Acho que nenhuma.

– Então você pode me dizer o nome de alguma mulher cujas iniciais sejam L.L.?

Ele pensou por alguns minutos.

– Não – disse ele. – Há alguns ciganos e trabalhadores cujos nomes eu não sei, mas entre os fazendeiros ou a pequena nobreza não há ninguém cujas iniciais sejam essas. Espere um pouco – ele acrescentou após uma pausa. – Há Laura Lyons, as iniciais dela são L.L., mas ela mora em Coombe Tracey.

– Quem é ela? – perguntei.

– É a filha de Frankland.

– O quê! Do velho Frankland, o maluco?

– Exatamente. Ela se casou com um artista chamado Lyons que veio desenhar no pântano. Ele era um patife e a abandonou. A culpa, pelo que ouvi, podia não estar inteiramente de um lado. O pai dela cortou relações com ela porque ela se casara sem o seu consentimento, e talvez por um ou dois outros motivos também. De modo que, entre o velho pecador e o jovem, a garota passou por um mau pedaço.

– De que ela vive?

– Imagino que o velho Frankland lhe dê uma mesada insignificante, mas não pode ser mais, porque os próprios negócios dele estão bastante complicados. O que quer que ela possa ter merecido, não se pode permitir que ela vá irremediavelmente para o mal. A história dela se espalhou, e várias pessoas daqui fizeram alguma coisa para permitir-lhe ganhar a vida honestamente. Stapleton foi um e sir Charles, outro. Eu mesmo dei uma ninharia. Era para estabelecê-la num negócio de datilografia.

Ele quis saber o objetivo das minhas perguntas, mas consegui satisfazer sua curiosidade sem contar-lhe muita coisa, porque não há nenhum motivo para que tenhamos confiança em alguém. Amanhã de manhã irei até Coombe Tracey, e se eu puder ver esta sra. Laura Lyons, de reputação equívoca, será dado um longo passo no sentido de esclarecer um incidente nesta série de mistérios. Certamente estou adquirindo a sabedoria da serpente, porque quando Mortimer insistiu nas suas perguntas a ponto de ficar inconveniente, perguntei-lhe casualmente de que tipo era o crânio de Frankland, e assim só ouvi ele falar sobre craniologia durante o resto da nossa viagem. Não foi à toa que morei anos com Sherlock Holmes.

Tenho apenas um outro incidente para registrar a respeito deste dia tempestuoso e melancólico. Foi a minha conversa com Barrymore ainda há pouco, que me dá mais um trunfo que poderei usar no devido tempo.

Mortimer havia ficado para jantar, e ele e o baronete jogaram écarté depois. O mordomo levou o meu café até a biblioteca, e aproveitei a oportunidade para fazer-lhe algumas perguntas.

– Bem – eu disse – este seu estimado parente partiu ou ainda está escondido lá longe?

– Não sei, senhor. Espero em Deus que tenha ido, porque ele só nos trouxe problemas aqui! Não tive notícias dele desde que deixei comida para ele da última vez, e isso foi há três dias.

– Você o viu nesse dia?

– Não, senhor, mas a comida tinha desaparecido quando fui lá da vez seguinte.

– Então ele estava lá com certeza?

– Parece que sim, a menos que o outro homem a tenha apanhado.

Fiquei sentado com a xícara de café no ar e olhei para Barrymore.

– Então você sabe que há outro homem?

– Sim, senhor; há outro homem no pântano.

– Você o viu?

– Não, senhor.

– Como sabe disso então?

– Selden me falou sobre ele, senhor, há uma semana ou mais. Ele está escondido também, mas não é um condenado, pelo que entendi. Não gosto disso, dr. Watson, digo-lhe francamente, senhor, que não gosto disso. – Ele falou com uma súbita seriedade.

– Agora, ouça-me, Barrymore! Não tenho nenhum interesse neste assunto, a não ser o do seu patrão. Vim para cá apenas com o objetivo de ajudá-lo. Diga-me francamente do que é que você não gosta.

Barrymore hesitou por um momento, como se estivesse arrependido da sua explosão ou achasse difícil exprimir em palavras os seus próprios sentimentos.

– São todas estas extravagâncias, senhor – exclamou ele por fim acenando em direção à janela batida pela chuva que dava para o pântano. – Há traição em algum lugar, e há perversidade fervendo, quanto a isso eu juro! Eu ficaria muito satisfeito, senhor, de ver sir Henry voltando para Londres outra vez!

– Mas o que é que o assusta?

– Veja a morte de sir Charles! Isso foi péssimo, apesar de tudo o que o magistrado disse. Lembre-se dos ruídos no pântano à noite. Não há um único homem que o atravesse após o pôr-do-sol, mesmo que seja pago para isso. Veja este estranho escondido lá longe, observando e esperando! O que ele está esperando? O que significa isso? Não significa nada de bom para ninguém com o nome de Baskerville, e eu gostaria muito de largar isso tudo no dia em que os novos empregados de sir Henry estivessem prontos para cuidar da Mansão.

– Mas quanto a este estranho – eu disse. – Você pode me dizer alguma coisa sobre ele? O que diz Selden? Ele descobriu onde ele se esconde, ou o que ele está fazendo?

– Ele o viu uma ou duas vezes, mas ele é um finório e não conta nada. A princípio pensou que ele fosse da polícia, mas logo descobriu que ele tinha alguma posição própria. Ele era uma espécie de cavalheiro, pelo que ele pôde ver, mas não conseguiu saber o que ele estava fazendo.

– E onde foi que ele disse que o homem vivia?

– Entre as casas antigas na encosta da colina, as cabanas de pedra onde o povo antigo morava.

– Mas, e quanto à sua comida?

– Selden descobriu que ele tem um menino que trabalha para ele, que leva e traz tudo que ele precisa. Ouso dizer que ele vai buscar em Coombe Tracey as coisas de que precisa.

– Muito bem, Barrymore. Podemos falar mais sobre isto em outra ocasião. – Depois que o mordomo saiu, fui até a janela escura e olhei através de uma vidraça manchada para as nuvens que passavam e para a silhueta agitada das árvores varridas pelo vento. A noite estava tempestuosa lá fora, e imaginei como devia estar numa cabana de pedra acima do pântano. Que ódio pode ser esse que leva um homem a se esconder num lugar desses numa ocasião dessas! E que objetivo profundo e sério pode ele ter que exija uma tal provação! Lá, naquela cabana acima do pântano, parece estar o próprio centro daquele problema que me perturba tão dolorosamente. Jurei que não se passaria outro dia sem que eu fizesse tudo que um homem pode fazer para chegar ao âmago do mistério.

o homem sobre o pico rochoso

O trecho do meu diário particular que constitui o último capítulo atualizou a minha narrativa até o dia 18 de outubro, ocasião em que estes estranhos acontecimentos começaram a se encaminhar rapidamente para a sua terrível conclusão. Os incidentes dos dias seguintes estão indelevelmente gravados na minha memória, e posso contá-los sem recorrer às anotações feitas na ocasião. Começo, portanto, no dia seguinte àquele em que eu havia estabelecido dois fatos de grande importância, um que a sra. Laura Lyons, de Coombe Tracey, havia escrito a sir Charles Baskerville e marcado um encontro com ele no lugar e na hora em que ele veio a morrer, o outro, que o homem escondido no pântano podia ser encontrado entre as cabanas de pedra na encosta da colina. De posse desses dois fatos, achei que a minha inteligência ou a minha coragem deviam ser insuficientes se eu não conseguisse lançar mais alguma luz sobre estes lugares misteriosos.

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